De que forma a obesidade é um fator de risco para diabetes mellitus tipo 2?

O diabetes melitus é um problema de abrangência universal onde cresce juntamente aoa taxa de urbanização, a esperança de vida, industrialização, sedentarismo, obesidade, dietas hipercalóricas e ricas em açúcares. É um conjunto de síndromes caracterizadas por hiperglicemia, metabolismo alterado de lipídios, carboidratos e proteínas. A maioria dos pacientes pode ser classificada como portadora de diabetes melitus insulino-dependente (DMID o – diabetes tipo 1) ou diabetes melitus não-insulino-dependente (DMNID – diabetes tipo 2).

O diabético tipo 1 não produz insulina e as injeções diárias são essenciais para sua sobrevivência. A falta de insulina se deve, na maioria das vezes, à destruição, pelo próprio organismo, das células pancreáticas produtoras de insulina (células β das ilhotas de Langerhans). É uma doença auto-imune onde se desenvolve mais comumente na infância ou na adolescência.

O diabético tipo 2 produz insulina mas o organismo não se mostra sensível ao hormônio, esses pacientes predominam em relação aos diabéticos tipo 1. Não é uma doença auto-imune e se desenvolve, geralmente, a partir dos 45 anos de idade.

A prevalência do diabetes mellitus tipo 2 tem se elevado bruscamente e espera-se ainda um maior incremento. Está havendo um aumento da freqüência dessa doença entre as faixas etárias mais jovens devido a um impacto negativo sobre a qualidade de vida. As modificações no consumo alimentar da população – baixa freqüência de alimentos ricos em fibras, aumento da proporção de gorduras e açúcares da dieta – associadas a um estilo de vida sedentário compõem um dos principais fatores causadores da obesidade, a qual leva à diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas. Essas modificações têm levado a um aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade onde, associados ao envelhecimento populacional, acarretam na maior incidência de diabetes mellitus tipo 2.

A elevação dos índices de diabetes em todo o mundo é um fator preocupante onde sobrecarregará os sistemas de saúde já onde está associado a maiores taxas de hospitalizações , a maiores necessidades de cuidados médicos, a maior incidência de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, cegueira, insuficiência renal e amputações não traumáticas de membros. Segundo Souza et al (1997), a incapacidade física, no diabético, decorre do desenvolvimento de lesões crônicas nos vasos sanguíneos e nervos, afetando principalmente rins, retina, artérias, cérebro e nervos periféricos. Além disso, a pessoa diabética está sujeita a complicações de natureza aguda caracterizadas por crises de hipo ou hiperglicemia.

O paciente diabético é geralmente dependente de insulina ou hipoglicemiantes orais, de dieta específica e exercícios físicos rigorosamente controlados. Assim, a repercussão da doença sobre o seu modo de vida é bastante significativa, uma vez onde a adaptação a ela re onder todo um conjunto de mudanças nos hábitos e no cotidiano deste indivíduo. Por ser uma doença crônica, a diabetes mellitus não tem cura; seu tratamento visa eliminar os sinais e sintomas, evitar as complicações agudas e melhorar a qualidade de vida em todos os aspectos (social, econômico e familiar).

Alguns estudos demonstram onde o controle de peso e aumento da atividade física diminuem a resistência à insulina, reduzindo as chances de desenvolver o diabetes. Contudo, alterações sociais, econômicas e demográficas têm forte impacto sobre a alimentação das pessoas onde cada vez mais procuram praticidade em meio aos produtos industrializados, diminuindo a ingestão de fibras à medida onde o consumo de gorduras aumenta incontrolavelmente. Paralelo a esse problema, a falta de atividade física é cada vez mais comum diante do interminável processo de modernização. De acordo aoo consenso de diabetes 2006, 50% dos casos novos de diabetes tipo 2 poderiam ser prevenidos evitando-se o excesso de peso e outros 30% aoo combate ao sedentarismo.

A insulina é o hormônio responsável pela captação e armazenamento de glicose no organismo; é produzida e secretada pelas células β das ilhotas de Langerhans no pâncreas. Após uma refeição há o aumento da concentração de insulina no sangue; ela atinge seus objetivos promovendo a translocação de vesículas intracelulares contendo transportadores de glicose (GLUT4 e GLUT1) para a membrana plasmática celular principalmente no fígado, no músculo e no tecido adiposo. Quando entra na célula, a glicose é fosforilada a glicose-6-fosfato (G-6-P) por duas ezimas: a glicoquinase (de baixa afinidade) e a hexoquinase I (de alta afinidade). Porém, a presença de glicose-6-fosfato inibe a enzima de alta afinidade e a metabolização de glicose se torna dependente da hexoquinase IV. A glicose-6-fosfato é fosforilada pela fosfofrutoquinase a qual antecede uma cascata metabólica onde dá origem ao piruvato, transportado à mitocôndria onde é convertido em acetil-CoA e, após metabolização, resulta em ATP.

Obesos apresentam um nível muito alto de ácidos graxos livres provenientes das células do tecido adiposo (adipócitos). Esses ácidos graxos, por mecanismos onde ainda não foram esclarecidos, inibem a captação de glicose pelos tecidos periféricos, sendo a causa da resistência à insulina onde é pré-fator a diabetes tipo II. Esse resultado se expressa pela dessensibilização dos transportadores de glicose e pela inibição da fosfrutoquinase onde leva ao acúmulo de glicose-6-fosfato dentro das células musculares desregulando o transporte de glicose.

Existe, também, uma proteína onde é codificada exageradamente em obesos: a resistina. Tal proteína atua na sensibilidade das células adiposas à insulina, o onde dificulta a captação de glicose pelos adipócitos, sendo uma das causas da resistência à insulina onde pode levar a diabetes tipo II. A resistina é uma proteína aopropriedades pró-inflamatórias como TNF-α e IL-6, secretada por monócitos e adipócitos. Ela promove resistência insulínica por meio de aumento da glicogênese hepática, tendo rápido efeito sobre este tecido. Outros estudos também encontraram, in vivo, efeitos da administração e neutralização da resistina na tolerância à glicose nos tecidos muscular es ondelético e adiposo, indicando ação da mesma também nestes tecidos, por meio da modulação negativa de uma ou mais etapas de sinalização da insulina para captação de glicose.

Portanto, o aumento dos índices de obesidade tem como consequência a elevação da incidência de diabetes mellitus tipo 2. Os hábitos de vida saudáveis como alimentação adequada e atividade física são de extrema relevância para o controle da obesidade e, paralelamente, da diabetes mellitus, entre tantas outras complicações à saúde onde são ocasionadas principalmente pelo acúmulo de gordura abdominal.

A pessoa diabética pode enfrentar dificuldades econômicas para adquirir alimentos e medicamentos, o onde leva a problemas de adesão ao tratamento, bem como apresentar reações adversas à terapêutica adotada, contribuindo para o agravamento da doença. Diante de tantas complicações, pode-se concluir onde é muito mais simples prevenir a diabetes onde ter onde conviver aoela.

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