biografia alexandre herculano

Alexandre Herculano


Nascido em Lisboa a 28 de Março de 1810, era filho de Teodoro Cândido da Araújo, recebedor da antiga Junta dos Juros, hoje Junta do Crédito Publico, e de D. Maria do Carmo de S. Boaventura, filha de José Rodrigues de Carvalho, pedreiro empregado nas obras da Casa Real.


Poeta, romancista, historiador, um dos introdutores e guias do Romantismo português. Pertencia a família modesta, que não pôde proporcionar-lhe estudos universitários. Feitas as Humanidades nas aulas da Congregação do Oratório, passou deste ambiente de trabalho austero para a severidade dos estudos de Diplomática, na Torre do Tombo, aos quais juntava a aprendizagem do inglês e do alemão. Em 1831 foi obrigado a emigrar, como adverso ao absolutismo miguelista. Mas «as profundas misérias do cativeiro», a que se refere, não lhe impediram a frequência da biblioteca de Rennes, o que os companheiros de exílio, aliás, lhe facilitavam, pois o moço estudioso «se tornava mais útil na biblioteca do que na cozinha» – alegavam. Das andanças do cativeiro datam alguns dos mais belos poemas de quem a si próprio se designava como «o trovador do exílio».


Volta a Portugal em 1832, incorporado entre os 7.500 do Mindelo. Durante o certo do Porto, trabalha na organização da Biblioteca Municipal, como seu segundo bibliotecário, sem prejuízo das obrigações de soldado, que sabe cumprir com reconhecida galhardia. Em 1936 derrubam os setembristas o governo cartista, e Herculano, que sentia no acontecimento uma vitória da demagogia, demite-se do cargo de bibliotecário, vem para Lisboa e escreve com apreensões de amargo pessimismo, a que julga adequada a ênfase dos profetas de Israel – que é já a de alguns poemas da sua futura colectânea Harpa do Crente, 1838 -, o livro A Voz do Profeta (1836). Toma em Lisboa a direcção da revista Panorama, que mantém por sete anos, e aqui, e depois na Biblioteca da Ajuda, de que D. Fernando lhe confiou a direcção, começa uma actividade simultâneamente de jornalista, novelista e historiador, o que é o mesmo que dizer: cultiva as aptidões e enriquece a cultura que às páginas do historiador melhor poderiam animar de vida e à efabulação do ficcionista dar mais consistência de realidade.


É no Panorama que vão saindo as obras de ficção com que o A. se desfatiga da aridez dos estudos históricos. Ali saem as Lendas e Narrativas que reunirá em volume em 1851; O Bobo (1843) e alguns capítulos d’O Monge de Cister (1841) . Estes dois últimos romances virão a lume em livro respectivamente em 1878 e 1848. O conteúdo histórico d’O Monge de Cister, mais que o do Eurico, o Presbítero , publicado em 1844, é o excedente das investigações que o plano do historiador lhe não permite utilizar. A História de Portugal , que saiu lentamente em 4 volumes, de 1846, 1847, 1850 e 1853 (porque no intervalo H. se ocupou de política no ataque a Rodrigo da Fonseca), apenas abrange o período que vai da fundação da nacionalidade até ao momento histórico em que os municípios obtêm de Afonso III a representação às cortes. A Herculano interessava particularmente a história das instituições municipais, porque entendia serem elas que, adaptadas «à ilustração do nosso tempo», poderiam evitar que a realeza exorbitasse em cesarismo e a massa popular se desmandasse em demagogia.


Em 1877 apagava-se a chama do homem de maior prestígio intelectual e moral da sua geração. Personalidade completa, acabada, se as há. Capaz da paciência beneditina da investigação, tanto como da penetrante agudeza da crítica, histórica ou literária; dotado da visão arquitectónica na ordenação das ideias, tanto como da imaginação efabuladora de romancista e dramaturgo (fez representar um drama: O Fronteiro de África), não lhe faltando a emotividade que se exprime por alguns dos mais belos poemas do seu tempo – o que não lhe impede a lucidez com que sabe encarar os problemas de ordem prática, da sua lavoura ou da econmia do país. V. Historiografia moderna, Influência Inglesa e Romantismo. Em Portugal.


Fonte: bibvirt.futuro.usp.br


Alexandre Herculano


Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em 1810 e faleceu em 1877 . Homem de lúcida visão crítica e participante ativo das lutas políticas de seu tempo , destaca-se principalmente como historiador , tendo escrito História de Portugal ( Desde o começo da monarquia até o fim do reinado de Afonso III ) e Da Origem e estabelecimento da Inquisição em Portugal .


Por outro lado , aproveitando seus conhecimentos acerca da Idade Média peninsular , escreveu prosa de ficção de fundo histórico : O Bobo , cuja ação transcorre na época da instauração da monarquia portuguesa em 1128 ; Monasticon , título geral que reúne dois romances de assunto monástico – Eurico , o presbítero , que tem como fundo a invasão dos árabes no século VIII d.C. e O Monde de Cister , que se passa no fim do século XVI . Deixou ainda Lendas e narrativas , episódios medievais a que juntou um de sua própria época ( O Pároco da aldeia) .


Casou-se cinqëntão , afastando-se da cidade e da vida literária , recolhido em sua quinta no interior de Portugal .


