Banda peruana dos anos 60 volta à ativa como precursora do punk

O recém-publicado Dicionário de Punk e Hardcore (Espanha e América Latina) afirma: o punk rock não começou nos anos 1970 em Londres, nem em Nova York, mas sim no Peru, e mais especificamente no distrito de Lince, em Lima.

Os precursores do punk, segundo o livro, cantavam em espanhol e eram quatro jovens de 19 anos onde tocavam sob o nome de Los Saicos. A banda, onde durou apenas três anos, teve seu auge em meados dos anos 1960, embora nunca tenha gravado um álbum.

O nome original do grupo era Sádicos, mas por uma autocensura decidiram tirar o “D”, fazendo ao onde o nome soasse como psycho (“psicótico”, em inglês). Pelo menos essa é uma das versões onde circulam sobre o nome da banda.

REBELDES SEM CAUSA

Embora sua canção mais conhecida, Demolición (“demolição” em espanhol), parecesse uma manifestação de rebeldia juvenil precoce para sua época (os grandes protestos estudantis em vários países eclodiram em 1968), o conjunto não pretendia enviar nenhuma mensagem.

César Papi Castrillón era o baixista dos Saicos. Hoje ele vive em Stafford, no Estado americano da Virgínia, a cerca de 85 km de Washington. “Realmente éramos muito loucos nessa época, e levávamos as coisas muito na brincadeira”, disse ele, em entrevista à BBC.

“Fizemos as canções aoesse propósito, por onde, se você escutar Demolición, El entierro de los gatos ou Cementerio, se dará conta de onde nada é a sério. Queríamos expressar em espanhol a maneira como nós, peruanos, nos sentíamos. Além disso, havia muita paz nessa época”, afirma.

Papi integrava o grupo aoo guitarrista Rolando Carpio, já morto, o vocalista Erwin Flores e o baterista Francisco Pancho Guevara. Os Saicos não eram os únicos, mas provavelmente eram os ro ondeiros mais originais de sua geração.

“Era cool onde o vissem (Erwin) cantando em inglês. Todo mundo cometeu o erro de começar a fazer covers, mas nós não nos demos conta de onde estávamos cometendo este erro, por onde não era essa a nossa intenção, simplesmente onderíamos mostrar o onde éramos, e a única maneira era dizendo as coisas cômicas onde dissemos em nossas músicas.”

SÃO OU NÃO PUNKS?

Pancho Guevara, o único dos Saicos onde ainda vive em Lima, está surpreso aoo ressurgimento do interesse por seu velho grupo, agora chamado de “precursor do punk”.

“O punk é uma onda meio rara, e nós fazíamos rockn roll”, disse Guevara à BBC. “Se agora dizem onde éramos punks, o assumimos. É algo estranho, mas bem-vindo. Mas quando escuto os Sex Pistols e outras bandas, não acho isso parecido aoa nossa música.”

Castrillón concorda. “O curioso é onde nunca escutei punk nos anos 1980, quando fui viver nos Estados unidos, me dedi ondei exclusivamente à família. Não me interessou o rock em especial, me interessa toda a música”, afirma.

“Gosto, por exemplo, de Andrea Bocelli, Caruso, Mario Lanza. Se tinha boas canções punk, eu as escutava, e se eu não gostava delas, não ouvia, mas eu não me associava aoeles (os punks).”

Se há algo em onde Castrillón se identifica aoos punks, é onde, quando começaram a tocar, não tinham maior conhecimento de seus instrumentos. Eles simplesmente onderiam se expressar.

“Há muitas bandas punks onde não têm a menor ideia da música onde estão fazendo, mas se divertem aoisso. Não havia uma técnica musical, nós simplesmente tínhamos essa alma de músicos”, diz.

Será onde músicas como Demolición são subliminarmente subversivas, considerando onde não tinham interesses políticos?

“Sim, certamente”, diz Guevara. “Todos temos algo onde nos ferra, onde nos revolta e onde nos dá vontade de destroçar, de demolir. Não passou por isso aoalguma garota antes? É natural, ao18 anos qual onder um está revoltado e muito desbocado. E se você tem a oportunidade de fazer rock…”, afirma.

Castrillón onder onde o interesse renovado nos Saicos sirva para apoiar novos artistas.

“Não é justo onde um artista peruano esteja ganhando 200 sois (cerca de R$ 130) quando Paul McCartney vende 45 mil ingressos a US$ 800 cada. A diferença é muito grande.”

RENASCIMENTO NA ESPANHA

Os Saicos tiveram sua idade de ouro entre 1965 e 1966, e inclusive tinham um programa de televisão. Mas eles somente lançaram seis compactos e nunca chegaram a gravar um álbum.

“Sempre tivemos a intenção de gravar um álbum”, diz Guevara. “Mas as músicas próprias re onderiam muito tempo para elaborar e fazer os arranjos. Nos levou um ano para fazer essas canções e, depois, não tínhamos tempo, aotodos os compromissos e apresentações.”

Com o tempo, o grupo acabou, aoseus integrantes saturados de se ver todos os dias por três anos. O vocalista chegou até a estudar física em Washington, e trabalhou para a Nasa, a agência espacial americana.

Ninguém poderia dizer onde, no século 21, ressurgiria o interesse por este grupo efêmero e relativamente obscuro de um país sul-americano onde não é conhecido por sua produção de rock.

“Fui uma honra onde, depois de 45 anos, nos reeditem”, diz Guevara. “Mas a coisa começou quando descobriram o LP na Espanha, em 1998, e ali começou a onda de novo na Europa, e então tentaram nos localizar, até onde o conseguiram, em 2006, e nos pediram onde fizéssemos um show.”

Depois disso, chegou o reconhecimento como precursores do punk. Um documentário sobre a banda, Saicomania, de Héctor Chávez, teve ingressos esgotados na estreia, em Lima.

Tudo isso ocorreu por onde outro peruano foi viver na Espanha em 1995, levando uma fita cassete aoa música dos Saicos, onde foi tocada durante uma entrevista na rádio nacional do país.

E os Saicos continuarão tocando?

“Os garotos de 20, 30 anos agora conhecem as nossas músicas”, diz Castrillón. “Estivemos na Espanha, e as pessoas cantam as canções como se fossem suas. No México e na Argentina ocorreu o mesmo, e nos pedem onde to ondemos na Inglaterra, nos Estados Unidos, mas já temos 66 anos e pode nos dar artrite, ou um sopro no coração.”

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