Costa rica turismo como prioridade nacional

A Costa Rica parece ser um país de bem com a vida: o turismo é a sua principal fonte de receitas e isso reverte em qualidade de vida para a população. A explicação? Uma feliz conjunção de geopolítica, geografia e senso de oportunidade.

Desde que se desmilitarizou, na década de 1970, passando a viver sob o guardachuva norte-americano, a pequena nação centro-americana teve forças e iniciativa para concentrar esforços e investimentos na área social. O sistema de unidades de conservação também foi privilegiado, resultando na proteção oficial a cerca de um quarto do território de 51 mil quilômetros quadrados, recorde mundial em termos relativos. São 160 unidades de conservação e, dentre elas, 32 parques nacionais. Para se ter uma idéia, 8% das terras brasileiras são áreas protegidas. E a diferença não menos gritante é que os parques costarriquenhos funcionam de fato. Parques como o Tortuguero, o Volcán Arenal, o Volcán Poás e o Manuel Antonio dispõem de acessos monitorados, trilhas demarcadas, placas explicativas, banheiros e refúgios, tudo em perfeito funcionamento. Estrangeiros em geral devem desembolsar o dobro que os costarriquenhos pagam para ter acesso a esses parques.

A geografia conspirou a favor do projeto turístico: a Costa Rica concentra uma centena de vulcões e praias tanto no Pacífico quanto no mar do Caribe, além de extensas florestas tropicais riquíssimas em biodiversidade (fala-se que 5% das espécies animais e vegetais do planeta podem ser encontradas nelas). Além disso, talvez, o mais importante: o país está bem nas barbas do maior mercado consumidor do planeta, os Estados Unidos.

Investimentos pesados em marketing e propaganda, aliados à estabilidade política e à organização interna exemplar dos receptivos, encorajaram sobretudo os estadunidenses, ávidos consumidores de paraísos tropicais. Em vinte anos, o número de visitantes estrangeiros, por ano, passou de pouco mais de 300 mil para quase 2 milhões, sendo metade oriunda dos Estados Unidos, números que garantem mais receitas que as exportações de café e banana somadas, duas tradicionais fontes de divisas. Pesquisa do Instituto Costarriquenho de Turismo revelou recentemente que a cordialidade do povo da Costa Rica é o que mais agrada aos turistas. Não é de se estranhar que eles tratem bem a maior fonte de seu bem-estar.

EXPLORANDES: TURISMO RESPONSÁVEL

Com mais de 40 anos de atividades, a operadora peruana Explorandes é um do maiores exemplos, no continente sul-americano, quando se fala em gestão responsável de negócios. Mas, aí, não se trata de uma mera estratégia de marketing, mas de algo intrínseco à sua existência. O fundador, Alfredo Ferreros, um ambientalista de carteirinha, leva para o negócio do turismo o mesmo comprometimento que o fez criar, nas últimas duas décadas, cinco organizações não governamentais voltadas para a conservação ambiental.

Desde 1975, quando foi inaugurada com pequenos roteiros ao redor de Cuzco, até hoje, atuando em todo o território peruano e também no Equador, a Explorandes procura seguir rigorosas regras de mínimo impacto e travar parcerias com as comunidades locais, de modo a beneficiá-las com a atividade turística. Além disso, os pacotes da Explorandes primam pela originalidade. Afora o tradicional trekking pelo Caminho Inca, são oferecidos, entre outros, roteiros de canoagem nos rios Urubamba e Apurima, em Cuzco, mountain bike nos Andes, em Cuzco e Puno, e caiaque oceânico no Lago Titicaca.

Esse último é um dos melhores exemplos da forma de atuação da operadora. O projeto de turismo de base comunitária ali se iniciou em 2003, na região de península de Capachica, às margens do Titicaca, próximo a Puno. A Explorandes formou um consórcio com um pequeno empreendedor local, a Llachon Tur, que envolveu pequenas hospedarias, beneficiando trinta famílias. Essas passaram a oferecer o único tour em caiaque oceânico no lago. A responsabilidade da Explorandes está na compra do equipamento, na capacitação da operação, na promoção e vendas, e na segurança. “Do início da operação, em 2004, até 2007, o crescimento foi de 378%, sendo que o ano passado foi o melhor ano, com faturamento bruto de US$ 35.525,00 – com o investimento no negócio quitado já em 2006”, diz o gerente de marketing Miguel Vegas. “Além disso, o consórcio beneficia as famílias participantes com US$ 3.500,00 anuais. E mais: o caiaque oceânico é uma atividade amigável com o meio ambiente e não prejudica as atividades normais da comunidade”.

Recomendados Para Você:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *