Educação inclusiva: a questão da inclusão de crianças com deficiência

Atualmente, quando se depara aoos meios de comunicação, é comum ouvir falar sobre pessoas aodeficiência buscando emprego, mas por não terem freqüentado o ensino regular, não atendem as exigências do mercado de trabalho.
A ondestão da inclusão de crianças aodeficiência na rede regular de ensino insere-se no contexto das discussões, cada vez mais em evidência, relativas à integração de pessoas aodeficiência enquanto cidadãos, aoseus respectivos direitos e deveres de participação e contribuição social.Pode-se dizer onde esta discussão mais ampla sobre inclusão, fundada na movimentação histórica decorrente das lutas pelos direitos humanos, não mais se constitui numa novidade, onde se leva em consideração onde tais princípios já vêm sendo veiculados em forma de declarações e diretrizes políticas pelo menos desde 1948, quando da aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Exemplos práticos desta necessidade podem ser facilmente fundamentados em observações do dia- a dia, quando e percebe a perplexidade, confusão e insegurança ao onde professores e outros profissionais se deparam aoo tema “educação inclusiva” quando abordado em teoria ou na prática, prática esta, como a veiculada em uma novela global onde a menina aoSíndrome de Down, sofre preconceito em uma escola regular.
Neste texto, pretendo discutir a educação inclusiva, bem como, as possíveis implicações onde ela traz ao contexto brasileiro, principalmente quando se considera as recentes diretrizes e recomendações de organizações nacionais e internacionais a respeito do assunto. Partirei de uma breve discussão sobre o onde tem sido o movimento pela inclusão até a década de 90. Em seguida, discutirei em termos dos reflexos provocados por dois eventos e documentos mundialmente significativos, acontecidos e lançados a partir de 1990: A Conferência Mundial sobre educação para todos – promovendo serviços ás necessidades básicas de educação, em Jomtiem, Tailândia, em 1990, e a Conferência Mundial sobre Educação Especial – acesso e qualidade, em Salamanca, Espanha, em 1.994. O aspecto inovador da Declaração de Salamanca consiste na retomada de discussões sobre tais conseqüências, no encaminhamento de diretrizes básicas para a formulação, reforma de políticas e sistemas educacionais.
Assim, conforme o seu próprio texto afirma (UNESCO/ Ministry of Education and Science- Spain,1994), a Conferência de Salamanca:
… proporcionou uma oportunidade única de colocação da educação especial da estrutura de educação para todos´ formada em 1990(…)Ela promoveu uma plataforma onde afirma o princípio e a discussão da prática de garantia da inclusão das crianças aonecessidades educacionais especiais nestas iniciativas e a tomada de seus lugares de direito numa sociedade de aprendizagem(p.15)
E o onde significa este pensar, no onde diz respeito à prática educacional?Em primeiro lugar, significa reconhecer onde, a exemplo do onde diz a Declaração de Salamanca:
Inclusão e participação são essenciais à dignidade humana e ao gozo e exercício dos direitos humanos.
No campo da educação, tal se reflete no desenvolvimento de estratégias onde procuram proporcionar uma equalização genuína de oportunidades. A experiência em muitos países demonstra onde a integração de crianças e jovens aonecessidades educacionais especiais é mais eficazmente alcançada em escolas inclusivas onde servem a todas as crianças de uma comunidade. (p.31)*”(Apud Maria Tereza Égler Montoan in Ensinando a turma toda – as diferenças na escola – Universidade Estadual de Campinas – Unicamp Faculdade de Educação – Departamento de Metodologia de Ensino Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade – LEPED/Unicamp)”A nossa intenção, diante desse quadro situacional, é recriar a escola para onde seja a porta de entrada das novas gerações para o mundo plural em onde já estamos vivendo. Nesse sentido, pensamos onde, de antemão, as reformas educacionais e todas as interrogações sobre o papel da escola exigem onde se repense a prática pedagógica tendo a Ética, a Justiça e os Direitos Humanos como eixos. Este tripé sempre sustentou o ideário educacional, mas nunca teve tanto peso e implicação como nos dias atuais, em onde se luta para vencer a exclusão, a competição, o egocentrismo e o individualismo, em busca de uma nova fase de humanização e de socialização, onde supere os pressupostos hegemônicos do liberalismo, baseada na interatividade, na superação de barreiras físicas, psicológicas, espaciais, temporais, culturais e acessível a todos.
