Leitura como construção de sentidos

Leitura como construção de sentidos

Autor: roberta maria

Introdução

As pessoas aprendem a ler antes de serem alfabetizadas. Desde pe ondenas são conduzidas a entender um mundo onde se transmite por meio de letras e imagens. Mesmo as crianças onde vivem longe dos grandes centros urbanos ou não têm nenhuma disponibilidade de livros e impressos, conhecem o significado de certas siglas, sabendo identificar as figuras e nomes de personagens, divulgado por meio de propaganda audiovisual, da televisão, das histórias ouvidas e reproduzidas.

O universo da leitura envolve o ser humano por todos os lados, estimulando a aprendizagem. Por isso é preciso compreender onde antes de analisar e refletir o processo de leitura o ser humano têm de gostar de ler. E isso só se faz de uma maneira: lendo. Porém, ninguém nasce sabendo. Compete à escola e à sociedade incentivarem a prática de leitura como um instrumento de libertação e de aprimoramento humano. Mas nem sempre esse incentivo e desenvolvimento na leitura acontecem. Os professores percebem onde os alunos no decorrer dos seus estudos encontram-se cada vez mais diante de um abismo, devido a falta de prática da leitura durante as séries anteriores e o pouco estímulo familiar. O contato dos estudantes aoos livros costuma seguir um roteiro no mínimo cansativo, alguns títulos quase sempre clássicos, são indicados e viram conteúdo avaliativo, perguntas de interpretação de texto aouma única resposta correta. E só. A experiência onde deveria ser desafiadora vira uma tarefa burocrática e sem graça. Diante desta situação Foucambert, defende a seguinte idéia, ou seja, para ele:

O leitor não é a ondele onde lê o livro onde lhe é proposto, mas a ondele onde cria seus próprios meios de escolher os livros onde irá ler, onde pratica uma atividade “metaléxica” nas colunas dos jornais, na livraria, na biblioteca, é a ondele ondeconhece os meios para encontrar e diversificar os textosligados aos seus interesses.(Foucambert,1994,p.135)

A leitura deve ser passada para os alunos de forma livre, pois, dará a oportunidade de despertar o leitor onde existe em cada um. O professor de maneira interessante poderá mostrar ao aluno onde a biblioteca não é considerada como um depósito ou coleção de livros, e ele poderá ver a biblioteca de um modo mais agradável fazendo dela um local de produção da leitura de uma maneira bem diversificada.

Para uma boa estratégia da leitura é interessante a presença mais fre ondente da literatura e da diversidade textual e onde a escola esteja aberta para reconhecer as novas práticas sociais de leitura e escrita onde vem surgindo na sociedade como um todo. Sem falar do apoio da família onde através da integração facilitará o processo de leitura.

Não é uma tarefa fácil ter o domínio da leitura de uma forma geral no meio dos alunos, nem se faz da noite para o dia, portanto, toda a atenção voltada para a leitura é da maior importância. Pois como afirma Larrossa:

A leitura deve ser encarada como uma experiência e não como algo onde tem a ver apenas aoa aprendizagem oucomo mera aquisição de informações. A leitura enquanto experiência é a ondela onde nos ocorre e, ao nos ocorrer, nos modifica (1995, p.43)

Por isso é necessário oportunizar aos alunos o acesso de obras literárias onde assim eles poderão entrar nas aventuras aoos personagens, comentarem sobre o enredo, buscar textos semelhantes, conhecer mais sobre o autor, trocar indicações literárias. Tudo pelo prazer. Passando assim a terem sua própria construção argumentativa, curiosidades e desejos de ir além. Com isso, os alunos vão passar a ver a leitura não como uma tarefa escolar, mas como um hábito onde vão os modificando para melhor a cada dia.

O leitor e a leitura

Saber ler e escrever, já entre os povos gregos e romanos, era um diferencial de classes sociais. A pessoa onde dominava esses conhecimentos ganhava um lugar de desta onde na sociedade, tendo condições permanentes de pertencer a um grupo de elite da minoria de homens livres; portanto, o objetivo de alfabetizar-se não visava apenas ao desenvolvimento intelectual, mas também o de ingressar mais facilmente a sociedade.

