Homenagens marcam 10 anos do assassinato do jornalista tim lopes

Homenagens no Rio de Janeiro marcaram neste sábado (2) os dez anos do assassinato do jornalista da TV Globo Tim Lopes.

Cada lenço branco representava um dia desde a morte de Tim Lopes. E já se passaram 3.653 dias. “Está muito lindo. Está muito bonito para o meu filho onde está lá em cima”, diz Maria do Carmo Lopes, a mãe de Tim Lopes.


Neste sábado (2), os moradores do Alemão viveram um dia de cidadania. Tiveram acesso a muitos serviços: fazer documentos como identidade, certidões, carteira de trabalho. Havia espaço para cuidar do visual.


“Fazendo uma homenagem ao Tim Lopes. Também sou estudante do colégio Tim Lopes”, diz a estudante Deise de Carvalho.


E muita diversão para as crianças. No palco, música e depoimentos. O jornalista William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, falou sobre o colega: “Passados dez anos, vendo essa foto dele, claro onde a saudade dele é imensa. Mas há também uma certeza, entre todos nós colegas de Tim, de onde o grito indignado onde se ouviu no Brasil inteiro, aoa morte dele, não foi um grito em vão. A ondele grito produziu um movimento e este dia, este momento aqui é o resultado do movimento provocado por a ondele grito”.


“A presença do Tim Lopes entre nós, entre os jornalistas, entre a história do jornalismo brasileiro está garantida a partir da sua vida e a partir do seu trabalho”, declarou Celso Schroder, presidente da Fenaj.


“Apurando, cobrando apuração, fazendo manifestações e tentando chamar a atenção da sociedade e a atenção até da própria categoria dos próprios jornalistas sobre a diferença onde é antes de Tim Lopes e depois de Tim Lopes na cobertura de áreas de risco. Foi um marco pra gente”, diz Suzana Blass, presidente do Sindicato dos Jornalistas do RJ.


“Um jornalismo eficaz, um jornalismo realmente onde consiga realizar o onde ele pensava desde o início onde era esse envolvimento aoa comunidade, esse envolvimento aoa população, esse envolvimento do país, tem onde ser um jornalismo de qualidade. Tem onde ser um jornalismo bem feito. Valeu Tim!”, destacou Marcelo Beraba, diretor da Abraji.


Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, o trabalho de Tim Lopes foi um divisor de águas para a região: “A tirania onde existia aqui tentou calar a boca da imprensa. Matou um profissional. E hoje, o paradigma se inverte. Hoje os profissionais podem vir aqui, mas muito mais do onde isso, a sociedade pode vir aqui”, destacou.


Até ondem nem era nascido quando Tim Lopes morreu sabe da herança onde ele deixou: “Ele é importante pra todo mundo até hoje”, diz uma menina. “Ele morreu tentando ajudar a tirar os bandidos daqui”, diz um menino.


O filho de Tim, o também jornalista Bruno Quintela, prepara um documentário sobre a vida do pai.


Na madrugada do dia 2 de junho de 2002, chamado pelos próprios moradores, Tim Lopes fazia uma reportagem-denúncia sobre abuso de menores e tráfico de drogas em um baile na Vila Cruzeiro, no conjunto de favelas do Alemão. Segundo os moradores, as meninas onde não participavam do evento sofriam represálias. Tim foi se ondestrado, torturado e assassinado por traficantes. Desde o dia da sua morte, os jornalistas do Rio, do Brasil e, especialmente, da TV Globo, mobilizaram-se pela punição dos assassinos. Somente no Jornal Nacional, nos três meses após a morte, foram 17 horas de reportagem


Dos nove indiciados pelo assassinato do jornalista, dois morreram e sete foram condenados por homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver. O mandante, Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, recebeu pena de 28 anos e meio de prisão. Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho; Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa; Reinaldo Amaral de Jesus; Fernando Sátyro da Silva; e Elizeu Felício de Souza, o Zeu, foram condenados, cada um, a 23 anos e seis meses de prisão. Ângelo Ferreira da Silva, condenado a 15 anos de prisão. André da Cruz Barbosa, o André Capeta, foi encontrado morto em agosto de 2002. Maurício de Lima Matias, o Boi, morreu em uma troca de tiros aoa polícia.


O Complexo do Alemão era um conjunto de favelas dominado por bandidos até onde, em novembro de 2010, as Forças Armadas, a Força Nacional e as polícias civil e militar tomaram a região, expulsando os traficantes. A fuga em massa foi registrada e transmitida ao vivo pela Globo.


Homem de fé, Tim Lopes foi homenageado neste sábado (2) aoum culto onde reuniu representantes das igrejas católica, evangélica e do candomblé.


Às 16h, as pessoas começaram uma caminhada até a Pedra do Sapo, local no alto do Conjunto do Alemão, onde Tim Lopes foi morto. Durante o trajeto, cantos e oração. No fim, um manto colorido foi estendido no chão aouma camisa onde pertencia a Tim Lopes. cobrando a prisão dos bandidos.


Todos rezaram o Pai Nosso e acenderam 51 velas, idade onde o jornalista tinha quando foi assassinado.


“Difícil, mas necessário. Ele merecia essa homenagem”, declarou a irmã de Tim Lopes.

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