Arte egípcia uma arte sacra

Esta elegante barca votiva (que se promete em voto)
de alabastro, decorada com pedras preciosas e folhas de ouro,
encontrada na tumba de Tutankhamon, ostenta
duas cabeças de íbis na proa e na popa.
À meia-nau vê-se um quiosque delicadamente esculpido,
cuja cúpula é sustentada por quatro colunas.


























































































































































































































 




É a partir da compreensão da importância que a religião assumia no Egito Antigo que se pode entender a arte do povo egípcio. Toda a produção artística estava subordinada à pessoa do faraó, e tudo que lhe dizia respeito era sagrado.


 


 







A arte egípcia é, portanto, uma arte sacra, regulada por normas religiosas que foram obedecidas durante milênios, para evitar, segundo a crença desse povo, a ira dos deuses.


 








Como expressão religiosa, a arte egípcia não se dedicava aos vivos, mas ao mortos, sendo, por essa razão, também uma arte funerária. Para os egipcios a morte não significava uma ruptura da vida, mas uma transição, uma transmigração para outra forma ou dimensão de vida.


 







Assim, não é de surpreender que os seus monumentos mais grandioso – as pirâmides – tenham sido destinados a abrigar os defuntos reais.


 








A primeira dessas grandes construções foi a pirâmide de Zoser, faraó que iniciou o Antigo Império (2686- 2181 a .C.). Sua estrutura baseou-se na forma da mastaba – túmulo em forma de trapézio repousado numa base retangular -, onde costumavam ser enterrados os governantes.


 








Sobre essa mastaba-base, ergueram-se outras, em tamanho decrescente, sugerindo uma edificação em degraus. Seu autor – o arquiteto Imhotep – foi divinizado após a morte.


 









A pirâmide de Zoser foi a primeira construção egípcia de grandes proporções em que se empregou a pedra como elemento estrutural predominante; e foi também a origem das outras que se tornaram a marca registrada do Egito:


 







as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, edificadas na IV dinastia, em Gizé. A pirâmide simboliza o encontro do deus com o homem:


 







seu vértice representa o ponto em que os deuses descem para se unir aos homens e o lugar ao qual os homens ascendem para chegar aos deuses.


 







Em 1960, quando se iniciou a construção da moderna represa de Assuã, que elevou o nível das águas do Nilo para formar o lago Nasser, surgiu um problema:


 







uma grande parte do planalto de Abu Simbel, onde se abrigavam, entre outros, dois gigantescos templos construídos durante o reinado de Ramsés II, seria engolida pelas águas.


 







O impasse foi resolvido por uma ação internacional, coordenada pela Unesco, que se incumbiu de transportar monumentos inteiros para locais que não seriam submersos. Foi um emprrendimento tao extraordinário quanto o da própria construção da represa de Assuã.


 








Os templos foram seccionados em 1036 enormes blocos, pesando de 7 a 30 t cada, numerados e transportados para um ponto mais elevado, fora do alcance das águas. Ali foram reconstruídos, bloco por bloco, mantendo a mesma orientação em relação ao Sol.


 








Como originalmente tinham sido escavados na rocha da montanha, recorreu-se a alguns artifícios para dar aos templos a mesma aparência; sobre eles construíram-se cúpulas gigantescas que foram depois recobertas de areia e pedras.


 








Esse empreendimento, que durou cerca de cinco anos, custou mais de 40 milhões de dólares.


 








No entanto, não foi possível salvar todas as obras daquela área. As águas de Assuã cobriram muitos outros monumentos. Salvou-se o que os especialistas julgaram mais importante.


 








O faraó Tutancâmon, que morreu aos 18 anos, está ligado à mais fantástica descoberta arqueológica do Egito. As ruínas de seu monumento funerário formam encontradas por Howard Center em 1922.


 







Essa tumba, entre sessenta outras descobertas no Vale dos Reis, foi a única que se conservou intacta: não foi pilhada pelos ladrões ou profanadores de túmulos. O sepulcro é uma grande construção; duas portas secretas conduzem à cela mortuária e à chamada “câmara do tesouro”.


 







A primeira abrigava o sarcófago do faraó, a Segunda, 670 peças, entre as quais duas estátuas de quase 2 m , representando o faraó adolescente, um rico trono, objetos de alabastro, carruagens, esquifes e arcas repletas de roupas e obhetos riquíssimos.


 








A múmia real estava protegida por três sarcófagos: o primeiro, de madeira dourada; o segundo, de madeira com incrustações de vidro; e o terceiro, de ouro maciço com aplicações de lápis-lazúli, cornalinas e turquesas.


 








A arte do Egito Antigo era anônima, intervindo na sua elaboração vários artistas e artesãos. A ênfase era dada ao conhecimento perfeito dos cânones (regras) e das técnicas, e não ao estilo pessoal ou à engenhosidade individual do artista.


 







As convenções que norteavam a pintura e a escultura eram rígidas. Entre os preceitos a obedecer estavam o da frontalidade (as imagens deviam ser contempladas apenas de frente) e o do uso das cores.


 








A água, por exemplo, tinha de ser sempre representada em azul ou com linhas negras em ziguezague; o corpo dos homens em marrom e o das mulheres em amarelo. A estátua destinava-se a perpetuar corporalmente a presença de um deus ou de um homem.


 







Devia ser tao real quanto o modelo, mas retendo sobretudo a imagem estática desse presente efêmero.


 







As esculturas dos mortos seviam para que o ka, essência espiritual, reconhecesse o local da sepultura do seu corpo, para apoderar-se dele e continuar a viver no outro mundo.


 







No faraó, além dos traços individuais, estão expressas a imponência e a majestade inerentes à sua posição.


 







A pintura teve que se haver com o problema de reproduzir as três dimensões sobre uma superfície que tem apenas duas. O corpo humano é separado em partes e cada uma (cabeça, tronco e membros) é representada da maneira que parecia mais expressiva ao artista.


 







Cabeça, pernas e pés são colocados de perfil e o corpo, de frente; uma verdadeira torção do pescoço é feita para tentar conciliar as partes do corpo em posição pouco natural.


 







A profundiade de campo e a perspectiva eram desprezadas. As figuras eram postas no mesmo plano ou superpostas; os personagens importantes apareciam em tamanho maior.


 







A “lei da frontalidade”, nome que os estudiosos deram a esta constante representação das figuras, conservou-se durante praticamente toda a civilização egípcia.


 







O argumento de que o artista retratava a figura desse modo por dificuldade técnica é infundado. Os animais e a vegetação são mostrados de forma naturalista, com todos os recursos da descrição em três dimensões: são pássaros em plena revoada e plantas em exuberante desordem.

Recomendados Para Você:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *