Colite ulcerosa ou colite ulcerativa

Epidemiologia

Afecta principalmente individuos com 15-30 anos e depois com 60-80 anos, mais as mulheres que os homens. A incidência é de 100 casos por 100.000 pessoas, sendo mais frequente nos Ocidentais que nos Orientais, onde a incidência tem crescido nos últimos anos. A incidência em algumas etnias judáicas mostra-se muito superior às outras.

] Etiologia

Não tem uma causa conhecida (idiopática), mas existem estudos que apontam para uma componente genética quanto à susceptibilidade para o desenvolvimento da doença.

A teoria mais provavel será a de infecção por um microbio pouco patogénico que estimula uma resposta imunitária que fica descontrolada em alguns individuos com determinados genes do sistema MHC de reconhecimento de antigénios estranhos. Mesmo após eliminação do invasor, a resposta imunitária permanece e se exacerba particularmente em períodos de stress.

Recentemente[1], uma equipe de médicos do Canadá e E.U.A. descreveu que mutações no gene IL23R, do cromossomo 1p31 (que codifica uma subunidade do receptor para a interleucina 23) estariam associadas a risco aumentado ou reduzido de desenvolver uma doença inflamatória intestinal. O achado suporta a hipótese de que a DII teria uma base genética para a sua etiologia e indica novas linhas de pesquisa em busca de tratamentos mais eficazes.

Complicações e Sintomas

A doença cursa com inflamação destrutiva de toda a parede do colon e recto, de forma contínua (diferentemente da doença de Crohn). Inicialmente limita-se à mucosa, mas depois surgem múltiplas pequenas úlceras na parede intestinal, devido à inflamação profunda.

A destruição da parede e das vilosidades gera uma diarreia de má-absorção, por vezes com sangue ou muco, e acompanhada de febre e dores abdominais, e por vezes vómitos e náuseas. É comum o tenesmo, ou sensação de que o recto ainda tem fezes mesmo após a evacuação estar completa. Os periodos sintomáticos alternam com períodos alargados sem qualquer sintoma. Muitos indivíduos apresentam progressão lenta e lesões mínimas, outros rápida ou mesmo fulminante com problemas agudos possiveis adicionais como desidratação e anemia. Num terço dos casos todo o colon está afectado, nos restantes algumas áreas são poupadas.

São ainda frequentes as fissuras anais (15% dos casos) ou abcessos rectais.

A doença assume cronicidade, e a longo prazo podem surgir problemas como desnutrição, perda de peso, Megacolon tóxico (devido à destruição dos nervos subjacentes à mucosa) com ileus; perfuração do colon com peritonite. O risco de cancro do cólon é muito aumentado: 30% desenvolvem carcinomas após várias décadas, mas se detectados precocemente podem ser removidos sem sequelas.

Raramente podem surgir complicações extra-intestinais tais como: eritemas cutâneos, artralgias, artrites, lesões hepáticas ou pancreáticas, e outras.

Diagnóstico

O diagnóstico definitivo é feito por estudos imagiológicos como colonoscopia ou estudos com contraste radiográficos (particularmente com sulfato de bário), que auxilia na diferenciação da doença de Crohn. A biópsia do colon pode ser útil.

É importante eliminar a possibilidade de parasita intestinal ou gastroenterite, além da distinção importante com a semelhante doença de Crohn.

Tratamento

Se necessita de ajuda, por favor consulte um profissional de saúde.

Não há cura, mas o tratamento minimiza os problemas e evita complicações graves. São dados fármacos antidiarréicos e outros para alivio sintomático. O uso de aminosalicilatos (antinflamatórios semelhantes aos AINEs) diminui as lesões inflamatórias, assim como corticosteróides. Em casos graves é removido cirurgicamente o cólon. Mesmo em casos moderados é necessária a vigilância anual por colonoscopia de possiveis tumores, devido ao risco de cancro muito aumentado.

A manutenção de dieta rigorosa, pobre em lipídeos, fibras longas e substâncias irritantes do cólon pode auxiliar na remissão.

Um outro tipo de tratamento é a aferese. Este tratamento consiste na auto-transfusão de sangue que passa por uma coluna filtrante, como a Adacolumn ou Cellsorba, que utilizam GCAP ou LCAP.

Prognóstico

A mortalidade é baixa (5% após 10 anos de doença) se o doente é acompanhado e tratado. Cerca de 25% sofrem ataques severos com necessidade de colectomia nos primeiros anos.

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