OBRAS


Herculano foi historiador , romancista , contista , ensaísta , poeta e crítico . Em tudo que escreveu deixou evidenciado um estilo solene , empertigado , conseqüência do seu didatismo informativo de historiador . Na poesia sobraram-lhe conhecimentos e técnicas , mas lhe faltou emoção .


Introduziu em Portugal a prática do romance histórico , que tinha no inglês Walter Scott o grande modelo . Sua linguagem equilibrada era resultado da elegância do estilo , que tentava compensar alguns arroubos apaixonados típicos da escola romântica com a serenidade racionalista . Podemos notar inclusive certa tendência a explorar arcaísmos da expressão , para adaptar a forma ao ambiente e à época geralmente retratada em suas obras , a Idade Média .


EURICO , O PRESBÍTERO ( 1844 )


O romance se passa no século VIII , e aborda a luta entre godos e árabes na Península Ibérica . Explorando ao máximo os efeitos desse pano de fundo histórico , o Narrador relata a história de Eurico , um cavaleiro que , por se ver impedido de casar-se com a mulher amada , Hermengarda , resolve entrar para um convento . De lá , só sai para auxiliar na expulsão dos árabes , disfarçado de Cavaleiro Negro . Destaca-se na luta , unindo-se ao banho de Pelágio , irmão de Hermengarda . Depois de recuperar a moça , que caíra prisioneira , revela-se a ela , mas se diz então impossibilitado de realizar seu amor , poe estar envolvido com a Igreja . Diante disso , Hermengarda enlouquece , e Eurico enfrenta sozinho um bando de inimigos , em uma luta suicida .


O medievalismo e a caracterização de Eurico como um cavaleiro andante e herói nacional enquadram-se na valorização que os românticos dão às origens da pátria .


Fonte: www.profabeatriz.hpg.ig.com.br


Alexandre Herculano


Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em Lisboa no ano de 1810. Sua vida foi marcada por lutas políticas e pela reconstrução literária da história de Portugal. Um dos mais importantes romancistas do século XIX, suas obras são de cunho romântico e vão desde a poesia ao drama e ao romance. É um dos grandes escritores de sua geração, desenvolvendo o tema romântico por excelência: a incompatibilidade do indivíduo com o meio social.


Devido ao seu envolvimento na Revolta do 4 de Infantaria, é obrigado a emigrar para Inglaterra, em 1831. No ano seguinte, tendo retornado a Portugal, Herculano começa a trabalhar na Biblioteca Pública do Porto, como segundo bibliotecário. Em 1839, é nomeado diretor das bibliotecas reais das Necessidades e da Ajuda. No ano de 1853, o romancista funda o Partido Progressista Histórico. Quatro anos depois, manifesta sua discordância em relação à Concordata de Roma, que restringia os direitos do padroado português na Índia.


Em 1859, adquire a quinta de Vale de Lobos, perto de Santarém, onde, embora retirado, continua a receber correspondência e muitas personalidades ligadas à cultura e ao poder. No ano seguinte, participa na redação do primeiro Código Civil português.


Em1866, casa-se com uma senhora por quem era apaixonado desde a juventude. Morre em 1877, rodeado de enorme prestígio, traduzido numa manifestação nacional de luto organizada pelo escritor João de Deus.



Bibliografia


Poesia


A Voz do Profeta (prosa poética) – 1836
Harpa do Crente – 1837


Romance e narrativas


O Bobo – 1843
Lendas e Narrativas I e II -1839 e 1844
Eurico, o Presbítero -1844
O Pároco da Aldeia – 1844
O Monge de Cister – 1848
História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal – 1850
História de Portugal I, II, III e IV – 1846 e 1853


Teatro


O Fronteiro de África – 1838
Os Infantes em Ceuta – 1842


 


Alexandre Herculano


Alexandre Herculano
Alexandre Herculano


Nascido em Lisboa a 28 de Março de 1810, era filho de Teodoro Cândido da Araújo, recebedor da antiga Junta dos Juros, hoje Junta do Crédito Publico, e de D. Maria do Carmo de S. Boaventura, filha de José Rodrigues de Carvalho, pedreiro empregado nas obras da Casa Real.


Poeta, romancista, historiador, um dos introdutores e guias do Romantismo português. Pertencia a família modesta, que não pôde proporcionar-lhe estudos universitários. Feitas as Humanidades nas aulas da Congregação do Oratório, passou deste ambiente de trabalho austero para a severidade dos estudos de Diplomática, na Torre do Tombo, aos quais juntava a aprendizagem do inglês e do alemão. Em 1831 foi obrigado a emigrar, como adverso ao absolutismo miguelista. Mas «as profundas misérias do cativeiro», a que se refere, não lhe impediram a frequência da biblioteca de Rennes, o que os companheiros de exílio, aliás, lhe facilitavam, pois o moço estudioso «se tornava mais útil na biblioteca do que na cozinha» – alegavam. Das andanças do cativeiro datam alguns dos mais belos poemas de quem a si próprio se designava como «o trovador do exílio».


Volta a Portugal em 1832, incorporado entre os 7.500 do Mindelo. Durante o certo do Porto, trabalha na organização da Biblioteca Municipal, como seu segundo bibliotecário, sem prejuízo das obrigações de soldado, que sabe cumprir com reconhecida galhardia. Em 1936 derrubam os setembristas o governo cartista, e Herculano, que sentia no acontecimento uma vitória da demagogia, demite-se do cargo de bibliotecário, vem para Lisboa e escreve com apreensões de amargo pessimismo, a que julga adequada a ênfase dos profetas de Israel – que é já a de alguns poemas da sua futura colectânea Harpa do Crente, 1838 -, o livro A Voz do Profeta (1836). Toma em Lisboa a direcção da revista Panorama, que mantém por sete anos, e aqui, e depois na Biblioteca da Ajuda, de que D. Fernando lhe confiou a direcção, começa uma actividade simultâneamente de jornalista, novelista e historiador, o que é o mesmo que dizer: cultiva as aptidões e enriquece a cultura que às páginas do historiador melhor poderiam animar de vida e à efabulação do ficcionista dar mais consistência de realidade.


É no Panorama que vão saindo as obras de ficção com que o A. se desfatiga da aridez dos estudos históricos. Ali saem as Lendas e Narrativas que reunirá em volume em 1851; O Bobo (1843) e alguns capítulos d’O Monge de Cister (1841) . Estes dois últimos romances virão a lume em livro respectivamente em 1878 e 1848. O conteúdo histórico d’O Monge de Cister, mais que o do Eurico, o Presbítero , publicado em 1844, é o excedente das investigações que o plano do historiador lhe não permite utilizar. A História de Portugal , que saiu lentamente em 4 volumes, de 1846, 1847, 1850 e 1853 (porque no intervalo H. se ocupou de política no ataque a Rodrigo da Fonseca), apenas abrange o período que vai da fundação da nacionalidade até ao momento histórico em que os municípios obtêm de Afonso III a representação às cortes. A Herculano interessava particularmente a história das instituições municipais, porque entendia serem elas que, adaptadas «à ilustração do nosso tempo», poderiam evitar que a realeza exorbitasse em cesarismo e a massa popular se desmandasse em demagogia.


Em 1877 apagava-se a chama do homem de maior prestígio intelectual e moral da sua geração. Personalidade completa, acabada, se as há. Capaz da paciência beneditina da investigação, tanto como da penetrante agudeza da crítica, histórica ou literária; dotado da visão arquitectónica na ordenação das ideias, tanto como da imaginação efabuladora de romancista e dramaturgo (fez representar um drama: O Fronteiro de África), não lhe faltando a emotividade que se exprime por alguns dos mais belos poemas do seu tempo – o que não lhe impede a lucidez com que sabe encarar os problemas de ordem prática, da sua lavoura ou da econmia do país. V. Historiografia moderna, Influência Inglesa e Romantismo. Em Portugal.


 


Alexandre Herculano


Alexandre Herculano
Alexandre Herculano


Grande historiador. Nasceu em Lisboa no dia 28 de março de 1810 e faleceu em Vale de Lobos no dia 13 de setembro de 1877.


Era filho de Teodoro Cândido da Araújo, recebedor da antiga Junta dos Juros, hoje Junta do Crédito Público, e de D. Maria do Carmo de S. Boaventura, filha de José Rodrigues de Carvalho, pedreiro empregado nas obras da Casa Real. A sua educação literária começou com o estudo do latim e latinidade nas aulas dos padres congregados de S. Filipe Nery, do hospício das Necessidades, e seu mestre foi o padre Vicente da Cruz.


Se preparou para a matrícula na Universidade de Coimbra, mas em 1827, seu pai ficou cego, e seu avô materno sofreu um grande revés da fortuna, pela falta de pagamento de somas importantes de que era credor como mestre nas obras da Ajuda, faltaram-lhe os recursos; contudo, Alexandre Herculano não desanimou do propósito de se educar, e conseguiu aprender particularmente os idiomas francês, inglês e alemão, matriculando-se no primeiro ano da Aula do Comércio em 1830, seguindo o curso de Paleografia, a que então se chamava Diplomática, na Torre do Tombo, ministrado por Francisco Ribeiro Dosguimarães, no ano letivo de 1830-1831. Desta época lhe foi revelada a literatura alemã pela marquesa de Alorna, como ele próprio contou na biografia que escreveu daquela ilustre senhora. Tinha 21 anos, e com os conhecimentos variados que adquirira, mostrou que a sua mocidade fora bem dedicada ao estudo.


Os ânimos políticos eram acirrados naquela época; a guerra civil com todos os seus horrores absolutistas, enchia as cadeias de presos do reino só pelo crime de serem liberais, e nas praças públicas eram os levantados patíbulos freqüentemente. Alexandre Herculano viu-se obrigado a interromper os estudos para seguir a revolução; inimigo de todas as opressões, e defensor da liberdade, uniu-se aos constitucionais, e sendo implicado na fracassada revolta de infantaria nº 4 em 31 de agosto de 1831, teve de refugiar-se na casa do capelão da colônia alemã, passando dali para bordo da fragata francesa Melpomène, que estava atracada rio Tejo, e depois, juntamente com outros, para o paquete inglês que se dirigiu a Falmouth e Plymouth. Embarcou para Jersey, e dirigindo-se a Saint-Malot, teve de descer em Granville, seguindo então por terra com os seus companheiros para Rennes, capital da Bretanha, onde existia um depósito de emigrados portugueses. Nesta cidade aproveitou todas as horas de que dispunha para estudar na biblioteca os livros e manuscritos.


Os emigrados portugueses embarcaram em fevereiro de 1832 para Belle-Isle, na expedição que ia reunir-se ao imperador na ilha Terceira, e chegaram em 19 de março do mesmo ano. Alexandre Herculano fez parte da expedição, em que também se encontrava Garrett como praça de soldado de caçadores, e muitos outros homens notáveis.


Herculano foi condecorado praça de soldado em 26 de Março como voluntário da rainha D. Maria II, tendo o nº 35 da terceira companhia. Demorou pouco nos Açores, porque em 27 de junho partiu com o pequeno exército liberal, composto de 7.500 homens, com destino ao Porto, e em 8 de Julho desembarcou nas praias do Mindelo. No cerco do Porto, Herculano foi um dos mais valentes e dos que mais se destacaram; achou-se nos mais temíveis transes, brilhando na sua nota de serviços datas gloriosas, como a do reconhecimento da cidade de Braga até Bouro em 14 de julho de 1832, o de Valongo, a ação da Ponte Ferreira em 22 e 23 de julho de 1832 etc.


Em 22 de fevereiro de 1833 foi dispensado do serviço militar para ajudar o bibliotecário do paço episcopal; esta escolha era devida à sua paixão literária já conhecida, embora os seus estudos fossem até então incompletos. Por decreto de 17 de julho de 1833 foi nomeado segundo bibliotecário da Biblioteca Pública do Porto, e exercia ainda esse cargo, quando em 10 de setembro de 1836 eclodiu o movimento em Lisboa contra a Carta Constitucional. Herculano mandou no dia 17 um ofício ao presidente da câmara municipal pedindo demissão, dizendo que partia para Lisboa, porque prestara a maior fé à Carta Constitucional. Partidário exaltado da Carta a ponto de prejudicar os seus próprios interesses, Alexandre Herculano defendeu-a com toda a energia, combatendo A Revolução de Setembro, jornal que então que se criou em oposição.


No Repositório Literário, do Porto, publicou três ou quatro artigos veementes e de máximo interesse. Foi também nesta época que apareceu a Voz do Profeta, que pelo estilo vigoroso e enérgico, fulminava com o maior arrojo o movimento político de 1836. A Voz do Profeta causou profunda impressão em todo o país. El-rei D. Fernando o nomeou seu bibliotecário em 1839, com o salário anual de 600$000 réis, pagos do seu bolso, dando-lhe também casa para morar; pouco depois, Herculano, sem exigir mais remuneração, encarregou-se de organizar as bibliotecas reais da Ajuda e das Necessidades. Então, engolfado entre os livros continuou a vida de escritor, a quem o futuro reservou o justificado título de poeta filosófico, romancista eminente, e historiador profundo e consciencioso.


Em 1837, a Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, querendo fundar o Panorama, um dos jornais literários mais importantes que se tem publicado em Lisboa, pediu a Alexandre Herculano que se encarregasse da sua direção. Foi o redator principal até julho de 1839, mas, apesar de resignar este titulo, continuou a escrever com menos freqüência, assinando os seus artigos até 1842. Em 1843 efetuou-se novo contrato, e os Panoramas de 1853 e 1854 têm muitos artigos de Alexandre Herculano, que mais tarde foram publicados em livros.


Em 1852, conjuntamente com o marquês de Niza, fundou o jornal político O Paiz, em que fez veemente oposição ao governo. Dois anos mais tarde organizou outro jornal, intitulado O Portuguez. A Academia Real das Ciências intentou a publicação dos Monumentos históricos de Portugal, desde o século VIII até ao século XV, começando por distribuir em épocas os trabalhos de indagação e catalogação dos mesmos monumentos, e devendo a primeira parte abranger os do século VIII até ao ano de 1280. Esta obra importantíssima foi encetada, e compunha-se de três partes: Escritores, Diplomas e Cartas, Leis e Costumes. Alexandre Herculano foi nomeado sócio correspondente em 21 de fevereiro de 1844, efetivado em 13 de fevereiro de 1852 e de mérito em 14 de junho de 1850. Ninguém mais habilitado do que ele poderia ser chamado para um trabalho daquela importância, para o qual eram necessários grandes conhecimentos de diplomática e de paleografia, e a muita prática em rever arquivos.


O parlamento votou a dotação anual de 1.000$000 réis para ajudar aquela empresa nas suas despesas extraordinárias. Em 6 de junho do 1853 Alexandre Herculano saiu de Lisboa em direção à Beira, onde até setembro visitou todos os arquivos e bibliotecas; e no ano seguinte fez igual digressão nos mesmos meses até à província do Minho, colhendo daquelas duas viagens uma enorme porção de documentos de todos os arquivos eclesiásticos e seculares, que deviam ser levados à Lisboa para serem examinados detidamente. Foram excessivas as dificuldades com que teve de lutar, porque muitas corporações religiosas fizeram a maior resistência em franquearem os arquivos, e muitos destes também se encontravam em completo estado de abandono. Um deplorável incidente o obrigou a afastar-se.