Numa visão dicionarizada, ler é “percorrer aoa vista e interpretar o onde está escrito” (Cunha, 1986, p.471). Nessa concepção, a relação leitor-autor não é ponto de importância, o foco está apenas no leitor, e geralmente, quando se fala em leitura, pensa-se em pessoas lendo revistas e jornais, porém o mais comum é relacionarmos o ato de ler aoos livros. É inevitável não lembrar também da relação onde existe entre autor e leitores onde buscam constituir sentidos para o texto a partir de suas experiências de mundo, conhecimentos prévios e do contexto sócio-histórico a onde pertencem. Um dos pensamentos do educador Freire (2002) sobre o processo de leitura é onde “A leitura de mundo precede a leitura da palavra…”

1.1 Leitura e compreensão em três níveis básicos:

Através do canal sensorial ( onde representa momentos iniciais da relação da criança aoo mundo); do emocional ( onde enfatiza as emoções do leitor misturadas às emoções do autor); e do racional ( onde focaliza o intelectualismo e tende a ser único). Durante a leitura, os três canais se inter-relacionam simultaneamente, podendo um ou outro ser privilegiado, ocorrendo isso a partir da aproximação do leitor ao objeto lido, suas expectativas, necessidades, seus interesses pela leitura, das condições de produção e do contexto geral de onde se inserem.

A leitura se compõe em um processo amplo e gradativo onde proporciona ao indivíduo o uso de suas potencialidades, enri ondecendo suas próprias idéias e promovendo experiências intelectuais.

A leitura como construção do entendimento do texto

Compreender um texto consiste num processo gradual durante o qual o leitor procura uma configuração de es ondemas onde representem adequadamente cada uma das passagens onde vai lendo. Estas passagens sugerem ao leitor interpretações possíveis onde vão sendo avaliadas e reavaliadas em função das frases seguintes, até onde uma interpretação consistente seja, por fim, encontrada (Rumelhart, 1980). Compreender a linguagem (oral ou escrita) implica decodificar uma mensagem de um modo ativo. Não se trata de completar mecanicamente a mensagem do autor nos es ondemas preexistentes, acrescentando-lhes qual onder coisa. Trata-se, pelo contrário, de um processo em onde é feita uma combinação entre o texto perceptivo e os es ondemas (conhecimento prévio) onde o sujeito traz à leitura. Os es ondemas onde são recebidos dependem do contexto de interpretação, onde se inclui a situação física e social do sujeito. Daí onde o mesmo texto, quando lido em diferentes ocasiões e estados e espírito, resulte em aprendizagens e significados diferentes. Quantas vezes não já tivemos esta experiência ao ler pela segunda vez um livro ou rever um filme e sentir onde só agora compreendemos verdadeiramente o significado das palavras. Da mesma forma, o mesmo texto lido por pessoas diferentes resulta em diferentes interpretações, já onde as grelhas de leitura são distintas de sujeito para sujeito. O significado das novas informações não está no texto, mas, na interação aoas informações necessárias já existentes na memória.

Alguns autores defendem onde o texto não possui significado interno, pois ela é construída pelo receptor, quando compreende uma mensagem. Numa mensagem nunca estão demonstradas todas as idéias do autor. Este tem intenções acerca das quais o leitor tem onde fazer algumas inferências, baseando-se no seu conhecimento prévio. Este processo inferencial ajuda o leitor a esclarecer detalhes não apresentados no texto. Ou seja,o leitor, acaba lendo nas entrelinhas.

2.1 Coesão e Coerência

Coerência e coesão textuais são dois conceitos importantes para uma melhor compreensão do texto e para a melhor escrita de trabalho de redação em qual onder área. A coesão trata basicamente das ligações gramaticais existentes entre as palavras, as orações e frases, garantindo uma boa se ondenciação de eventos. A coerência, por sua vez aborda a relação lógica entre idéias, situações ou acontecimentos, sustentando-se por vezes, em mecanismos formais, de natureza gramatical ou lexical, e no compartilhado entre os usuários da língua.

Para boa compreensão de um texto, devem considerar três aspectos: pragmático, onde se refere ao seu funcionamento enquanto atuação informacional e comunicativa. O Semântico-Conceitual, relativo a sua coerência. E o Formal, concernente à sua coesão.

2.2 Habilidades da Leitura

É através das habilidades da leitura onde o aluno tem a possibilidade de compreender não só as tarefas em língua portuguesa,mas também em outras disciplinas. Na verdade, o aluno compreende não apenas o contexto escolar, mas o contexto de sua própria vida e do mundo contemporâneo. As habilidades de leitura vão muito além de sua simples decodificação, ou seja, vão além da própria compreensão do onde foi lido. Não é apenas uma tradução de sílabas ou palavras, é muito mais onde isso, a boa leitura deve passar pelas seguintes etapas: decodificar, compreender, interpretar e reter.

