Hipopótamo pigmeu

O Hipopótamo-pigmeu (Hexaprotodon liberiensis [1] ou Choeropsis liberiensis[2]) é um grande mamífero nativo das florestas e pântanos do oeste da África central (o nome científico da espécie, deriva de Libéria, refletindo sua origem). É uma das duas espécies existentes da família dos hipopótamos.


Enquanto se tem um grande conhecimento a respeito do hipopótamo-comum, é relativamente pouco o que se sabe a respeito do hipopótamo-pigmeu sobre sua alimentação ou seu comportamento. No entanto pensa-se que este animal é mais adaptado a viver em flotestas, do que em ambientes aquáticos.


A espécie é mais solitária, e consideravelmente menos aquática que o Hipopótamo-comum. A expectativa de vida é de 35 anos, chegando aos 42 em cativeiro. O período de gestação é de 190 a 210 dias, geralmente dando luz a um filhote. Vivem sozinhos ou em pequenos grupos, formados usualmente por um casal e uma cria.


As espécies de hipopótamo passam a maior parte do tempo na água, emergindo preferencialmente a noite para se alimentar em terra. O hipopótamo-pigmeu tem cerca de 1/10 do peso da outra espécie, sendo o menor membro da família dos Hippopotamidaes. Os fósseis sugerem que as espécies são próximas, possivelmente tendo um antepassado recente.


Dividem-se em duas populações. Uma se encontra em Guiné, Serra Leoa, Libéria e Côte dIvoire. A outra, com um diferente formato de crânio, até recentemente era encontrada no delta nigeriano, mas é possível que já estejam extintos.


Distribuição e Habitat


A grande maioria dos hipopótamos-pigmeus vivem na Libéria, em pequenas populações, predominantemente agrupados na costa do país, em Costa do Marfim e Serra Leoa. Apesar da extensão ocupada pelos hipopótamos-pigmeus não ter sido significativamente, as populações, atualmente, estão fragmentadas. C. liberiensis vive exclusivamente nos rios correntes em meio às áreas florestadas.



Uma pequena população de hipopótamos-pigmeus vivem nas florestas densas da ilha Tiwai, em Serra Leoa.

Uma pequena população de hipopótamos-pigmeus vivem nas florestas densas da ilha Tiwai, em Serra Leoa.

Populações de hipopótamos-pigmeu ocorrem em várias florestas no interior da Libéria, na maior área protegida encontrada no país Parque Nacional de Sapo. Outras populações foram encontradas nos condados de Grand Kru, Grand Cape Mount, Grand Bassa, Grand Gedeh, Lofa, Maryland, Nimba e Sinoe. Estudos sobre essas populações, contudo, têm sido complicados por causa dos conflitos civis no país, tais como a Primeira e a Segunda Guerra Civil da Libéria. Em Costa do Marfim, o hipopótamo-pigmeu está presente em inúmeras florestas, entre elas o Parque Nacional de Taï. Na Guiné, os hipopótamos-pigmeus habitam na Reserva de Ziama, na fronteira com a Libéria. Em Serra Leoa, existem algumas pequenas populações – na Floresta de Gola, na ilha Tiwai, no rio Moa e nas Montanhas Loma.[3][4]


O Plano de Ação da IUCN de 1993 calculou uma população entre 2000 e 3000 hipopótamos-pigmeus na selva, a maioria na Libéria. A menor população está em Serra Leoa, estimada, em 1993, em apenas cerca de 100. Devido às condições deterioradas na Libéria, a Lista Vermelha da IUCN prevê que em 2006 estes números tiveram um provável declínio, particularmente devido à perda de habitat.[3]



 Características


O hipopótamo-pigmeu só tem a metade da altura e pesa menos de 1/4 do que seu primo o hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius). Hipopótamos-pigmeus adultos medem aproximadamente 75-83 centímetros de altura no ombro, e 150-177 centímetros de comprimento, e pesam de 180 a 275 quilogramas. O corpo quase não possi pêlos, com exceção de algumas cerdas nos lábios e na cauda. Sua coloração é preta-esverdeada no dorso, e cinzenta nos flancos, e o ventre varia de cinza-claro ao verde-amarelado.



Crânio do Hipopótamo-pigmeu

Crânio do Hipopótamo-pigmeu

Hipopótamos-pigmeus compartilham a mesmo formato geral dos hipopótamos, um esqueleto graviportal com quatro pernas curtas apoiando uma armação corpulenta, e superficialmente parecem miniaturas do hipopótamo-comum, mas há diferenças estruturais notáveis entre eles. A cabeça é proporcionalmente menor e arredondada e não tão larga ou achatada, e os olhos são menos protuberantes e estão localizados lateralmente na cabeça. As narinas são largas e quase circulares, e os dedos estão bem separados e com garras afiadas. Os membros e o pescoço são relativamente mais longos e o dorso é inclinada para a frente ao invés de ser paralelo com o solo, como no hipopótamo-comum. Muitas dessas adpatações estão relacionadas ao hábitos mais “terrestres” dos hipopótamos-pigmeus. Em adição, o gênero Choeropsis geralmente tem um único par de incisivos inferiores, quando comparado com o Hippopotamus que tem dois ou três pares. A fórmula dentária é: (I2/1, C1/1, P3/3, M3/3) x 2 = 34.


A sua pele é muito semelhante a do hipopótamo-comum, e apresentam o mesmo suor excepcional, que dá uma cor rosada ao corpo, e que muitas vezes é descrito como “suor de sangue”, embora a substância secretada não seja nem suor nem sangue. Acredita-se que a substância, altamente alcalina, tenha função anti-séptica e de proteção contra os raios solares, visto que a pele do hipopótamo resseca e racha facilmente à exposição solar.



 Hábitos



 Hábitos alimentares e dieta



 Reprodução



 Taxonomia e origens


O hipopótamo-pigmeu é um membro da família Hippopotamidae, colocado no género Choeropsis ou no género Hexaprotodon. Hipopotamídeos é um nome comum, por vezes utilizado para fazer referência à família Hippopotamidae. Algumas vezes é utilizada a subfamília Hippopotaminae. Alguns taxonomistas agrupam os hipopótamos e os membros da família Anthracotheriidae na superfamília Anthracotheroidea ou Hippopotamoidea.


Uma espécie muito próxima do hipopótamo-pigmeu poderá ter sido o pouco estudado Hipopótamo-pigmeu-de-madagáscar (Choeropsis madagascariensis, por vezes classificado como Hexaprotodon madagascariensis ou Hippopotamus madagascariensis), uma das três recém-extintas espécies originárias de Madagáscar. C. madagascariensis era do mesmo tamanho que C. liberiensis e partilhava o mesmo tipo de comportamento terrestre, habitando as terras altas e florestadas de Madagáscar, ao invés de rios em espaços abertos. Acredita-se que se sofrido extinção durante os últimos 500 anos[5][6][7]


A taxonomia do género do hipopótamo-pigmeu tem mudado À medida que o conhecimento sobre o animal tem evoluido.[8][4][9][3] Samuel G. Morton inicialmente classificou o animal como Hippopotamus minor, mas mais tarde determinou que era diferente o suficiente para ficar no seu próprio género, a que foi dado o nome de Choeropsis. Em 1977, Coryndon propôs que o hipopótamo-pigmeu tinha relação próxima com o género Hexaprotodon, que consistia em hipopótamos pré-históricos, nativos principalmente da Ásia.[10] Esta asserção foi largamente aceite,[8][4][9][3] até que Boiserie, em 2005, afirmou que o hipopótamo-pigmeu não seria membro do género Hexaprodoton, depois de uma análise exaustiva da filogenia da família Hippopotamidae; sugeriu que o hipopótamo-pigmeu seria de uma género diferente, e transpôs o animal para o género Choeropsis.[8][11][12] Existe actualmente uma concordância que o hipopótamo-pigmeu, quer seja H. liberiensis ou C. liberiensis, é o único membro extante do seu género.[8][10]



Subespécie nigeriana


Uma subespécie distinta de hipopótamo-pimeu viveu na Nigéria até ao século XX. A existência da subspécie, torna Choeropsis liberiensis liberiensis (ou Hexaprotodon liberiensis liberiensis, na classificação antiga) na nomenclatura trinomial completa do hipopótamo-pimeu da Nigéria. A subspécie nigeriana do hipopótamo-pimeu nunca chegou a ser estudada no estado selvagem e nunca foi capturado nenhum exemplar. Toda a pesquisa foi efectuada em espécimenes da subespécie liberiana. Os animais existentes nos jardins zoológicos também são desta subespécie. A subespécie nigeriana é classificada como C. liberiensis heslopi.[4]


O hipopótamo-pigmeu da Nigéria ocupava uma área na delta do Rio Níger, especialmente numa região próxima de Port Harcourt, mas não existem relatos fiáveis após os espécimenes de museu, adquiridos por I.R. P. Heslop, um oficial britânico, no início da década de 1940. Acredita-se que esteja extinta. A subespécie foi separada por uma extensão de 1800 km e pelo Corredor Togo-Dahomey, uma região de deserto que divide as regiões florestais da África Ocidental. O nome da subespécie deriva de I.R.P. Heslop, que afirmava, em 1945, ter alvejado um hipopótamo-pigmeu na região do delta do Rio Níger e ter coleccionado vários crânios. Ele estimou que talvez não existissem mais de trinta hipopótamos-pigmeus naquela região.[13]


Heslop, de acordo com relatos, terá enviado quatro crânios de hipopótamo-pigmeu para o Museu de História Natural de Londres. No entanto, estes espécimenes não foram sujeitos a avaliação taxonómica até 1969, quando G.B. Corbet classificou os crânios como sendo uma subspécie separada, baseado em variações consistentes nas proporções dos crânios.[14] Os hipopótamos-pigmeus da Nigéria foram avistados ou mortos no estado de Rivers, no estado de Imo e no estado de Bayelsa, na Nigéria. Apesar de algumas populações locais terem um conhecimentos acerca da anterior existência da espécie, a sua história na região é pouco documentada.[4]



 Evolução



 Subespécies


Duas subespécies de hipopótamo-pigmeu são descritas: Choeropsis liberiensis heslopi, que se encontra em estado crítico de conservação, talvez até extintos e a outra é a Choeropsis liberiensis liberiensis, classificado como vulnerável.



Hipopótamo-pigmeu no Zoológico de Bristol, Inglaterra

Hipopótamo-pigmeu no Zoológico de Bristol, Inglaterra


 Conservação


A maior ameaça à população remanescente de hipopótamos-pigmeu é a perda de habitat. As florestas nas quais os hipopótamos vivem estão sujeitas ao desmatamento, à ocupação para habitação e ao cultivo agrícola, com mínimos esforços para tornar sustentável a retirada da madeira. Devido à redução das florestas, as populações ficaram mais fragmentadas, o que conduz à perda da diversidade genética no potencial grupo de reprodutores.[3]


Por causa de seu estilo de vida recluso não é alvo de caçadores de subsistência, apesar de outros caçadores os capturarem oportunisticamente. Alguns dizem que sua carne é de excelente qualidade, como a de um javali. Ao contrário do hipopótamo comum, os dentes dos pigmeus não têm valor.[9] Os efeitos da guerra civil, no Oeste africano, nos hipopótamos-pigmeus são desconhecidos, mas improvavelmente positivos.[3] Hipopótamos comuns adultos não têm predadores naturais, mas o hipopótamo-pigmeu, muitas vezes, é caçado por leopardos, serpentes e crocodilos. A freqüência com que isso ocorre é, contudo, desconhecida.[4]


O C. liberiensis foi classificado como uma das dez “espécies de foco” em 2007 pelo projeto EDGE Species.[15] O EDGE classificou espécies que são evolucionariamente distintas e precisam de maior proteção para prevenir sua extinção. O hipopótamo-pigmeu foi inserido no top-10 juntamente com a Equidna-de-attenborough, o Solenodonte do Haiti, o Camelo-bactriano, o Golfinho-lacustre-chinês, o Lóris delgado, a Hirola, o Musaranho-elefante-de-cauda-dourada, o Morcego-nariz-de-porco-de-kitti e o Jerboa-de-orelha-longa.[16]


Apesar de ameaçado na selva, o hipopótamo-pigmeu se desenvolve livremente em zoológicos. Entre 1970 e 1991, a população de hipopótamos-pigmeus nascida em cativeiro mais que dobrou. A sobrevivência das espécies nos zoos é mais certa do que na floresta.[17][18] Em cativeiro, o hipopótamo-pigmeu vive entre 42-55 anos, mais do que na selva.[4] Desde 1919, só 41% dos hipopótamos-pigmeus nascidos em zoológicos eram machos.[19]



 Aspectos Culturais


Enquanto que o hipopótamo comum era conhecido pelos europeus desde a Antiguidade Clássica, o hipopótamo-pigmeu era desconhecido fora da sua áreas de distribuição na África Ocidental até ao século XIX. Devido aos seus hábitos nocturnos e florestais, eram pouco conhecidos mesmo dentro da sua áreas de distribuição. Na Libéria, o animal era tradicionalmente conhecido com vaca de água (em inglês, water cow).[9]


Os primeiros relatórios de campo acerca desde animal identificaram-nos erroneamente como um javali selavagem. Alguns crâneos da espécie foram levados para o cientista Samuel G. Morton, durante a sua permanência em Monróvia, na Libéria. Morton descreveu pela primeira vez a espécie em 1843. Os primeiros exemplares completos foram recolhidos durante uma investigação completa alargada sobre a fauna liberiana, durante as décadas de 1870 e 1880, pelo Dr. Johann Büttikofer. Os espécimenes foram levados para o Museu de História Natural de Leiden, nos Países Baixos.[9]


O primeiro hipopótamo-pigmeu foi levado para a Europa em 1873, depois de ter sido capturado na Serra Leoa por um membro do British Colonial Service, mas morreu pouco tempo depois da sua chegada. Os hipopótamos-pigmeus foi introduzidos com sucesso na Europa em 1911. Foram primeiramente transportados para a Alemanha e depois para o Zoo de Bronx, em Nova Iorque, onde também prosperaram.[4][9]


Em 1927, Harvey Firestone, da empresa Firestone, apresentou Billy, um hipopótamo-pigmeu ao Presidente dos Estados Unidos da América, Calvin Coolidge. Coolidge doou o animal ao Smithsonian National Zoological Park e de acordo com este parque zoológico, é o ancestral da maioria dos hipopótamos-pigmeus existentes nos Estados Unidos hoje em dia.[18][20]


Vários contos tradicionais sobre o hipopótamo-pigmeu foram já recolhidos. Um deles conta que os hipopótamos-pigmeu levam consigo, dentro da boca, um diamante brilhante que os auxiliam nas suas viagens nocturnas através das densas florestas; de dia, os hipopótamos-pigmeus possuem um lugar secreto onde escondem os diamantes, mas se forem capturados durante a noite, os diamantes podem ser obtidos. Habitantes das aldeias por vezes acreditam que os hipopótamos bebés não são amamentados, mas em vez disso lambem a pele da sua progenitora.[9]

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