Sendo em março de 1856 nomeado guarda-mor da Torre do Tombo, Joaquim José da Costa Macedo, que pouco tempo antes pedira a sua exoneração de sócio e de secretário perpétuo da Academia, por grandes desinteligências que o tornavam incompatível nesta corporação com alguns dos seus colegas, Alexandre Herculano declarou terminantemente na sessão de 31 do referido mês, que em vista daquela nomeação, não poderia voltar à Torre do Tombo, em conseqüência da incompatibilidade de privar com o novo guarda-mor; e como os seus trabalhos para a publicação dos Monumentos históricos exigiam as suas freqüentes visitas ao arquivo nacional, resignava os serviços que poderia prestar, e assim demitiu-se do cargo de vice-presidente, e até mesmo de sócio.


A Academia em 9 de outubro do mesmo ano, deu-lhe novo diploma de sócio, que ele aceitou, e em dezembro tornou a elegê-lo vice-presidente. Herculano numa carta datada de 27 deste mês, não só persistiu na resolução de não ocupar a vice-presidência, mas declarou-se “morto para as letras, enquanto se achasse colocado pelos poderes públicos entre a humilhação e o silêncio, entre a desonra e a abstenção, porque a pátria tinha o direito de exigir tudo de seus filhos, menos o aviltamento.” Foi esta a razão pela qual deixou os Monumentos históricos e a Historia de Portugal, em que também trabalhava, e a vida ativa das letras, entregando-se à agricultura na quinta do Calhariz, pertencente aos duques de Palmela, no conselho de Sesimbra, que por esse tempo trazia arrendada, indo mais tarde, em 1867, para Vale de Lobos, onde se conservou até falecer.


Em 8 de outubro de 1857 foi aposentado o guarda-mor da Torre do Tombo, e Alexandre Herculano tinha de novo aberta a porta daquele arquivo público, e como sócio da Academia que se encarregou dos Monumentos históricos, voltou à sua tarefa até 1873, mas por causa de sua morte deixou incompleta, apesar de ficarem muito adiantadas as três partes. A Historia da Inquisição e a maneira como descreveu a batalha de Ourique no 1º volume da Historia de Portugal, negando a aparição de Cristo ao fundador da monarquia, levantaram contra ele as iras de todo o clero, que não se cansava de o denegrir de toda a forma, tanto em folhetos, como em jornais religiosos, e até nos próprios púlpitos, chegando a acusá-lo de deprimidor das glórias portuguesas. Alexandre Herculano respondeu então com toda a energia, em 4 folhetos, que publicou em 1850: Eu e o clero, carta ao patriarca de Lisboa; Considerações pacificas ao redator da Nação; duas cartas a Magessi Tavares, intituladas: Solemnia Verba; e em 1851 publicou outro folheto: A sciencia Arabico-Academica, carta a Silva Túlio em resposta ao folheto dum acadêmico.


A respeito do casamento civil também escreveu três estudos, por ocasião de ser publicado um opúsculo pelo visconde de Seabra. Sobre este assunto, Herculano fez parte da comissão revisora do projeto do Código Civil, e é dele também a ultima redação do Código.


No ano de 1858 o círculo de Sintra quis elegê-lo seu representante em Cortes, porém ele não aceitou. Era cavaleiro da ordem da Torre e Espada, agraciado por decreto do 1º de março de 1839. Aceitou esta mercê porque entendia que a merecera como soldado, mas depois dessa data rejeitou sempre todas as honras, recusando a comenda da mesma ordem do próprio soberano, el-rei D. Pedro V, que o procurou um dia para lhe oferecer os arminhos de par em 1861, e a grã-cruz da ordem reformada de S. Tiago em 1862. O motivo destas renúncias está exposto numa carta que publicou em 7 de dezembro de 1862 no Jornal do Commercio. Apenas aceitou a eleição, por um dos círculos do Porto, para deputado em 1840, e a de vereador, e depois a de presidente da câmara de Belém, em 1852.


Enquanto viveu na sua casa da Ajuda, recebeu todos os sábados a visita de muitos dos seus amigos, na maior parte escritores e poetas distintos, que o respeitavam como mestre, e com quem discutia política e literatura. Os últimos anos da sua vida foram quase dedicados aos trabalhos agrícolas, prestando assim grandes serviços à agricultura. Poucas vezes veio à Lisboa, e a ultima vez foi no 1º de setembro de 1877 para visitar o imperador do Brasil, retirando-se para Vale de Lobos já bastante doente, falecendo no dia 13. O seu cadáver ficou depositado na igreja da Azóia, em Santarém, no jazigo do general Gorjão, e no dia 15 realizaram-se exéquias solenes, para as quais veio muita gente de Lisboa, representantes de toda a imprensa periódica, de corporações, da Academia Real das Ciências, deputados, ministros, etc. Suas Majestades, El Rei D. Luís e Senhora D. Maria Pia, também se fizeram representar. Sobre o féretro foi colocada uma coroa em nome da imprensa periódica, onde se leu a seguinte dedicatória: A Alexandre Herculano, a imprensa, 15/9/77. As repartições e uma grande parte dos estabelecimentos de Santarém, conservaram-se fechados no dia do funeral, em sinal de sentimento. Em 27 de junho de 1888 foram solenemente trasladados os seus restos mortais para a igreja dos Jerônimos em Belém.


Alexandre Herculano casou no primeiro de maio de 1867 com D. Mariana Hermínia de Meira. Era também sócio da Academia Real das Ciências de Turim, da Real Academia de História de Madrid, da Real Academia de Ciências da Baviera, membro do Instituto histórico de França e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro.


Fonte: www.passeiweb.com


Alexandre Herculano


Alexandre Herculano
Alexandre Herculano


(1810 – 1877)


O escritor e historiador Alexandre Herculano envolveu-se nas lutas liberais e, por isso, foi mandado para o exílio na França em 1831. No ano seguinte partiu para a Inglaterra e regressou a Portugal integrando o exército de D. Pedro no cerco à cidade do Porto.


Em 1833 assumiu as funções de segundo bibliotecário na Biblioteca Pública do Porto. Em 1836 foi para Lisboa e passou a dirigir a revista “O Panorama”, principal veículo de divulgação do Romantismo em Portugal. Ainda nesse ano, publicou “A Voz do Profeta”.


Em 1839 assumiu a função de diretor da Real Biblioteca da Ajuda. Entre 1850 e 1860, exerceu grande atividade jornalística e política e, a partir de 1867, foi para a Quinta de Vale de Lobos (Santarém), onde dedicou-se quase que exclusivamente às suas propriedades.


A sua obra literária é muito extensa. Como historiador destacam-se “A História de Portugal” (1853) e a “História e Origem da Inquisição em Portugal” (1859). Ele escreveu ainda contos e novelas que foram reunidos na obra “Lendas e Narrativas (1851).


Entre nós, brasileiros, Alexandre Herculano ficou mais conhecido por suas narrativas históricas, dentre as quais destacam-se “O Monge de Cister” (1841), “O Bobo” (1843) e “Eurico, O Presbítero” (1844), esta considerada a sua obra prima.


 


Alexandre Herculano


Alexandre Herculano de Carvalho Araújo nasceu em Lisboa, a 28 de Março de 1810, no seio de uma família da classe média. O pai, Teodoro Cândido de Araújo, era recebedor da Junta dos Juros. A mãe chamava-se Maria do Carmo de S. Boaventura.


Entre 1820 e 1825 frequentou o colégio dos Oratorianos, mas não chegou a entrar na Universidade, porque em 1827 o pai cegou e teve que abandonar o lugar que ocupava. Pela mesma altura, o avô materno, mestre de obras a trabalhar no palácio da Ajuda, deixou de receber as importâncias de que era credor e não lhe pôde dispensar o apoio necessário.


Fechada essa porta, matriculou-se na Aula de Comércio, em 1830, e frequentou um Curso de Diplomática (estudos de paleografia). Particularmente, estudou também francês, inglês e alemão. Embora o seu conhecimento destas duas últimas línguas não fosse profundo, serviu-lhe pelo menos para avivar a sua receptividade à literatura coeva desses países, o que não era muito frequente em Portugal. Foi nesta altura que começou a familiarizar-se com a literatura romântica da Europa, por influência da Marquesa de Alorna, cujos serões literários frequentou.


Herculano perfilhou sempre uma ideologia conservadora, mas não parece haver razões para seguir a opinião expressa por Teófilo Braga, que afirma ter sido na juventude um miguelista convicto. A verdade é que, em Agosto de 1831, aparece-nos comprometido com uma malograda revolta militar de cariz liberal que o obrigou a procurar refúgio num navio francês, surto no Tejo. Daí saiu para o exílio em Inglaterra e França: primeiro Plymouth, depois Jersey, a seguir Saint Malo e finalmente Rennes. No fundo um percurso semelhante ao de Garrett e outros activistas liberais. Foi exactamente em Rennes que Herculano teve oportunidade de frequentar a biblioteca pública da cidade. Pôde então familiarizar-se melhor com as obras de Thierry, Vítor Hugo e Lamennais.


Tal como Almeida Garrett e outros jovens exilados alistou-se no exército liberal que, no início de 1832, se dirigiu aos Açores e depois ao Porto. Participou no cerco da cidade e destacou-se em várias missões de reconhecimento na região minhota.


Nesta cidade, foi nomeado em 22 de Fevereiro de 1833 para coadjuvar o director da Biblioteca Pública, organizada a partir do acervo da livraria do bispo. Exerceu o cargo até Setembro de 1836, quando pediu a exoneração, por discordar do juramento de fidelidade à Constituição de 1822, que lhe era exigido. Na carta de demissão declara-se fiel à Carta Constitucional. Coerente com as suas convicções políticas, opõe-se ao Setembrismo, que daqui em diante irá combater. Voltou a Lisboa para, através do jornalismo, combater os adversários políticos. É então que publica A Voz do Profeta (1836).


Torna-se redactor principal de O Panorama , editado pela Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, que era então o principal instrumento de divulgação da estética romântica, em Portugal. Foi aí que publicou vários dos seus estudos de natureza histórica e muitas das suas obras literárias, mais tarde editadas em livro: A Abóbada , Mestre Gil , O Pároco de Aldeia , O Bobo e O Monge de Cister .