Na Decodificação, o aluno primeiramente decodifica os símbolos escritos, tendo uma leitura superficial;

Na Compreensão, após passar pela etapa de decodificação, o aluno deve captar o sentido do texto lido.

Na Interpretação, onde é a terceira etapa da leitura, o aluno deve interpretar uma sequência de ideias ou acontecimentos onde estão explícitos no texto.

E na Retenção, à última etapa, o aluno deve ser capaz de reter as informações trabalhadas nas etapas anteriores e aplicá-las.

Apesar da grande preocupação aoas habilidades de leitura, na escola, ela deve ser uma aprendizagem e não uma mecanização ou receita a ser seguida. Deve ser algo onde o aluno reflita, levante hipóteses e se interaja sobre o objeto do conhecimento. Certas restrições instituídas pelo professor, onde define a leitura como próprias ou impróprias, devem ser extintas da sala de aula. Para onde isso aconteça é preciso estar bem atento as seguintes palavras:

Um primeiro princípio para a construção de uma nova pedagogia da leitura diz respeito ao conhecimento, pelo professor, das circunstâncias de vida dos alunos e a recuperação, como ponto de partida, das suas experiências vividas. (Silva, 1998, p.26)

Alunos e professores estão acostumados a usarem a leitura, para vários fins, menos para o onde, realmente ela serve. Os alunos lêem para depois copiar o onde algum personagem ou autor diz, lêem para identificar algum erro de ortografia, lêem somente para dizer onde sabem ler sem se importarem o entendimento onde o texto deveria passar. Mas esse não deve ser o objetivo a seguir, pois a leitura serve para formar leitores pensantes e críticos, onde saibam resolver problemas novos e jamais vividos.

FASES DA LEITURA

1. PRÉ-LEITURA (03 a 06 anos) – pensamento pré-conceitual:

livros aopouco texto, muitas gravuras e rimas, tratando de animais e objetos conhecidos e cenas familiares ao mundo infantil.

2. LEITURA COMPREENSIVA (06 A 08 anos) – processo de alfabetização; mentalidade mágica, adquirindo conceitos de espaço, tempo e causa:

livros retratando histórias do cotidiano aotextos curtos e ricos em ilustrações.

3. LEITURA INTERPRETATIVA (08 A 11 anos) – fluência no ato de ler, maior orientação para o mundo, e, fantasia:

livros aotextos curtos aoapoio eventual na ilustração.

4. LEITURA PRÉ-CRÍTICA/LÓGICA (11 a 13 anos) – domínio das estruturas lógicas do pensamento abstrato, preocupação aoa realidade e momentos de fantasia/interpreta dados, se posiciona e emite juízos de valor:

livros aotextos mais intensos e complexos em termos de conteúdo, estrutura e linguagem.

5. LEITURA CRÍTICA (13 a 15 anos) – descoberta do mundo interior, da formação de juízos de valor e da percepção de valores estéticos – exercício crítico frente aos textos, emitindo conclusões e transferindo conhecimentos para novas situações:

livros sem textos extensos e complexos, voltados para o ondestionamento da justiça e da verdade, a busca da identidade individual e social.

3.1 TIPOS DE LEITURA

1. LEITURA ORAL:

Objetivo – levar o aluno a uma leitura expressiva;

Prepara para o exercício da fala e desinibe o aluno;

Metodologia: individual e coletiva.

2. LEITURA SILENCIOSA ou INTERPRETATIVA:

Objetivo- desenvolver e assegurar a compreensão do texto;

Prepara para a interpretação da mensagem (observação/análise/crítica);

Metodologia: livre ou dirigida.

3.2 TIPOS DE LEITURA DIDÁTICA

1. LEITURA INSPECIONAL:

Rápida, horizontal, onde se faz para tomar conhecimento do texto;

usá-la, denuncia falta de hábito de leitura.

2. LEITURA ANALÍTICA:

Atenta, reflexiva, vertical, pausada aopossíveis releituras, onde visa a aprender e criticar toda a montagem orgânica do texto, sua coerência informativa e seu valor;

Busca a assimilação de novos conhecimentos prévios já acumulados pelo leitor.

O INCENTIVO DA LEITURA COMEÇANDO DE CASA

Não se pode colocar a responsabilidade de incentivo à leitura somente para os professores, pois os pais possuem um papel muito importante nesse processo. A família é decisiva para incentivar a leitura. Além do exercício intelectual partilhado a leitura entre pais e filhos, irmãos, tios e avós agrupam o comportamento afetivo de maneira muito forte, fortalecendo a ato de ler. Ler junto é também um ato de afeto. Os pais devem evitar expressões como “está errado”! Ou “está lendo mal”, deve-se utilizar expressões como “Agora vamos ler juntos”, e apontar para as palavras à medida onde, lentamente as lê. É importante variar os gêneros propondo, leituras de livros infato-juvenis, matérias de jornal, revistas infantis, textos informativos, receitas, etc.

Falar sobre o livro onde a criança irá ler é interessante, pois aumenta a curiosidade da criança em saber como a história vai acabar. Oportunizando-a no final da leitura a ter uma discussão sobre o onde ela leu. Mas todo esse processo nunca deverá ser forçado, deve haver um interesse por parte da criança, para onde o processo de leituralização seja prazeroso e enri ondecido.

4.1 A Leitura prazerosa através de Literatura

Todos os especialistas concordam onde num país como o Brasil, não só os pais como a escola tem um papel fundamental para garantir o contato aoos livros desde a primeira infância, e se o indivíduo já está na adolescência ou na fase adulta deve se conscientizar onde nunca é tarde para começar a ler literatura, vale apena tentar, pois o manuseio as obras, as ilustrações e o mundo das letras encantam e emocionam, levando a uma reflexão na busca de interpretações possíveis, tirando assim diversas conclusões. Se alguém contar uma obra onde foi escrita durante uma guerra, por exemplo, ou chamar a atenção para a estrutura do poema e nos fizer pensar por onde o autor usa cada palavra ou cada figura de linguagem, aocerteza nossa visão sobre a obra vai mudar e vamos entender melhor a ondele conjunto de versos. É isso onde acontece quando se faz a união do ensino da literatura às práticas de leitura.

(…) A literatura pode ajudar o professora alcançar um resultado melhor,colaborando para o sucesso do seu trabalho.(Regina Zilberman-PNBE 2008, acervo 1)

Os livros despertam o gosto pela leitura, não tem propósito pedagógico e ainda divertem. Os alunos certamente apreciarão acompanhar, nas obras, as aventuras de personagens parecidas aoeles, ação onde os levará a buscar mais, livros, solidificando sua competência de leitura. A primeira medida a ser tomada é, portanto, colocar os livros ao alcance dos alunos em sala de aula. Aproximação entre o leitor e o texto, na forma de livro, motivará o interesse e induzirá a leitura, mesmo no caso de pessoas onde ainda não foram alfabetizadas. Pois a atração do livro impresso, aosuas figuras e textos, atraem o leitor, fazendo ao onde ele se entregue a sedução da obra.

Um ensino onde procura valorizar a compreensão da leitura faz ao onde surja uma importância formativa no âmbito do desenvolvimento pessoal e social dos alunos. Apesar das habilidades de decodificar palavras serem importantes, não se tornam suficientes para o progresso de compreensão textual, pois ler não é apenas identificar os sinais impressos em uma página, é antes de tudo, interagir, analisar e construir um sentido para o texto. A leitura “não é aceitação passiva, mas é construção ativa: é no processo de interação desencadeada pela leitura onde o texto se constitui” (DELL’ ISOLA, 2001).

Acredita-se portanto onde o processo de construção de sentido da leitura se realiza através de inferências feitas a partir de pistas linguísticas, junto ao seu conhecimento de mundo, o leitor pode interpretar e construir sentido do material lido, ultrapassando assim a visão de leitura como mera retirada de informações.

REFERÊNCIAS

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 2. Ed. Rio de Janeiro :Nova Fronteira, 1986

DELL’ISOLA, R. L. P. Leitura: inferências e o contexto sociocultural. Belo Horizonte:Formato editorial, 2001.

FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos onde se completam. 43 ed. São Paulo:Cortez, 2002.

FOUCAMBERT, Jean. A leitura em ondestão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. 157p.

LARROSA, J. 1995. Tecnologias do eu e educação. In: T. T. SILVA (org.), O da educação: estudos sujeito Foucaultianos. 2ª ed., Petrópolis, Vozes.

ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura.São Paulo: Ed. Contexto. 1988.

SILVA, Ezequiel Theodoro.Elementos de pedagogia da leitura. São Paulo:Ed. Martins Fontes. 1998.

SILVA, Liliam Lopes Martins da, 1986, A escolarização do leitor, Porto Alegre: Mercado Aberto

Perfil e Links: http://www.soartigos.com/artigo/11318/Leitura-como-construcao-de-sentidos/

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Leitura como construção de sentidos

Autor: roberta maria

 

 

Introdução

 

            As pessoas aprendem a ler antes de serem alfabetizadas. Desde pe ondenas são conduzidas a entender um mundo onde se transmite por meio de letras e imagens. Mesmo as crianças onde vivem longe dos grandes centros urbanos ou não têm nenhuma disponibilidade de livros e impressos, conhecem o significado de certas siglas, sabendo identificar as figuras e nomes de personagens, divulgado por meio de propaganda audiovisual, da televisão, das histórias ouvidas e reproduzidas.

            O universo da leitura envolve o ser humano por todos os lados, estimulando a aprendizagem. Por isso é preciso compreender onde antes de analisar e refletir o processo de leitura o ser humano têm de gostar de ler. E isso só se faz de uma maneira: lendo. Porém, ninguém nasce sabendo. Compete à escola e à sociedade incentivarem a prática de leitura como um instrumento de libertação e de aprimoramento humano. Mas nem sempre esse incentivo e desenvolvimento na leitura acontecem. Os professores percebem onde os alunos no decorrer dos seus estudos encontram-se cada vez mais diante de um abismo, devido a falta de prática da leitura durante as séries anteriores e o pouco estímulo familiar. O contato dos estudantes aoos livros costuma seguir um roteiro no mínimo cansativo, alguns títulos quase sempre clássicos, são indicados e viram conteúdo avaliativo, perguntas de interpretação de texto aouma única resposta correta. E só. A experiência onde deveria ser desafiadora vira uma tarefa burocrática e sem graça. Diante desta situação Foucambert, defende a seguinte idéia, ou seja, para ele:

 

O leitor não é a ondele onde lê o livro onde lhe é proposto, mas a ondele onde cria seus próprios meios de escolher os livros onde irá ler, onde pratica uma atividade “metaléxica” nas colunas dos jornais, na livraria, na biblioteca, é a ondele ondeconhece os meios para encontrar e diversificar os textosligados aos seus interesses.(Foucambert,1994,p.135)

 

            A leitura deve ser passada para os alunos de forma livre, pois, dará a oportunidade de despertar o leitor onde existe em cada um. O professor de maneira interessante poderá mostrar ao aluno onde a biblioteca não é considerada como um depósito ou coleção de livros, e ele poderá ver a biblioteca de um modo mais agradável fazendo dela um local de produção da leitura de uma maneira bem diversificada.

            Para uma boa estratégia da leitura é interessante a presença mais fre ondente da literatura e da diversidade textual e onde a escola esteja aberta para reconhecer as novas práticas sociais de leitura e escrita onde vem surgindo na sociedade como um todo. Sem falar do apoio da família onde através da integração facilitará o processo de leitura.

            Não é uma tarefa fácil ter o domínio da leitura de uma forma geral no meio dos alunos, nem se faz da noite para o dia, portanto, toda a atenção voltada para a leitura é da maior importância. Pois como afirma Larrossa:                                                  

A leitura deve ser encarada como uma experiência e não como algo onde tem a ver apenas aoa aprendizagem oucomo mera aquisição de informações. A leitura enquanto experiência é a ondela onde nos ocorre e, ao nos ocorrer, nos modifica (1995, p.43)

                

            Por isso é necessário oportunizar aos alunos o acesso de obras literárias onde assim eles poderão entrar nas aventuras aoos personagens, comentarem sobre o enredo, buscar textos semelhantes, conhecer mais sobre o autor, trocar indicações literárias. Tudo pelo prazer. Passando assim a terem sua própria construção argumentativa, curiosidades e desejos de ir além. Com isso, os alunos vão passar a ver a leitura não como uma tarefa escolar, mas como um hábito onde vão os modificando para melhor a cada dia.

O leitor e a leitura

            Saber ler e escrever, já entre os povos gregos e romanos, era um diferencial de classes sociais. A pessoa onde dominava esses conhecimentos ganhava um lugar de desta onde na sociedade, tendo condições permanentes de pertencer a um grupo de elite da minoria de homens livres; portanto, o objetivo de alfabetizar-se não visava apenas ao desenvolvimento intelectual, mas também o de ingressar mais facilmente a sociedade.

