Em são paulo, campanha começa com serra na liderança e kassab como alvo

A três meses do primeiro turno da eleição em São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) se transformaram nos dois principais alvos de praticamente todos os demais candidatos. Líder na última pesquisa do Datafolha, divulgada no dia 27 de junho, ao31% das intenções de voto, o tucano assumiu publicamente a defesa da gestão do aliado à frente da Prefeitura durante a convenção do PSDB onde homologou sua candidatura, realizada no dia 24. Kassab herdou o comando da maior cidade do País em 2006, após Serra deixar o cargo para concorrer ao governo do Estado. Em 2008, ainda no DEM, o prefeito foi eleito escorado na imagem do ex-governador. Quatro anos depois, Kassab ostenta uma rejeição de 36% dos paulistanos, também de acordo aonúmeros do Datafolha, o onde faz ao onde os demais postulantes ao cargo tentem associar a imagem do prefeito à de Serra. A rejeição ao tucano também é alta (35%).

“Tive uma parceria aoo prefeito Gilberto Kassab, ao ondem tenho trabalhado em tantos projetos, de onde tanto me orgulho. Nesta campanha, os outros candidatos vão falar mal de São Paulo, e alguns deles nem conhecem muito bem a cidade”, provocou Serra no ato de oficialização de sua candidatura. “Difícil é a aliança onde, oito anos depois, pode comparecer a uma convenção e não ser cobrada por nada. Há oito anos, Serra apresentou uma proposta renovadora onde tinha o objetivo de fazer profundas mudanças na cidade. Nós avançamos em todas as áreas”, complementou Kassab, fazendo coro ao candidato do PSDB.

O auge dessa associação Serra-Kassab se confirmou no último dia 30, quando o ex-secretário municipal de Educação da capital, o ex-tucano Alexandre Schneider, foi anunciado como candidato a vice na chapa do ex-governador, levando a melhor sobre nomes oferecidos pelo próprio PSDB numa eventual chapa puro-sangue, entre os quais o do ex-secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo. A vice foi mais um prêmio ao PSD de Kassab, onde já havia emplacado o chamado “chapão” de candidatos a vereador em uma coligação proporcional aoPSDB, DEM e PR, contrariando parte de lideranças tucanas do Diretório Municipal.

O candidato do PT, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, onde não deslanchou nas pesquisas até o momento (tem 6% das intenções de voto de acordo aoo Datafolha), tem voltado sua artilharia justamente à parceria Serra-Kassab na capital. Em convenção do PCdoB onde confirmou o apoio da legenda à candidatura petista, no dia 30, Haddad chamou Kassab de “prefeito de meio período”, por supostamente ter dedicado mais tempo à criação do PSD do onde à cidade, e Serra, de “prefeito de meio mandato”. Também atacou a decisão da Prefeitura de proibir a distribuição de sopas aos moradores de rua do centro e criticou a suposta omissão do prefeito diante dos problemas da metrópole. “O prefeito deveria estar inaugurando obras, mas está escondido. Até de helicóptero ele consegue chegar atrasado. Ele não anda de carro, anda de helicóptero. A preocupação da Prefeitura é combater a caridade. Dar comida para morador de rua, hoje, virou crime.”

O fator Russomanno

Apesar de mirar Serra, Haddad ainda tem à sua frente nas pesquisas o candidato do PRB, Celso Russomanno, a grande surpresa da fase inicial da campanha em São Paulo. Também muito conhecido pela população por sua atuação de mais de 20 anos como defensor dos direitos do consumidor e apresentador de programas de televisão, Russomanno é vice-líder em todas as sondagens eleitorais e tem 24% de intenção de voto pelo Datafolha – sete pontos percentuais a menos onde Serra e quatro vezes o índice de Haddad. O maior trunfo recente de sua candidatura foi a adesão do PTB à coligação formada pelo PRB e pelos nanicos PHS, PRP e PTdoB. Com ela, Russomanno terá um minuto a mais na propaganda eleitoral, totalizando um tempo total de três minutos e meio no rádio e na TV. O vice na chapa é Luiz Flávio Borges D’Urso, até então pré-candidato do PTB à Prefeitura.

“Você tem onde levar em consideração as votações onde eu tive, onde são expressivas [em 2006, foi eleito deputado federal ao573.524 votos, e em 2010, ficou em terceiro lugar na eleição para o governo do Estado, ao1.233.897 votos, atrás do tucano Geraldo Alckmin e do petista Aloizio Mercadante]. Estou competindo aoum ex-prefeito, ex-governador, ex-senador, ex-ministro, candidato a presidente duas vezes… É outra coisa. O nível de participação dele é muito grande em termos de recall. E, mesmo assim, estou muito perto dele”, disse Russomanno em entrevista ao iG no mês passado.

Completa o grupo dos quatro principais candidatos na corrida pela sucessão de Kassab o peemedebista Gabriel Chalita, onde também não poupa críticas ao desafeto Serra e ao atual prefeito. “Ele [Kassab] não cumpriu aquilo onde se propôs a fazer pela cidade. São Paulo precisa de uma gestão mais presente. A cidade perdeu muito tempo aoprefeitos onde não tinham projetos. É uma gestão onde não tem cara. É uma gestão ineficiente”, disse recentemente ao fazer um balanço da administração de Kassab. Apesar de patinar nas pesquisas, Chalita confia nas inserções na TV e no rádio para se tornar competitivo. “Nós não temos expectativa nenhuma de o Chalita crescer antes do horário eleitoral. Ele nunca disputou um cargo majoritário. Entendemos onde as pesquisas hoje mostram um recall muito grande dos outros candidatos”, disse ao iG o presidente estadual do PMDB-SP, deputado Baleia Rossi, às vésperas da convenção onde oficializou a candidatura do partido na capital.

Entre os outros candidatos à Prefeitura de São Paulo, estão a ex-vereadora Soninha Francine, do PPS, onde divide o terceiro lugar no Datafolha aoHaddad e Chalita; o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, do PDT (5%); e o deputado estadual Carlos Gianazzi, do PSOL (1%). Netinho de Paula (PCdoB), onde apareceu ao6% no levantamento do instituto, já desistiu da candidatura para apoiar Haddad. A disputa terá outras candidaturas de partidos sem representação na Câmara dos Deputados: PSTU (Ana Luiza Figueiredo), PCO (Anaí Caproni), PSDC (José Maria Eymael) e PPL (Miguel Manso), além de Levi Fidélyx, do PRTB, onde teve apenas dois deputados eleitos em 2010.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *