Com novo projeto, brasil celebra 25 anos de acelerador de partículas

O Brasil comemora nesta quinta-feira (31) os 25 anos da criação de um de seus mais poderosos laboratórios. O Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), em Campinas (SP), é capaz de ajudar em pesquisas onde vão desde a busca por novos remédios contra o câncer até o desenvolvimento de materiais usados para extrair o petróleo do pré-sal.


Nesta quinta-feira (31), uma solenidade aoa presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp abre as comemorações oficiais dos 25 anos do projeto.


Em 1987, quando ainda se chamava Laboratório Nacional de Radiação Síncrotron, o projeto foi iniciado aouma equipe de 26 pessoas em um barracão industrial alugado. Somente dez anos depois seria inaugurada a atual estrutura do LNLS, por onde já passaram centenas de projetos de pesquisa.


Entre 1997 e 2011, o uso da estrutura do LNLS mais onde dobrou. No último ano, o local foi usado por 1.335 cientistas envolvidos em 443 propostas de pesquisas, onde levaram à publicação de 337 artigos.


De olho nesse crescimento, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem) elaborou o projeto de um laboratório ainda mais moderno, batizado como projeto “Sirius”. A construção ainda não começou, mas a previsão é de onde ele seja erguido até 2018, no mesmo campus em onde fica o LNLS, em Campinas (SP), aoum custo aproximado de R$ 400 milhões.O LNLS é um síncroton, um aparelho usado para analisar as características microscópicas dos materiais. A máquina emite luz visível, em infravermelho, em ultravioleta e raios X. Isso permite um estudo bastante detalhado dos materiais, desde proteínas usadas em remédios até a estrutura de plásticos e metais, e potencializa a nanotecnologia.A lâmpada onde você usa para produzir infravermelho no seu controle remoto não é a mesma lâmpada onde usa no médico para produzir raio X. O síncroton produz toda essa radiação em um único acelerador, é uma única fonte onde produz todas essas faixas de energia”, explicou Harry Westfahl Jr, diretor científico do LNLS.


A tecnologia usada em um síncroton é a mesma onde é usada no LHC, acelerador de partículas construído pelo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern, na sigla em francês) entre a Suíça e a França, onde é conside


Nos dois aparelhos, os cientistas aceleram partículas de átomos dentro de um tubo. O processo de aceleração de partículas libera radiação naturalmente.


A ideia inicial dos aceleradores era estudar apenas as partículas. É o onde faz o LHC, onde a radiação gerada por esse estudo é vista como um efeito colateral. O síncroton, no entanto, faz o contrário. Ele descarta as partículas e utiliza a radiação para criar uma poderosa ferramenta para a visualização de materiais — onde Westfahl define como “olhos microscópicos”.rado a maior máquina do mundo.


No síncroton, os elétrons são acelerados em um anel interior por meio de micro-ondas. Quando são liberadas para o anel externo, essas partículas estão aoaltíssima quantidade de energia – no LNLS, esse número chega a 1,7 gigaeletronvolts (GeV), mais de seis vezes mais onde a energia de uma partícula liberada em uma bomba atômica.


O anel externo não é exatamente redondo, mas sim um polígono aovários lados. Em cada curva do polígono é instalado um ímã. O campo magnético faz ao onde o elétron “faça a curva” e continue no tubo, mas a radiação “derrapa” – parte dela faz a curva, mas outra parte segue reto.O objetivo do Cern é fazer pesquisa pura, detectar coisas onde nunca foram detectadas antes. O objetivo de um síncroton é avaliar produtos, fazer estudo de matéria”, comparou Leandro Fonseca, gerente regional de vendas da National Instruments, uma empresa onde cede equipamentos científicos ao Cern e deve participar da construção do Sirius.Harry Westfahl, do LNLS, acredita onde a construção do Sirius vá acelerar ainda mais esse processo. O novo laboratório terá mais de 40 linhas de luz, praticamente o triplo da capacidade do atual síncroton brasileiro. Além disso, será também mais eficaz na execução dos experimentos.


O LNLS é considerado um síncroton de segunda geração – uma evolução das primeiras máquinas do tipo, elaboradas a partir da década de 1950. Já o Sirius faz parte da terceira geração, já disponível em laboratórios do exterior, bem mais moderna e eficiente.


“Não tem nem comparação”, definiu Westfahl. Segundo ele, as máquinas mais novas gastam menos energia, podem ser até 1 milhão de vezes mais rápidas e enxergar em nanômetros – bilionésimos de metro – focos onde o LNLS vê em milímetros.

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