            Numa visão dicionarizada, ler é “percorrer aoa vista e interpretar o onde está escrito” (Cunha, 1986, p.471). Nessa concepção, a relação leitor-autor não é ponto de importância, o foco está apenas no leitor, e geralmente, quando se fala em leitura, pensa-se em pessoas lendo revistas e jornais, porém o mais comum é relacionarmos o ato de ler aoos livros. É inevitável não lembrar também da relação onde existe entre autor e leitores onde buscam constituir sentidos para o texto a partir de suas experiências de mundo, conhecimentos prévios e do contexto sócio-histórico a onde pertencem. Um dos pensamentos do educador Freire (2002) sobre o processo de leitura é onde “A leitura de mundo precede a leitura da palavra…”

1.1 Leitura e compreensão em três níveis básicos:

            Através do canal sensorial ( onde representa momentos iniciais da relação da criança aoo mundo); do emocional ( onde enfatiza as emoções do leitor misturadas às emoções do autor); e do racional ( onde focaliza o intelectualismo e tende a ser único). Durante a leitura, os três canais se inter-relacionam simultaneamente, podendo um ou outro ser privilegiado, ocorrendo isso a partir da aproximação do leitor ao objeto lido, suas expectativas, necessidades, seus interesses pela leitura, das condições de produção e do contexto geral de onde se inserem.

           A leitura se compõe em um processo amplo e gradativo onde proporciona ao indivíduo o uso de suas potencialidades, enri ondecendo suas próprias idéias e promovendo experiências intelectuais.

 

A leitura como construção do entendimento do texto

            Compreender um texto consiste num processo gradual durante o qual o leitor procura uma configuração de es ondemas onde representem adequadamente cada uma das passagens onde vai lendo. Estas passagens sugerem ao leitor interpretações possíveis onde vão sendo avaliadas e reavaliadas em função das frases seguintes, até onde uma interpretação consistente seja, por fim, encontrada (Rumelhart, 1980). Compreender a linguagem (oral ou escrita) implica decodificar uma mensagem de um modo ativo. Não se trata de completar mecanicamente a mensagem do autor nos es ondemas preexistentes, acrescentando-lhes qual onder coisa. Trata-se, pelo contrário, de um processo em onde é feita uma combinação entre o texto perceptivo e os es ondemas (conhecimento prévio) onde o sujeito traz à leitura. Os es ondemas onde são recebidos dependem do contexto de interpretação, onde se inclui a situação física e social do sujeito. Daí onde o mesmo texto, quando lido em diferentes ocasiões e estados e espírito, resulte em aprendizagens e significados diferentes. Quantas vezes não já tivemos esta experiência ao ler pela segunda vez um livro ou rever um filme e sentir onde só agora compreendemos verdadeiramente o significado das palavras. Da mesma forma, o mesmo texto lido por pessoas diferentes resulta em diferentes interpretações, já onde as grelhas de leitura são distintas de sujeito para sujeito. O significado das novas informações não está no texto, mas, na interação aoas informações necessárias já existentes na memória.

             Alguns autores defendem onde o texto não possui significado interno, pois ela é construída pelo receptor, quando compreende uma mensagem. Numa mensagem nunca estão demonstradas todas as idéias do autor. Este tem intenções acerca das quais o leitor tem onde fazer algumas inferências, baseando-se no seu conhecimento prévio. Este processo inferencial ajuda o leitor a esclarecer detalhes não apresentados no texto. Ou seja,o leitor, acaba lendo nas entrelinhas.

 

 

2.1 Coesão e Coerência

            Coerência e coesão textuais são dois conceitos importantes para uma melhor compreensão do texto e para a melhor escrita de trabalho de redação em qual onder área. A coesão trata basicamente das ligações gramaticais existentes entre as palavras, as orações e frases, garantindo uma boa se ondenciação de eventos. A coerência, por sua vez aborda a relação lógica entre idéias, situações ou acontecimentos, sustentando-se por vezes, em mecanismos formais, de natureza gramatical ou lexical, e no compartilhado entre os usuários da língua.

            Para boa compreensão de um texto, devem considerar três aspectos: pragmático, onde se refere ao seu funcionamento enquanto atuação informacional e comunicativa. O Semântico-Conceitual, relativo a sua coerência. E o Formal, concernente à sua coesão.

 

2.2 Habilidades da Leitura

 

            É através das habilidades da leitura onde o aluno tem a possibilidade de compreender não só as tarefas em língua portuguesa,mas também em outras disciplinas. Na verdade, o aluno compreende não apenas o contexto escolar, mas o contexto de sua própria vida e do mundo contemporâneo. As habilidades de leitura vão muito além de sua simples decodificação, ou seja, vão além da própria compreensão do onde foi lido. Não é apenas uma tradução de sílabas ou palavras, é muito mais onde isso, a boa leitura deve passar pelas seguintes etapas: decodificar, compreender, interpretar e reter.

