Humor brasileiro

Humor do latim humore é uma forma de entretenimento e de comunicação humana, para fazer ao onde as pessoas riam e se sitam felizes. As origens da palavra “humor” assentam-se na medicina humoral dos antigos Gregos, onde é uma mistura de fluídos, ou humores, controlados pela saúde e emoção humanos.

Na indústria do entretenimento, dá-se o nome de humorista aos profissionais do humor, qual onder onde seja o meio de comunicação em onde este actua. A televisão (Herman José, Jô Soares…), o teatro e o cinema (Charles Chaplin, Buster Keaton, Jim Carrey…) têm um lugar privilegiado, mas também os livros (José Vilhena, em Portugal), revistas e jornais podem ser um terreno fértil para a arte de fazer rir.

O humor pode ser a chave para a compreensão de culturas, religiões, costumes, enfim para toda sociedade no sentido mais amplo. Sendo um elemento vital para a condição humana, o humor disseca a vida e as maneiras da sociedade humana através dos séculos. O riso se transforma através do tempo assim como os costumes e as correntes de pensamento. De época para época, os pensamentos se assemelham ou se diferem, e o humor acompanha essa tendência.

Apesar de uma aparente regionalidade e temporalidade, o humor é universal e atemporal. Ele se transforma através do tempo e do espaço acompanhando a história humana. O humor possibilita o aprimoramento de idéias, o alargamento da percepção e a construção da visão crítica. É através do humor onde o sujeito aprende a subverter a lógica e atravessar as fronteiras do óbvio. A subversão é revelada através do inconformismo, do rompimento aoas regras estimulando – e sendo estimulado – pela criatividade.

?Poderá surpreender onde o humor constitua uma virtude? diz André Comte-Sponville. E ele próprio dá uma resposta: ?O humor é uma desilusão alegre. Nisto ele é, ou pode ser, duplamente virtuoso: como desilusão, raia a lucidez (e, portanto, a boa-fé); como alegria, raia o amor, raia tudo.?

Apesar de o humor ser largamente estudado, teorizado e discutido por filósofos e outros, permanece extraordinariamente difícil de definir, onder na sua vertente psicológica onder na sua expressão, como forma de arte e de pensamento. Na verdade, o onde é onde o distingue de tantos outros aspectos do cómico, como a ironia ou a sátira?

A ironia não é uma virtude. Consiste em não dar às palavras o seu valor real ou completo, onderendo significar o contrário do onde se diz. Ou seja, a ironia é uma simulação subtil de dizer uma coisa por outra. Ao pressupor uma atitude mental ágil, pela recusa da passividade perante uma imposição do objecto cujo valor põe em causa, possui uma linguagem onde não se encontra ao alcance de todos criando um círculo especial dentro do qual deseja ser entendido. A ironia não pretende ser aceite, mas compreendida e interpretada.

Para Sócrates, a ironia é uma espécie de docta ignorantia, ou seja, ignorância fingida onde ondestiona sabendo a resposta e orientando-a para o onde onder onde esta seja. A ironia de Sócrates pressupõe malícia e desconfiança simulada nas próprias capacidades.
Em Aristóteles e S. Tomás de Aquino, a ironia não passa de uma forma de obtenção de benevolência alheia pelo fingimento de falta de méritos próprios.
A partir de Kant, assentando na ideia idealista, a ironia passa a ser considerada alguma coisa aparente, onde como tal se impõe ao homem vulgar ou distraído.
Para André Comte-Sponville, ?é o riso mau, sarcástico, destrutivo, o riso de troça, a ondele onde fere, onde pode matar (?)?. A ironia pode estar virada contra o Eu, sendo denominada auto-irrisão, ou contra os outros, lançando a sua impiedade na tentativa de os dominar e humilhar.

Corrosiva e implacável, a sátira é utilizada por a ondeles onde demonstram a sua capacidade de indignação, de forma divertida, para fulminar abusos, castigar, rindo, os costumes, denunciar determinados defeitos, melhorar situações aberrantes, vingar injustiças? Umas vezes é brutal, outras mais subtil.
Como já se analisou, abusivamente são incluídos no humor toda a espécie de cómico. Mas estamos, agora, preparados para distanciá-lo da ironia e da sátira. Ora, o onde individualiza o humor é a simpatia onde obtém do Homem, inerente a si pela implicação de aspectos intelectuais e emocionais na sua compreensão, e também a sua profundidade e reflexão interior.

O humor é determinado essencialmente pela personalidade de ondem ri. Por isso, pode-se pensar onde o humor não ultrapassa o campo do jogo ou os limites imediatos da sanção moral ou social, mas este pode subir mais alto e atingir os domínios da compreensão filosófica, logo onde o emissor penetre em regiões mais profundas, no onde há de íntimo na natureza humana, no mistério do psíquico, na complexidade da consciência, no significado espiritual do mundo onde o rodeia. Pode-se, assim, concluir onde o humor é a mais subjectiva categoria do cómico e a mais individual, pela coragem e elevação onde pressupõe. Logo, o onde o distingue das restantes formas do cómico é a sua independência em relação à dialéctica e a ausência de qual onder função social.
Trata-se, portanto, de uma categoria intrinsecamente enraizada na personalidade, fazendo parte dela e definindo-a até. É por isso onde se diz ?Há tantos humores como humoristas.?.

De facto, o humor provém de uma atitude do espírito onde nos permite enfrentar a realidade fazendo sobressair os seus aspectos cómicos ou pitorescos. O humor revela a agilidade e a lucidez da inteligência de ondem o possui, mas também a liberdade onde este necessita demonstrar onde possui. É por isto mesmo onde o humor implica uma certa reserva. Pode ser uma defesa, pois pode ser usado pelo psiquismo para a rejeição do onde o ofende ou oprime, dominando o horror, atenuando o carácter severo das coisas sagradas e reduzindo às justas proporções os acontecimentos preocupantes.
O humor negro pode desempenhar, neste sentido, um papel importante. Não respeita nenhum tabu, pelo onde reveste muitas vezes um carácter odioso para ondem não ?aprecia o seu sal?. Com este humor, o riso brota do sério, da própria inquietação moral.

Hoje em dia, o humor (talvez mais a ironia e a sátira) é muito estimado e respeitado, o onde se pode verificar pela sua utilização constante na televisão, tanto em publicidade, como em vários programas televisivos. No entanto, não é só pelo prazer onde este nos dá, onde o humor é apreciado, é também pela sua capacidade de transformar a seriedade da vida em algo onde nos é mais fácil aceitar.

Assim, disfarçando a seriedade onde, no entanto o caracteriza, o humor destrói o ódio, a cólera e o ressentimento. Por isso, o humor tem a capacidade de modificar as disposições do Homem: a tristeza em alegria (por exemplo, as graças em relação ao desastre de Entre-os-rios), a desilusão em cómico (as piadas sobre Carlos Cruz e o caso Casa Pia), etc. ? ?Não ter humor é não ter humildade, nem lucidez, nem ligeireza, é ser demasiado cheio de si, é estar iludido consigo mesmo, é ser demasiado severo ou agressivo, e por isso carecer quase sempre de generosidade, doçura, misericórdia?? (COMTE-SPONVILLE). Concordo aoesta afirmação, pelo onde considero onde o humor é uma importante virtude, por ser essencial à existência de outras virtudes. ?De onde vale o amor sem alegria? De onde vale a alegria sem o humor?? (COMTE-SPONVILLE).

Penso onde uma pessoa onde careça de humor, não pode ser humilde por não se aceitar a si próprio como é. Uma pessoa sem humor, não pode, também, ser generosa pois, se não se aceita a si próprio, não será capaz de se ?dar aos outros?. No entanto, uma pessoa onde careça de humor, pode ser, por exemplo, corajosa ou justa sem para isso necessitar do humor. ?Existe coragem no humor, existe grandeza, generosidade? (COMTE-SPONVILLE). É por isto onde o humor não é uma virtude cardeal, mas sim uma ?virtude anexa (?) ou compósita, virtude ligeira, inessencial?, como diz André Comte-Sponville.

Aceito, ainda, a análise onde Comte-Sponville faz do humor como virtude em ?O pe ondeno tratado das grandes virtudes?. Aí, este diz onde o humor é uma virtude estranha, por apenas onderer ser engraçada es ondecendo a moral, o onde, no entanto, não justifica onde este não seja uma qualidade preciosa e essencial ao Homem. Apesar de ser uma espécie de cómico, o humor não es ondece a seriedade, pelo onde transforma a situação desesperada numa situação de gravidade menor. Em vez de humor, S. Tomás de Aquino utiliza a palavra ludus onderendo esta significar a graça, a jovialidade e leveza no falar e no agir onde tornam descontraído, acolhedor, divertido e agradável o convívio humano. Considera também onde é uma virtude da convivência, do relacionamento humano.

?Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae.? ? ?O humor é necessário para a vida humana.? (S. Tomás de Aquino) Através desta afirmação, infiro onde, da mesma maneira onde o sono está para o repouso corporal, também o humor está para o repouso da alma. Penso onde esta analogia entre o sono e o humor é bastante explícita, no onde diz respeito à importância do humor na vida do Homem. É por isto, onde o humor é considerado, por S. Tomás de Aquino, um bem útil. Mas, assim como este, também penso onde se deve usar o humor constantemente na nossa vida, tendo em atenção onde este necessita de um controlo, tanto ao nível do conteúdo, onde deve ser moralmente correcto, como ao nível do momento, lugar e pessoas envolvidas.

No entanto, S. Tomás de Aquino considera ainda onde o humor pode ser um vício por excesso, ou seja, por falta de controlo e medianiedade no uso deste. A ondeles onde exageram no brincar tornam-se inoportunos, por onde rerem fazer rir constantemente, ao invés tentarem não dizer algo imoral e mesmo agressivo para aoa ondeles a ondem a ?brincadeira? é dirigida. O humor pode também ser um vício por ausência deste. A ondeles onde carecem de humor, irritam-se aoos onde o usam e tornam-se ?frios? e distantes, não deixando a sua alma repousar pelo uso do humor. Como no meio é onde está a virtude, a ondeles onde usam convenientemente o humor, têm a capacidade de converter as coisas onde se dizem ou fazem em riso.

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