Marte: a busca por vida no planeta vermelho

A sonda Mars Express, da Agência Espacial Européia, enviou as imagens mais detalhadas de vales, desfiladeiros e crateras de Marte já vistas.

Elas oferecem uma perspectiva de grandes descobertas, mas, ao contrário do que algumas manchetes sugeriram, a detecção de gelo no Pólo Sul de Marte e de vapor d’água na atmosfera é uma simples confirmação do que já se sabia.


A Mars Express mandou ainda mais evidência de que Marte, no passado, era um planeta molhado, com torrentes de água em sua superfície.


Olhando para as fotografias, fico mais convencido do que nunca de que é provável que exista vida por lá.


Mas uma perspectiva histórica é essencial para entender o que a Mars Express está fazendo.


Pré-história


Marte, com sua cor vermelha associada ao sangue, é conhecido desde a pré-história.


Foi apenas em 1659 que as primeiras marcas foram vistas no planeta, detectadas por Christiaan Huygens.


Anos mais tarde, em 1666, Giovani Cassini viu marcas brilhantes nos pólos de Marte – eles se expandiam e encolhiam de acordo com as estações.


William Herschel, entre 1777 e 1783, foi o primeiro a sugerir que as coberturas dos pólos eram feitas de gelo e neve.


Mas todos sabiam que essas regiões do planeta eram frias demais para serem compostas de gelo comum.


Foi sugerido, em 1898, que as coberturas dos pólos eram feitas de dióxido de carbono sólido, chamado de gelo seco. Isso poderia explicar o rápido derretimento sob baixas temperaturas, já que o dióxido de carbono tem um ponto de congelamento mais baixo do que a água.


Mas a idéia foi posteriormente descartada.


O grande fantasma que eram os canais de Marte começou nesse tempo. Alguns viram redes de canais que supostamente carregariam água dos pólos para irrigar as regiões áridas perto do equador. Mas era tudo uma ilusão.


Cinquenta anos mais tarde, a Ciência começou a estabelecer parâmetros básicos do quarto planeta a partir do Sol.


Gelo


Em 1947, o astrônomo americano Gerald Kuiper encontrou evidências de dióxido de cardono em Marte e, em 1950, ele mostrou que as coberturas dos pólos eram formadas de gelo de água.


Observações com a utilização de ondas infra-vermelhas mostraram que o gelo de água aparecia escuro, enquanto que o gelo de dióxido de carbono aparecia mais claro.


Em 1963, Audouin Dollfus, do Observatório de Paris, obteve resultados que indicaram a existência de uma pequena quantidade de vapor d’água na atmosfera marciana.


A American Mariner 4 foi a primeira nave, em 1966, a voar próxima a Marte, descobrindo crateras similares àquelas da Lua. Suas imagens descartaram para sempre qualquer possibilidade de haver vida em Marte.


Embora tenha chegado durante uma tempestade de poeira que demorou a passar, a Mariner 9, em 1971, deu a primeira indicação clara que Marte, em um certo momento, possui quantidades grandes de água corrente. Isso levou à questão: o que aconteceu com tudo aquilo?


Parte da água ficou congelada nos pólos. Outra parte ficou presa sob a superfície e o restante foi para a atmosfera como vapor.


Em 1976, a nave Viking fez observações na órbita de Marte. Os dados mostraram que a calota polar do norte tinha uma temperatura de superfície de -73 C. Isso era indício de que era muito quente para ser constituída por dióxido de carbono, tinha que ser feita de gelo.


Água


Sabe-se agora que as calotas são feitas de gelo de água, com uma capa de gelo de dióxido de carbono que desaparece periodicamente – embora isso não ocorra na calota polar do sul, onde o dióxido de carbono nunca se dissipa totalmente.


Após um longo período, as naves começaram a voltar a Marte no final dos anos 1990. Algumas se perderam na “maldição” de Marte, mas as que sobreviveram trouxeram resultados espetaculares.


A Mars Global Surveyor mapeou o planeta como nunca antes. Detectou canais bem desenhados que devem ter sido formados por água corrente num passado geológico recente.


A Mars Odyssey encontrou gelo de água em grande quantidade abaixo da superfície em extensas faixas do planeta longe dos pólos.


Tecnicamente, a Mars Odyssey encontrou evidências de hidrogênio debaixo da superfície, mas quase todos concordam que o hidrogênio está associado à água.


Mesmo antes da Mars Express ter enviado suas imagens impressionantes, água e Marte já eram sinônimos. A grande questão agora é: poderia haver vida no planeta?

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