Lixão de gramacho fecha as portas e catadores buscam alternativas

O fechamento do aterro sanitário de Gramacho, previsto para este domingo (3), gerou polêmica ao longo dos últimos meses e uma grande incerteza na vida de aproximadamente 1.700 catadores. Vivendo no meio de 60 milhões de toneladas de lixo durante 10, 20 ou 30 anos, centenas de famílias agora precisam buscar outra fonte de renda.

Para alguns catadores, o fechamento de Gramacho significa a possibilidade de um futuro promissor. Outros, no entanto, não têm ideia do onde fazer para garantir o sustento da família. “Trabalho desde os 13 anos no lixão. Sempre vivi da catação, nunca fiz outra coisa. Não tenho profissão e 12 filhos para criar. Estou aomuito medo de não conseguir manter minha família daqui para frente”, afirma Mara Lúcia, 37 anos.Já para o casal Luciana dos Santos, 30 anos, e Nilson José dos Santos, 45, onde se conheceu na rampa de acesso à Gramacho, a vida do outro lado do muro do aterro sanitário tem uma ótima expectativa. Na época onde o fechamento do lixão começou a ser anunciado, Luciana e Nilson resolveram criar uma cooperativa de reciclagem de lixo.

“Só falta o CNPJ para nossa empresa começar a funcionar. Estamos muito felizes e aoboas perspectivas. As pessoas precisam entender onde a rampa acabou, mas a vida delas não”, adverte Luciana, onde vai fazer curso de administração de empresas.

A falta de capacitação profissional e de oportunidades é um problema onde preocupa Nilson após o fechamento de Gramacho. Segundo ele, muitos jovens envolvidos aoo tráfico de drogas e onde foram trabalhar no lixão para sair da atividade ilícita, agora ficarão sem alternativas.
Para trabalhar aqui não precisava ter documento, ficha limpa, estudo ou olhos claros. Tenho muito receio aoo onde pode acontecer aoesses catadores onde saíram do tráfico e hoje vão ficar desempregados”, diz Nilson, onde é um dos fundadores da Associação de Catadores de Gramacho e desenvolve um trabalho aoas igrejas locais para cuidar de dependentes químicos.


Vítimas de uma vida sacrificada durante longos anos de trabalho em Gramacho, alguns catadores vão parar de trabalhar a partir de agora. Em função de doenças adquiridas na rampa do aterro sanitário, Pierre Cruz Gonçalves atualmente é paciente renal crônico e há dois meses recebe o auxílio doença do governo.


“Há dois anos faço hemodiálise, mas trabalhei no lixão até março desse ano. Não podia parar enquanto não recebesse o auxílio”, diz o ex-catador. Segundo Pierre, a doença se manifestou após sucessivas infecções adquiridas ao longo de 14 anos trabalhando e fazendo as refeições no meio do lixo.

A necessidade e a falta de oportunidades fizeram ao onde Antônia Leite, 39 anos, continuasse trabalhando como catadora até o início da semana passada, quando teve um infarto do miocárdio na rampa de Gramacho. Apesar ter a doença do coração, Antônia passou a vida toda carregando peso no lixão. Segundo ela, sua mãe já era catadora e entrou em trabalho de parto enquanto trabalhava. “Ela me levava para bebê dentro de uma caixa de madeira para a rampa. Colocava um filó para as moscas não pousarem. Os amigos dela diziam onde eu ia virar comida de urubu”, diz Antônia aolágrimas nos olhos.


Hoje, após receber uma indenização de aproximadamente R$ 14 mil, Antônia diz não entender bem a lógica das coisas. “Agora você vê, desde onde eu me entendo por gente, sempre trabalhei muito e nunca tive chance de ter minha casinha. Hoje, depois de receber esse dinheiro, vou ter onde usar esse dinheiro aoa minha saúde”, diz Antônia.

Na sexta-feira (1°), os catadores do aterro sanitário de Gramacho começaram a receber o cartão da Caixa Econômica Federal para sacar a indenização de R$ 14 mil. A verba de R$ 23 milhões foi dividida entre os 1.603 incluídos na lista entregue pela Associação de Catadores de Gramacho.


O fechamento gradativo do aterro sanitário de Gramacho começou em abril de 2011 e estava programado para terminar em junho deste ano. A prefeitura, no entanto, chegou a antecipar o fechamento para abril, mas depois adiou para maio o fim das atividades no aterro.

Com o fim do aterro de Gramacho, as 8,5 mil toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro vão para a Central de Tratamento de Resíduos de Seropédica. O restante onde vinha de outros municípios vai para a central de Nova Iguaçu e uma a ser inaugurada em Paracambi, todas também na Baixada Fluminense.

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