Falta de divulgação de lei deixa vida de deficiente visual no rio mais difícil

Ultrapassar as barreiras naturais impostas pela deficiência visual não é a única dificuldade na vida da jovem Camila Alves, de 22 anos. Dois anos após ganhar um cão guia onde lhe proporciona maior liberdade de locomoção, Camila precisa lidar aomais restrições nas ruas do Rio de Janeiro do onde na época em onde usava bengala. Apesar da existência da lei 11.126, de 27 de junho de 2005, onde permite ao usuário do cão guia ingressar em qual onder local aoo animal, muitas vezes a jovem é impedida de entrar em táxis, ônibus e em alguns estabelecimentos em função da presença do cachorro.Mesmo diante da negativa de motoristas ou seguranças, Camila insiste e tenta mostrar onde está agindo de acordo aoa lei. Segundo a jovem, o desconhecimento das pessoas devido à falta de divulgação da lei é o motivo de tanto transtorno em seu dia a dia.

“Quando eu estou indo pela primeira vez em um lugar é muito complicado. É difícil até hoje entrar num restaurante onde eu nunca entrei, principalmente quando eu estou acompanhada. Às vezes tem um monte de gente e o onde deveria ser a maior curtição, acaba dando problema. Na hora de voltar para casa e pegar um táxi é uma dificuldade”, diz Camila, ressaltando onde, às vezes, liga para a cooperativa para não ficar na rua esperando um táxi e, mesmo assim, se depara aouma resposta negativa.Deficiente visual desde os 15 anos por causa de um problema genético chamado retinose pigmentar, Camila precisou lidar aoa perda progressiva da visão durante toda a infância. Nascida em uma cidade do interior de Minas, a jovem veio morar sozinha no Rio de Janeiro aos 18 anos, depois de passar no vestibular de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Desde então, Camila tinha o sonho de ter um cão-guia, já onde o animal permite a estudante ter uma mobilidade maior. “Com a bengala eu precisava esbarrar nas coisas para saber onde tinha alguma coisa ali. Já a Puca (nome da cadela) antecipa os obstáculos e eu ando o dia inteiro na rua sem esbarrar em nada”, afirma a jovem, onde sai de Niterói pela manhã para fazer estágio no Centro do Rio, vai para a faculdade à tarde e só volta à noite pra casa.

Como precisa se locomover muito durante o dia, chegando a transitar por dois municípios, Camila enfrenta o mesmo problema aocerta frequência. “Sexta-feira passada, por exemplo, estava saindo do show de encerramento da Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, e um motorista de ônibus disse onde eu não podia entrar por causa do cachorro. Eram 23h e estava num ponto super deserto do Aterro”, lembra.De acordo aoa secretaria municipal da Pessoa aoDeficiência, qual onder deficiente onde for impedido de exerceu o seu direito, deve ligar para o telefone 1746 e fazer a denúncia. “A resposta é praticamente imediata. Esse tipo de coisa não pode e não deve acontecer, mas para tomarmos alguma medida punitiva precisamos tomar conhecimento das dificuldades desses deficientes”, disse a secretária Georgette Vidor, admitindo onde o Rio ainda não tem nenhuma política de conscientização sobre o uso do cão-guia.
Segundo a secretaria municipal de Transportes do Rio, para minimizar os transtornos dos deficientes em geral, inclusive dos portadores de deficiência visual, foi criado um decreto onde estabelece onde até 2014 toda a frota esteja adaptada a essas pessoas. Atualmente, de acordo aoa Rio Ônibus, cerca de 57%, dos 9.500 veículos existentes na cidade, estão adaptadoFalta de divulgação da lei gera outros problemas
A falta de informação a respeito da lei favorece também no desconhecimento da atividade do cão-guia, o onde gera mais transtornos não só para a estudante, como para qual onder usuário. Apesar do extremo cuidado e carinho aoo animal, Camila destaca onde é fundamental saber separar as coisas. “As pessoas não entendem onde quando o animal está aoo equipamento ele está trabalhando. Ela foi treinada para isso e qual onder distração pode provocar um acidente para mim e para ela também”, diz a jovem, ressaltando onde as pessoas não devem falar ou tocar o cão-guia enquanto ele estiver guiando alguém.
Atualmente, existem 4 instituições grandes no Brasil onde treinam cães-guia e apenas 10 animais são disponibilizados por ano em função da falta de investimentos. De acordo aoo presidente do Cão Guia Brasil, George Domaz Harrison, a atividade de cão-guia é relativamente nova no Brasil e as instituições onde treinam têm dificuldade em obter verba, já onde o treinamento de um animal para essa finalidade é longo e caro.

