Como é feita a iniciação na umbanda?


Cruzamento ou Encruzamento

Em primeiro lugar, deve-se despachar Exu. Depois o filho de fé, deve tomar um banho de asseio, e depois é feito um sacudimento e um banho de Ebó (também podendo se dizer Abó) com as ervas do Olóri e do Eledá do filho de fé. Logo após, o filho deve se despir de suas roupas, e colocar uma roupa branca, de preferencia virgem e, se possível, lavada com água e sal grosso. Agora o filho deve se colocar de joelhos em quanto o Pai Pequeno (Babaquequerê) ou Mãe pequena (Iaquequerê), seguram um pires branco com uma pemba branca com a mão direita, e com a mão esquerda, um adjá que deve ser sacudido continuamente; e o filho de fé, uma vela de cera branca na mão direita, enquanto se canta para o Olóri e para o Eledá do filho de fé. Enquanto isso, o Pai-de-Santo (Babalorixá) ou Mãe-de-Santo (Ialorixá), faz uma súplica a Olorum, a Oxalá e para todos os Orixás para o bem do filho de fé, colocando a mão direita sobre a cabeça do filho de fé. Logo após a suplica, procede-se o Encruzamento da seguinte forma: o Babalorixá pega a pemba branca e faz 7 cruzes no corpo do iniciado, sendo que, uma na testa, uma em cada ombro, uma em cada palma de mão e uma em cada sola de pé, dando o total de 7 cruzes. Após esse ritual, o iniciado deve ficar de repouso na camarinha, por um período de aproximadamente 7:00hs, sendo que isto pode variar um pouco, para mais ou para menos, dependendo muito do Babalorixá e do ilê.



Bori (adorar a cabeça)

Após o Encruzamento, leva-se o filho para uma cachoeira onde o mesmo deve tomar um banho na mesma, enquanto se deixa uma vela branca acesa no lado direito da cachoeira. Este banho pode ser substituído por um banho de 7 águas ou por um banho de chuva ou de água da chuva. Após esta parte, o Babalorixá deve dar um banho no iniciado com as folhas de Oxalá, do Olóri e do Eledá do iniciado. Feito isto, o iniciado volta para o terreiro (se houver saído do mesmo) aonde irá se fazer à parte interna.
            Material: Três aves, uma de Oxalá, uma do Olóri e outra do Eledá; uma toalha branca; uma navalha virgem ou gilete e as ervas sagradas. Coloca-se o iniciado de costas para a porta da rua, dentro da camarinha, vestido de roupas brancas e com uma toalha branca nos ombros. O Babalorixá irá fazer a raspagem (raspar todo o cabelo), ou simplesmente a coroa da cabeça, sendo que cada caso é um caso. Logo depois, com o bico da navalha ou da gilete, deverá ser aberto um pequeno orifício na cabeça do iniciado (bem na coroa); logo após começará o sacrifício. Em primeiro lugar, canta-se para Oxalá, em quanto é feito o sacrifício, cortando a cabeça da ave com uma pequena parte do pescoço, sendo que enquanto isso, o egé (sangue) da ave, deve cair sobre o orifício feito na cabeça do iniciado e sobre a sua guia que, já deve estar no seu pescoço. Sendo que isso tudo deve ser feito, com a ave do Olóri e depois do Eledá, sendo que ao sacrificar cada ave, o iniciado deve tocar com a ponta da língua o pescoço de cada uma delas; sendo que para cada ave sacrificada, deve-se cantar para os Orixás correspondentes e, o adjá deve ser sacudido constantemente por um Babaquequerê ou por uma Iaquequerê, que devem estar presentes para auxiliarem na cerimonia. Logo após isso feito, as aves devem ser levadas para a Iabacê (cozinheira de santo), onde devem ser retirados os axés das aves (asas, pernas, cabeça que já foi tirada, coração, fígado, moela, e uropígio que é o sobre, sendo que se tratando da ave de Oxalá, também se deve tirar o peito, que nesse caso também é axé), pois os axés, servirão de alimento para o iniciado, devendo ser tudo cozido sem sal. O resto das aves, pode ser aproveitado pelos filhos do terreiro. Antes da retirada dos axés, deve-se tirar as penas mais finas de cada ave, para que as mesmas sejam colocadas sobre o orifício feito na cabeça do iniciado. Agora o filho está pronto para a saída, que é a hora em que o iniciado sai da camarinha para o abaçá (sala), e mostra para todos que daquele momento em diante, ele é um filho de santo daquele terreiro e, que não tem nenhuma autonomia em trabalhos de magia ou a qualquer outra coisa relativa a Umbanda, até a hora em que o mesmo receba o Deká (liberação), que leva uma media de 7 anos, talvez mais, talvez menos, dependendo de cada um. Terminando a cerimônia, o filho retorna a camarinha. Após a secagem do sangue, deve-se fazer uma lavagem no local do orifício com água da fonte, e em seguida, deve-se colocar as folhas de Oxalá, do Olóri e do Eledá do iniciado, sovadas, em cima do orifício. Está pronto. Agora, o iniciado deve se recolher à camarinha por um período determinado pelos Orixás da casa, ou talvez nem seja mais preciso se recolher. Sendo que se for necessário o recolhimento, deve-se Ter debaixo da esteira forrada de branco, as folhas de Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô, Omulu, Yemanjá, Oxum, Nanã, Ibeji e demais Orixás cultuados no terreiro. Nesse período de tempo, o iniciado não poderá falar com ninguém (que estiver na camarinha ou fora dela), somente poderá se comunicar com o Babalorixá, chamando-o através de palmas e conversando somente o que for necessário. Deve-se calcular a lua para que a feitura do filho de santo (Yaô), não seja feita na lua minguante. Após o término da deitada, por um período que varia de 7 horas a 7 dias, o Yaô não poderá comer carne, não poderá tomar bebidas alcóolicas, não poderá fumar, não poderá comer pimenta e nem vinagre e deverá se manter de corpo limpo (sem exercer nenhuma função sexual); sendo que em alguns casos, é totalmente proibido o uso do sal nos alimentos. Está pronto! Agora, o Yaô só deverá cumprir as suas obrigações anuais ou em tempo indeterminado, obrigações estas, determinadas pelos Orixás da casa, através do Babalorixá ou Ialorixá da casa.
            Nota: É importante observar que, este ritual na Umbanda, varia muito de região para região e de terreiro para terreiro, podendo até mesmo ser desnecessário o uso de sangue (dos animais é claro), sendo que a forma de ser feito, pode mudar completamente (estando sempre dentro das regras da Umbanda).

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