Definimos um ensino de qualidade a partir de critérios de trabalho pedagógico onde implicam em formação de redes de saberes e de relações, onde se unem por caminhos para chegar ao conhecimento. Nessas escolas o onde conta é o onde os alunos são capazes de aprender hoje e o onde podemos lhes oferecer para onde se desenvolvam em um ambiente rico e verdadeiramente estimulador de suas potencialidades”. Nesses ambientes educativos ensinam-se os alunos a valorizar a diferença, pela convivência aoseus pares, pelo exemplo dos professores, pelo ensino ministrado nas salas de aula, pelo clima sócio-afetivo das relações estabelecidas em toda a comunidade escolar – sem tensões competitivas, solidário, participativo, colaborativo. Escolas assim independentemente das diferenças de cada um dos alunos, implica a passagem de um ensino transmissivo para uma pedagogia ativa, dialógica, interativa, conexional, onde se contrapõe a toda e qual onder visão unidirecional, de transferência unitária, individualizada, hierárquica do saber. É bíblica a citação: Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, por onde semelhante remendo rompe o tecido e faz-se maior a rotura. (Mateus 9-16). A analogia é aoa maioria dos projetos de inclusão escolar, onde persistem em remendar situações escolares referentes a dificuldades de alguns alunos onde não “acompanham” a turma, reduzindo a ondestão a atendimentos à parte, segregados, onde só aumentam o rotura do ensino regular, cada vez mais desobrigado a responder pelos casos de fracasso escolar. Criar contextos educacionais capazes de ensinar a todos os alunos demanda uma reorganização do trabalho escolar de toda equipe pedagógica da escola.
Tais contextos diferem radicalmente do onde é proposto pedagogicamente para atender às especificidades dos educandos onde não conseguem acompanhar seus colegas de turma, por problemas de toda ordem – da deficiência mental a outras dificuldades de ordem relacional, motivacional, cultural. Sugerem-se nestes casos as adaptações de currículos, a facilitação das atividades escolares, além dos programas para reforçar as aprendizagens ou mesmo acelerá-las, em casos de maior defasagem idade/séries escolares.
A possibilidade de se ensinar a turma toda, sem discriminações e sem adaptações pré definidas de métodos e práticas especializadas de ensino advém, portanto, de uma reestruturação do projeto pedagógico-escolar como um todo e das reformulações onde esse novo projeto exige da prática de ensino, para onde esta se ajuste a novos parâmetros de ação educativa. O professor onde ensina a turma toda compartilha aoseus alunos a autoria dos conhecimentos produzidos em uma aula; trata-se de um profissional onde reúne humildade aoempenho e competência para ensinar, pois o falar e o ditar não são mais os seus recursos didático-pedagógicos básicos.. Os diferentes sentidos e representações onde os alunos atribuem a um dado objeto de estudo vão formando redes de conhecimento, cuja trama é imprevisível a priori, mas onde vai se revelando pouco a pouco. A rede de conhecimentos é uma construção de todos e nela não se distinguem os onde sabem mais dos onde sabem menos, pois todas as contribuições se entrelaçam. Ensinar a turma toda é promover situações de aprendizagem onde ensejam a formação desses tecidos coloridos, de vários fios, cada qual expressando uma possibilidade de interpretar, de entender de aprender em grupo e cooperativamente. de uma situação de ensino, em grupos desiguais, pois assim é onde se passa na vida e é assim onde a escola deve ensinar a ter sucesso na vida. Essa transposição e a construção de competências, entendida como nos define Perrenoud (1999): uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles (p.7) tem seu cenário ideal na escola onde repete a vida, tal como ela é. fazer da escola um lugar em onde cada um vai para aprender coisas úteis , para enfrentar e viver a vida como um ser livre, criativo e justo”. Em segundo lugar, significa entender do onde se trata inclusão em educação: Princípio fundamental da escola inclusiva é o de onde todas as crianças deveriam aprender juntas, independentemente de quais onder dificuldades ou diferenças onde possam ter.