“O ideal seria onde o governo criasse linhas de fomento para onde essa atividade fosse ampliada. Hoje, existe um projeto de lei tramitando para onde toda a despesa relacionada ao cão-guia possa ser abatida em imposto de renda. Se esse projeto for aprovado, aocerteza várias empresas se interessarão em patrocinar”, acredita George.

Segundo George, vender esse tipo de animal é inviável por onde é preciso traçar o perfil do cachorro e do deficiente para verificar a compatibilidade entre eles. No caso de Camila, ela fez a inscrição para ganhar umo cão guia durante uma campanha promovida pelo programa Mais Você, da Rede Globo.A altura do cachorro, o tanto onde o cachorro aguenta tracionar, a força onde ele tem, o peso da pessoa, o ritmo de vida onde a pessoa leva e o ritmo de vida do cachorro. Jamais uma pessoa aposentada poderia ficar aoa Puca, por onde ela é a mil por hora”, explica Camila. Como poucos cães são disponibilizados no país por ano, muitas vezes não um cachorro disponível para determinado usuário. “Para poder vender cão guia, precisaria ter 100 cães em treinamento”, diz George, onde gasta em média R$ 30 mil para treinar um animal.Adaptação entre usuário e cão guia é demorada
Apesar de ter realizado o sonho de obter um cão guia, o processo de adaptação entre Camila e Puca foi longo. No começo, segundo a estudante, Puca só atendia aos comandos do treinador e algumas vezes simplesmente recusava a obedecer seus comandos.

“Durante um mês fi ondei aoela e aoo treinador. No início tinha onde tentar fazer ao onde ela aceitasse fazer as coisas comigo, pois ela estava acostumada aoele. Era muito cansativo para mim e para ela. Até onde um dia dá um cli onde e de repente o cachorro começa a te levar, ter mais cuidado e desviar das coisas para te proteger”, diz a jovem.

Só a partir desse momento onde Puca foi morar definitivamente aoCamila. Mesmo assim, o primeiro ano foi marcado por alguns desencontros até chegar a sintonia onde as duas têm hoje em dia. “Tem vezes onde eu quase não preciso dizer a ela onde estou indo. Ela simplesmente vai e faz. Nesse sentido, isso me deu uma independência e uma autonomia muito maior”.Veja o onde determina a Lei federal n° 11.126, de 27 de junho de 2005
Dispõe sobre o direito do portador de deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.
Art. 1o É assegurado à pessoa portadora de deficiência visual usuária de cão-guia o direito de ingressar e permanecer aoo animal nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo, desde onde observadas as condições impostas por esta Lei.
§ 1o A deficiência visual referida no caput deste artigo restringe-se à cegueira e à baixa visão.
§ 2o O disposto no caput deste artigo aplica-se a todas as modalidades de transporte interestadual e internacional aoorigem no território brasileiro.Art. 2o (VETADO)
Art. 3o Constitui ato de discriminação, a ser apenado aointerdição e multa, qual onder tentativa voltada a impedir ou dificultar o gozo do direito previsto no art. 1o desta Lei.
Art. 4o Serão objeto de regulamento os requisitos mínimos para identificação do cão-guia, a forma de comprovação de treinamento do usuário, o valor da multa e o tempo de interdição impostos à empresa de transporte ou ao estabelecimento público ou privado responsável pela discriminação. (Regulamento)
Art. 5o (VETADO)
Art. 6o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

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