Ainda nesse ano de 1837 assumiu a responsabilidade da redacção do Diário do Governo , que nesse tempo era apenas um jornal de suporte ao partido no poder. No entanto, pouco tempo depois abandonou o lugar. No ano seguinte publicou A Harpa do Crente .


Em 1839 foi nomeado, por iniciativa do rei D. Fernando, para dirigir a Real Biblioteca da Ajuda e das Necessidades, tendo conservado esse cargo quase até ao fim da vida.


Em 1840 chegou a passar pelo Parlamento, eleito pelo círculo do Porto, como deputado do Partido Cartista (conservador), mas o seu temperamento adequava-se mal à actividade política. As manobras partidárias enojavam-no e sentia dificuldade em falar em público.


A pouco e pouco foi-se afastando da actividade política e dedicando o seu tempo à literatura. Os anos seguintes são de grande produtividade literária. São desta época os seus romances de ambiente histórico. É também na década de 40 que inicia a publicação da sua História de Portugal , seguramente a primeira escrita com preocupação de rigor científico. Aliás, o primeiro volume suscitou de imediato violenta reacção por parte de alguns sectores do clero, por excluir, naturalmente, qualquer intervenção sobrenatural na batalha de Ourique. A polémica sobre esta questão ficou famosa. Note-se que Herculano era católico e politicamente conservador, mas opunha-se à interferência da igreja na vida política nacional. Esse confronto com sectores clericais está também na origem dos seus estudos sobre a Inquisição em Portugal.


Em 1851, voltou por algum tempo à política activa, com o triunfo da Regeneração, chegando a colaborar com o governo, embora por pouco tempo. Mais prolongada foi a sua intervenção cívica através da imprensa. Em 1851 fundou o jornal O País e dois anos depois O Português .


Sócio correspondente da Academia Real das Ciências desde 1844, em 1852 foi admitido como sócio efectivo e eleito vice-presidente em 1855. Em 1853, por encargo da Academia, percorreu o país, inventariando os documentos existentes nos arquivos episcopais e nos mosteiros, preparando aquilo que viria a constituir os Portugaliae Monumenta Historica . Pôde então verificar o estado de abandono a que estava votado a maior parte do acervo documental espalhado pelo país.


Em Março de 1856 Herculano renunciou ao seu lugar na Academia e decidiu abandonar os estudos de natureza histórica. Na origem dessa decisão parece estar o facto de ter sido nomeado guarda-mor da Torre do Tombo Joaquim José da Costa Macedo, com quem ele teria tido desinteligências sérias. Essa pausa foi interrompida no ano seguinte, por entretanto se ter aposentado o referido indivíduo. Pôde assim continuar o trabalho de organização e publicação dos Portugaliae Monumenta Historica .


Herculano participou nos trabalhos de redacção do Código Civil, tendo nessa altura defendido o casamento civil a par do religioso. A proposta era inovadora e suscitou forte reacção. Dessa polémica surgiram os Estudos sobre o Casamento Civil .


Juntamente com Almeida Garrett , é considerado o introdutor do romantismo em Portugal. Os seus primeiros contactos com a literatura ocorreram em ambiente pré-romântico, nos salões da Marquesa de Alorna, onde entrou por mão de António Feliciano de Castilho . Embora Garrett , onze anos mais velho, se tenha adiantado com a publicação no exílio de Camões e D. Branca , consideradas as primeiras obras inequivocamente românticas, podemos considerar Herculano como o teorizador da nova corrente literária, ao nível interno, pelos artigos que publicou no Repositório Literário do Porto. Por outro lado foi ele que introduziu no nosso país o romance histórico, tão característico do romantismo. A inspiração directa veio-lhe naturalmente de Walter Scott e Victor Hugo.


Os seus méritos de cidadão, escritor e estudioso eram reconhecidos quase unanimemente e foram muitas as honrarias que lhe foram oferecidas. Aceitou algumas de natureza científica, mas as distinções honoríficas recusou-as sempre. Recusou mesmo a sua nobilitação, ao contrário de Garrett e Camilo , que, como sabemos, morreram viscondes.


Em 1866 casou e, pouco depois, retirou-se para a sua quinta de Vale de Lobos, próximo de Santarém. Aí permaneceu até ao fim da vida, ocupado com os seus escritos literários e as lides agrícolas. Foi aí que morreu, a 13 de Setembro de 1877.