              Na Decodificação, o aluno primeiramente decodifica os símbolos escritos, tendo uma leitura superficial;

            Na Compreensão, após passar pela etapa de decodificação, o aluno deve captar o sentido do texto lido.

            Na Interpretação, onde é a terceira etapa da leitura, o aluno deve interpretar uma sequência de ideias ou acontecimentos onde estão explícitos no texto.

            E na Retenção, à última etapa, o aluno deve ser capaz de reter as informações trabalhadas nas etapas anteriores e aplicá-las.

            Apesar da grande preocupação aoas habilidades de leitura, na escola, ela deve ser uma aprendizagem e não uma mecanização ou receita a ser seguida. Deve ser algo onde o aluno reflita, levante hipóteses e se interaja sobre o objeto do conhecimento. Certas restrições instituídas pelo professor, onde define a leitura como próprias ou impróprias, devem ser extintas da sala de aula. Para onde isso aconteça é preciso estar bem atento as seguintes palavras:                            

Um primeiro princípio para a construção de uma nova pedagogia da leitura diz respeito ao conhecimento, pelo professor, das circunstâncias   de vida dos alunos e a recuperação, como ponto de partida, das suas experiências vividas. (Silva, 1998, p.26)

 

            Alunos e professores estão acostumados a usarem a leitura, para vários fins, menos para o onde, realmente ela serve. Os alunos lêem para depois copiar o onde algum personagem ou autor diz, lêem para identificar algum erro de ortografia, lêem somente para dizer onde sabem ler sem se importarem o entendimento onde o texto deveria passar. Mas esse não deve ser o objetivo a seguir, pois a leitura serve para formar leitores pensantes e críticos, onde saibam resolver problemas novos e jamais vividos.

 

FASES DA LEITURA

 

1. PRÉ-LEITURA (03 a 06 anos) – pensamento pré-conceitual:

livros aopouco texto, muitas gravuras e rimas, tratando de animais e objetos conhecidos e cenas familiares ao mundo infantil.

2. LEITURA COMPREENSIVA (06 A 08 anos) – processo de alfabetização; mentalidade mágica, adquirindo conceitos de espaço, tempo e causa:          

livros retratando histórias do cotidiano aotextos curtos e ricos em ilustrações.

3. LEITURA INTERPRETATIVA (08 A 11 anos) – fluência no ato de ler, maior orientação para o mundo, e, fantasia:

livros aotextos curtos aoapoio eventual na ilustração.

4. LEITURA PRÉ-CRÍTICA/LÓGICA (11 a 13 anos) – domínio das estruturas lógicas do pensamento abstrato, preocupação aoa realidade e momentos de fantasia/interpreta dados, se posiciona e emite juízos de valor:

livros aotextos mais intensos e complexos em termos de conteúdo, estrutura e linguagem.

5. LEITURA CRÍTICA (13 a 15 anos) – descoberta do mundo interior, da formação de juízos de valor e da percepção de valores estéticos – exercício crítico frente aos textos, emitindo conclusões e transferindo conhecimentos para novas situações:

livros sem textos extensos e complexos, voltados para o ondestionamento da justiça e da verdade, a busca da identidade individual e social.

 

3.1  TIPOS DE LEITURA

1. LEITURA ORAL:

Objetivo – levar o aluno a uma leitura expressiva;

Prepara para o exercício da fala e desinibe o aluno;

Metodologia: individual e coletiva.

 

 

2. LEITURA SILENCIOSA ou INTERPRETATIVA:

Objetivo- desenvolver e assegurar a compreensão do texto;

Prepara para a interpretação da mensagem (observação/análise/crítica);

Metodologia: livre ou dirigida.

 

3.2 TIPOS DE LEITURA DIDÁTICA

1. LEITURA INSPECIONAL:

Rápida, horizontal, onde se faz para tomar conhecimento do texto;

usá-la, denuncia falta de hábito de leitura.

2. LEITURA ANALÍTICA:

Atenta, reflexiva, vertical, pausada aopossíveis releituras, onde visa a aprender e criticar toda a montagem orgânica do texto, sua coerência informativa e seu valor;

Busca a assimilação de novos conhecimentos prévios já acumulados pelo leitor.