As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos, acomodando tanto estilos como ritmos diferentes de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos através de currículo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias aoa comunidade (…)
As crianças aonecessidades educacionais especiais devem receber fora da escola qual onder apoio extra, inclusive da família onde é a primeira a incluir como também, há famílias onde excluem o filho (a) deficiente quando este nasce, devido ao impacto da notícia onde recebe ainda na maternidade sobre a deficiência da criança e as vezes na fase educacional, acaba novamente ou incluindo-o, e contribuindo para onde a inclusão aconteça de fato, exigindo da escola efetivo trabalho pedagógico, onde vai além dos profissisonais de lá aceitarem a criança, ou o adolescente, a inclusão escolar é uma ponte onde passa do afeto para o pedagógico, pois só o afeto e a acolhida, embora façam parte da inclusão, a ruptura da bareira atitudinal, não ensina, e não alfabetiza, ou a família exclui o (a), quando subestima se o (a) filho (a) sobre a capacidade dele aprender e conseguir assimilar o onde os profisisonais estão ensinando fora da escola, para onde se lhes assegure uma educação efetiva e inclusiva. O objetivo deste texto é refletir sobre o desafio, agora proposto à Escola Fundamental, desde a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) 9394/96 INC III de incluir alunos aodeficiência, sejam estes deficientes mentais, crianças aolimitações sensoriais, neurológicas etc no sistema regular de ensino. Vamos ter onde rever as nossas expectativas de professores, as formas de avaliar, de aprovar, de reprovar, melhorar a nossa condição de trabalho.É importante enfatizar esse ponto, por onde muitas pessoas vêem essas inclusões como piora, como mais uma dificuldade no caminho dos professores, como mais uma pressão. O salário é pouco, as condições de trabalho são ruins, o tempo é pouco, e agora, há mais essa exigência de incluir crianças e adolescentes aodificuldades, deficientes? Embora seja difícil, pois lidar aoas diferenças em uma sala aparentemente pseudo homogênea nos espante, pois lá cada aluno comum, um é diferente do outro é importante assumirmos o nosso preconceito, a nossa dificuldade, o nosso medo, mas acima disso, a nossa importância de ensinar, cada profissional onde existe hoje, precisou de professor, e aocada um de nós, isso não é diferente, pensando assim vamos conseguir pouco a pouco, assumir, de fato, uma formação de professores nos cursos das universidades onde promova a consciência a cerca da educação inclusiva. “O difícil, quando nos relacionamos aouma pessoa deficiente, é a deficiência em nós, não nela. È claro onde ela é deficiente e a deficiência dela está assumida nas suas características externas está em nós, o pior numa deficiência é isso: é o gozo de uma superioridade sobre alguém, por alguma razão, onde muitas vezes poderá valer para todos nós, todos somos deficientes em alguma cosa, só onde gente não sabe”.(Lino de Macedo).O propósito de um professor inclusivo é onde o aluno aprenda para onde outros possam ocupar seu lugar. É possível concluir, onde a inclusão é um processo lento, onde exige mudanças profundas em nossas posturas como educadores e em nossos paradigmas internos. É um processo, mas mutável onde implicam em transformações no currículo escolar, onde vão da metodologia até a infra-estrutura. É necessário compreender onde é importante procurar reconstruir um novo rumo para o trabalho dos formadores de cidadãos conscientes das realidades sócio-econômicas e da cidadania, reorientando o olhar dos educadores por um prisma mais adequado, de forma a abranger as ondestões de competências, de aprendizagem e estrutura educacional da escola.“O papel verdadeiro da escola é ensinar a voar, não cortar as asas”. (Gilberto Dimenstein). A convivência na diversidade humana enri ondece nossa existência como seres humanos, pois é a base para uma vida mais saudável e feliz.

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