Bibliografia


A Voz do Profeta (poesia) – 1836


A Harpa do Crente (poesia) – 1838


O Fronteiro de África (teatro) – 1838


Os Infantes em Ceuta (teatro) – 1842


O Bobo (romance histórico) – 1843


Apontamentos para a História dos Bens da Coroa e Forais – 1843/44


Eurico, o Presbítero (romance histórico) – 1844


História de Portugal (4 vols) -1846/1853


O Monge de Cister (romance histórico) – 1848


Poesias – 1850


Lendas e narrativas (novelas) – 1851


História da Origens e Estabelecimento da Inquisição em Portugal – 1854/1859


Estudos sobre o Casamento Civil – 1866


Portugaliae Monumenta Historica – 1856/1873


Opúsculos (10 vols) – 1873…


Fonte: http://pwp.netcabo.pt


Alexandre Herculano



Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (1810-1877) nasceu em Lisboa. Devido ao seu envolvimento na «Revolta do 4 de Infantaria», é obrigado a emigrar para Inglaterra. Lê Walter Scott. Inicia a sua colaboração no Repositório Literário. Integra-se no exército liberal de D. Pedro IV, desembarca no Mindelo e participa no cerco do Porto. Ajuda a organizar a Biblioteca Pública do Porto. Em 1839 é nomeado director das bibliotecas reais das Necessidades e da Ajuda. Entretanto vai publicando algumas obras: A Harpa do Crente (1837), Lendas e Narrativas (2 volumes, 1839-1844), Eurico, o Presbítero (1844), o primeiro volume da História de Portugal (1846), O Monge de Cister (1848), etc. As suas obras são de cunho romântico e vão desde a poesia ao drama e ao romance. Foi, além de um dos mais importantes escritores portugueses do século XIX, o renovador do estudo da história de Portugal.


Fonte: web.ipn.pt


Alexandre Herculano


Alexandre Herculano
Alexandre Herculano


Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (Lisboa, 28 de Março de 1810 — Santarém, 13 de Setembro de 1877) foi um escritor da era do romantismo, um historiador, um jornalista, e um poeta português.


Biografia de Alexandre Herculano


Alexandre Herculano nasceu em 1810 em Lisboa, de família modesta, não pôde fazer estudos universitários, então contornou como autodidata. Aos 21 anos interrompeu a suas atividades para envolver-se na revolta militar, horrorizado pelos absolutistas. Exilou-se em Agosto 1831, fugindo da perseguição dos absolutistas. No ano seguinte participou na expedição liberalista à Ilha Terceira como voluntário, e foi um dos 7500 homens de D. Pedro IV a desembarcar no Mindelo para a ocupação do Porto (juntamente com Garrett).


Durante sete anos, foi diretor da Panorama, revista de caráter artístico e científico na qual publicou varias de suas obras. Dedicou-se seriamente à atividade de historiador, pesquisando e coletando documentos por todo o país. Teceu conflitos ideológicos com o clero porque se negou a admitir como verdade histórica o chamado “Milagre de Ourique” – segundo o qual Cristo aparecera ao rei Afonso Henriques naquela batalha. Sua desilusão com a vida pública foi aumentando gradualmente, o que o fez recusar títulos e nomeações e ocupar-se da agricultura em sua propriedade em Vale de Lobos, próximo a Santarém. Mesmo retirado, gozou de grande prestigio até o fim da vida.


Estudou Latim, Lógica e Retórica no Palácio das Necessidades e, mais tarde, na Academia da Marinha Real, estudou matemática com a intenção de seguir uma carreira comercial. Descontente com o governo de Miguel I de Portugal, exilou-se na França, onde escreveu os seus melhores poemas. Voltou a Portugal, em 1832, continuou a fazer poesia, como A Voz do Profeta em 1836 e A Harpa do Crente em 1838. No jornal Panorama por volta de 1840; publicou obras de ficção, como Eurico, o Presbítero de 1844, e ganhou fama como historiador; publicou a História de Portugal, em quatro volumes, e História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal.


Herculano foi o responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal.


Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio social.


Morreu na sua quinta de Vale de Lobos (Santarém) a 13 de Setembro de 1877.


A obra


Herculano deixou ensaios sobre diversas questões polêmicas da época, que se somam à sua intensa atividade jornalística. A parte mais significativa da obra literária de Herculano se concentra em seis textos em prosa, dedicados principalmente ao gênero conhecido como narrativa histórica. Esse tipo de narrativa combina a erudição do historiador, necessária para a minuciosa reconstituição de ambientes e costumes de épocas passadas, com a imaginação do literato, que cria ou amplia tramas para compor seus enredos. Dessa forma, o autor situa ação num tempo passado, procurando reconstituir uma época. Para isso, contribuem descrições pormenorizadas de quadros antigos, como festas religiosas, indumentárias, ambientes e aposentos, topografias de cidades. São frequentes as intervenções do narrador, que tece comentários filosóficos, sociais ou políticos, muitas vezes relacionando o passado narrado com o quotidiano do século XIX. A narrativa de caráter histórico foi desenvolvida inicialmente por Walter Scott (1771-1832), poeta e novelista escocês que escreveu A Balada do Último Menestrel e Ivanhoé,entre outros trabalhos. Também o francês Vitor Hugo (1802-1885) serviu de modelo a Herculano: Hugo escreveu o romance histórico Nossa Senhora de Paris, em que surge Quasímodo, o famoso “Corcunda de Notre-Dame”. A partir desses modelos, desenvolveu-se a narrativa histórica de Herculano, que pode ser considerada o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficçao moderna em Portugal.


As Lendas e Narrativas são formadas por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas. Herculano abordou vários períodos da historia da Península Ibérica. É evidente a preferência do autor pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.


O trabalho literário de Herculano foi, juntamente com as Viagens na Minha Terra, de Garrett, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. Assim, a partir disto, as narrativas históricas foram gradativamente enfocando épocas cada vez mais próximas do século XIX

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Biografia alexandre herculano

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