Cantores brasileiros biafra

Em 1970, enquanto o Brasil ainda comemorava o tricampeonato mundial de futebol, surgia na cidade de Niterói (Rio de Janeiro) a banda O Circo, que lançou Biafra como vocalista. Seus maiores sucessos, “Leão Ferido” (incluído no álbum Despertar1981) e “Sonho de Ícaro” (incluído no álbum Existe Uma Idéia1984), lhe renderam dois Discos de Ouro. Compositor de muitos temas de novelas, lançou 14 álbuns, que venderam mais de meio milhão de cópias.


Suas músicas também foram gravadas pelos maiores ídolos da MPB. Em 1998, antes do lançamento do album Ícaro, trocou o “i” pelo “y” em seu nome artístico (de Biafra para Byafra) para evitar aparecer na mesma página da guerra civil nigeriana nos sites de busca da internet. Atualmente ainda mora em sua cidade natal.


sobrado da Rua Raul Pompéia, 37, em Niterói – RJ, estremecia com as pancadas dos pedaços de cabo de vassoura sobre as latas de tinta vazias. No comando da percussão, Byafra, que naquela época, aos 12 anos de idade, era apenas Maurício, filho caçula de uma família de três irmãos. No segundo andar, sua avó, Dona Aura, tentava em vão dormir um pouco depois do almoço. Impossível: o ruído invadia o quarto apesar das portas e janelas fechadas. O pior é que essa cena se repetia todos os dias.


Mulher inteligente e de grande vocação diplomática, Dona Aura percebeu que o problema não se resolveria com uma simples bronca no neto ou com meia dúzia de gritos. Num belo dia, a senhora entra na garagem e interrompe o solo de percussão com um presente: uma bela flauta doce, acompanhada de um certificado de inscrição num curso de música, para aprender o instrumento. A única coisa que Dona Aura não sabia, é que além de resolver o seu problema, também estava proporcionando o início da carreira de um dos mais queridos artistas da música popular romântica do Brasil.


No dia em que Byafra nasceu, os americanos perdiam o sono com o Sputnik (primeiro satélite feito pelo homem) lançado 11 dias antes pelos soviéticos e que sobrevoava Nova York seis vezes por dia. Três meses depois do nascimento do cantor, o clube que viria a ser uma de suas grandes paixões, o Botafogo, comemorava um dos maiores campeonatos de sua história, após golear o Fluminense na final por 6X2. No Planalto Central, o presidente Juscelino Kubitschek acelerava seus candangos para inaugurar Brasília dentro do prazo.


No mundo da música, Elvis Presley dava as cartas no cenário internacional e no Brasil, a Bossa Nova ainda engatinhava. Os fenômenos que iriam forjar a personalidade musical de Byafra ainda estavam em gestação. A salada formada por Beatles, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Pink Floyd, Fagner e Novos Baianos – algumas de suas principais influências – estava apenas sendo preparada para entrar no cardápio dos anos 60.


Desde que recebeu a flauta das mãos da Dona Aura, Byafra passou a se alimentar de música todos os dias. A vontade de cantar o levou ao Coral do Centro Educacional de Niterói, comandado pelo Maestro Hermano Soares de Sá. Logo, estaria embarcando com seus colegas de Coro para várias apresentações incluindo uma participação internacional no Festival de Aberdeen, na Escócia, para cantar peças de Villa-Lobos. Foi nessa época, por ser muito magro, que recebeu dos colegas de escola o apelido que viria a adotar como nome artístico


Na metade dos anos 70, a carreira musical já era seu principal projeto de vida. E foi nessa época que nasceu O Circo, banda que teve rápido sucesso em apresentações em Niterói e no interior do Estado do Rio. Como principal vocalista do grupo, Byafra começou a ganhar intimidade com os palcos. E foi acompanhado por seus colegas de O Circo, que Byafra entrou pela primeira vez no velho estúdio da CBS (hoje Sony Music), na Praça da República, centro do Rio de Janeiro, para gravar seu primeiro álbum, na época editado em LP e cassete.


Lançado em 1979, “Primeira Nuvem” foi rapidamente adotado pelas rádios de todo o Brasil. Uma das canções, composta pelo próprio Byafra e por Luiz Eduardo Farah, transformou-se em grande sucesso: “Helena”. Poucas semanas depois de introduzida nas rádios, essa faixa ganhou popularidade ainda maior ao ser incluída na trilha sonora da novela Marron Glacê, da Rede Globo. Esta mesma emissora iria, ao longo dos anos, solicitar mais sete músicas de Byafra para suas novelas (ver lista abaixo), identificando suas canções com vários personagens famosos.


Já em seu terceiro álbum – “Despertar” (1981) Byafra recebe seu primeiro Disco de Ouro ao superar 100 mil cópias vendidas, impulsionada pelo impressionante sucesso rediofônico de “Leão Ferido” (Byafra e Dalto), música mais executada pelas emissoras brasileiras no ano de seu lançamento e que mais tarde receberia novas interpretações de artistas como Simone.


Em 1984, mais um Disco de Ouro em seu álbum de estréia na gravadora Ariola, hoje com seu catálogo incorporado à Universal. Dessa vez, a música que explodiu nas paradas de todo o Brasil, foi “Sonho de Ícaro” (Piska e Cláudio Rabello).


Desde esse início vitorioso até hoje, Byafra jamais deixou de ter suas canções cantadas e lembradas por fãs de todas as gerações. São ao todo 12 álbuns inéditos e duas compilações que compõem um capítulo importante da Música Popular Brasileira. Como compositor Byafra registrou sua obra na voz de grandes artistas como Roberto Carlos, Ney Matogrosso, Simone, Chitãozinho & Xororó, Chrystian & Ralf, Rosana, Xuxa, Angélica, Danilo Caymmi e muitos outros.



[editar] Músicas de Byafra incluídas em telenovelas




[editar] Discografia



[editar] Álbuns



  • Primeira Nuvem (Sony Music) – 1979
  • Biafra (Sony Music) – 1980 – incluindo “Uma Vez e Nunca Mais” – Produzido por Aloysio Reis
  • Despertar (Sony Music) – 1981
  • Menino (Sony Music) – 1982
  • Existe Uma Idéia (Universal) – 1984
  • O Sonho Deve Ser (Universal) – 1985
  • Toque (Universal) – 1986
  • Biafra (Arca) – 1987 – “Estrelas no Ar”, “Não Mais” e “Até o Fim”
  • Biafra (Esfinge) – 1989 – incluindo “Na Hora H” e “Bye Bye”
  • Minha Vida de Artista (Sony Music) – 1991 – incluindo “Machuca e Faz Feliz” – Produzido por Roberto Menescal
  • Mi Vida de Artista – Biafra en Español – (Sony Music) – 1992 – com a mesma base instrumental e repertório do album anterior, versionado para o espanhol por Hélcio do Carmo
  • Infinito Amor (Continental) – 1994 – incluindo “Perdões” e “Menina Bonita” – Produzido por Julinho Teixeira
  • Ícaro (Indie) – 1998 – incluindo “Rua Ramalhete” e “Moldura” – Produzido por Julinho Teixeira
  • Segundas Intenções (Green Songs) – incluindo “Jardim” e “Flash Back” – Produzido por Aloysio Reis


[editar] Compilações:



  • Biafra (Universal) – 1994
  • Biafra – Série Brilhante (Sony Music) – 1998

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