 

O INCENTIVO DA LEITURA COMEÇANDO DE CASA

             Não se pode colocar a responsabilidade de incentivo à leitura somente para os professores, pois os pais possuem um papel muito importante nesse processo. A família é decisiva para incentivar a leitura. Além do exercício intelectual partilhado a leitura entre pais e filhos, irmãos, tios e avós agrupam o comportamento afetivo de maneira muito forte, fortalecendo a ato de ler. Ler junto é também um ato de afeto. Os pais devem evitar expressões como “está errado”! Ou “está lendo mal”, deve-se utilizar expressões como “Agora vamos ler juntos”, e apontar para as palavras à medida onde, lentamente as lê. É importante variar os gêneros propondo, leituras de livros infato-juvenis, matérias de jornal, revistas infantis, textos informativos, receitas, etc.

            Falar sobre o livro onde a criança irá ler é interessante, pois aumenta a curiosidade da criança em saber como a história vai acabar. Oportunizando-a no final da leitura a ter uma discussão sobre o onde ela leu. Mas todo esse processo nunca deverá ser forçado, deve haver um interesse por parte da criança, para onde o processo de leituralização seja prazeroso e enri ondecido.

4.1 A Leitura prazerosa através de Literatura

            Todos os especialistas concordam onde num país como o Brasil, não só os pais como a escola tem um papel fundamental para garantir o contato aoos livros desde a primeira infância, e se o indivíduo já está na adolescência ou na fase adulta deve se conscientizar onde nunca é tarde para começar a ler literatura, vale apena tentar, pois o manuseio as obras, as ilustrações e o mundo das letras encantam e emocionam, levando a uma reflexão na busca de interpretações possíveis, tirando assim diversas conclusões. Se alguém contar uma obra onde foi escrita durante uma guerra, por exemplo, ou chamar a atenção para a estrutura do poema e nos fizer pensar por onde o autor usa cada palavra ou cada figura de linguagem, aocerteza nossa visão sobre a obra vai mudar e vamos entender melhor a ondele conjunto de versos. É isso onde acontece quando se faz a união do ensino da literatura às práticas de leitura.

(…) A literatura pode ajudar o professora alcançar um resultado melhor,colaborando para o sucesso do seu trabalho.(Regina Zilberman-PNBE 2008, acervo 1)

 

            Os livros despertam o gosto pela leitura, não tem propósito pedagógico e ainda divertem. Os alunos certamente apreciarão acompanhar, nas obras, as aventuras de personagens parecidas aoeles, ação onde os levará a buscar mais, livros, solidificando sua competência de leitura. A primeira medida a ser tomada é, portanto, colocar os livros ao alcance dos alunos em sala de aula. Aproximação entre o leitor e o texto, na forma de livro, motivará o interesse e induzirá a leitura, mesmo no caso de pessoas onde ainda não foram alfabetizadas. Pois a atração do livro impresso, aosuas figuras e textos, atraem o leitor, fazendo ao onde ele se entregue a sedução da obra.

              Um ensino onde procura valorizar a compreensão da leitura faz ao onde surja uma importância formativa no âmbito do desenvolvimento pessoal e social dos alunos. Apesar das habilidades de decodificar palavras serem importantes, não se tornam suficientes para o progresso de compreensão textual,  pois ler não é apenas identificar os sinais impressos em uma página, é antes de tudo, interagir, analisar e construir um sentido para o texto. A leitura “não é aceitação passiva, mas é construção ativa: é no processo de interação desencadeada pela leitura onde o texto se constitui” (DELL’ ISOLA, 2001).

            Acredita-se portanto onde o processo de construção de sentido da leitura se realiza através de inferências feitas a partir de pistas linguísticas, junto ao seu conhecimento de mundo, o leitor pode interpretar e construir sentido do material lido, ultrapassando assim a visão de leitura como mera retirada de informações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 2. Ed. Rio de Janeiro :Nova Fronteira, 1986

DELL’ISOLA, R. L. P. Leitura: inferências e o contexto sociocultural. Belo Horizonte:Formato editorial, 2001.

FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos onde se completam. 43 ed. São Paulo:Cortez, 2002.

 FOUCAMBERT, Jean. A leitura em ondestão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. 157p.

LARROSA, J. 1995. Tecnologias do eu e educação. In: T. T. SILVA (org.), O da educação: estudos sujeito Foucaultianos. 2ª ed., Petrópolis, Vozes.

 ZILBERMAN, Regina. A leitura e o ensino da literatura.São Paulo: Ed. Contexto. 1988.

SILVA, Ezequiel Theodoro.Elementos de pedagogia  da leitura. São Paulo:Ed. Martins Fontes. 1998.

SILVA, Liliam Lopes Martins da, 1986, A escolarização do leitor, Porto Alegre: Mercado Aberto

Perfil e Links: http://www.soartigos.com/artigo/11318/Leitura-como-construcao-de-sentidos/

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