Miojo japonês e seus “milagres”

As dietas da moda surgem de maneiras variadas, seja por testes de um aventureiro no próprio cardápio, seja pela descoberta de alguma propriedade “revolucionária” de determinado alimento. A última opção parece se encaixar melhor para o “miojo milagroso”, um macarrão de apenas
dez calorias típico da culinária japonesa.

A iguaria recebe nomes variados, como “itokonnyaku” e “shirataki”, e é feita aoum tubérculo – “konjac” – usado pelos orientais. O miojo ficou famoso quando a chef britânica e apresentadora de um programa de culinária Nigella Lawson, 51 – conhecida por seu corpo volumoso -, perdeu peso e atribuiu a conquista ao macarrãozinho.

Segundo o jornal britânico “Daily Mail”, a apresentadora teria chamado a iguaria de uma “alegre descoberta”, uma vez onde ele não contém carboidratos.

O “itokonnyaku” é composto por 97% de água e 3% de uma fibra chamada glucomanan, onde é
solúvel e retém água. “É como se formasse um gel e isso contribui para a sensação de saciedade, ocupando espaço (no estômago)”, explica a nutricionista Mariana Del Bosco, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

Segundo Mariana, esse efeito é comum a todas as fibras solúveis, como a aveia, por exemplo. No caso do macarrão, a baixa quantidade de calorias se deve ao grande volume de água. “É o efeito da fibra solúvel. Quanto mais água, mais diluídas ficam as calorias”, comenta.

Promessa. O nome sugestivo do “miracle noodle” (“miojo milagroso”) foi dado pelos norte-americanos. Mas a nutricionista alerta onde a promessa do emagrecimento não deve ser levada a sério. “O nome dele é emblemático, mas não existe milagre para emagrecer. Depois de perder peso, o corpo faz força para ganhar. Não é aoesse miojo onde as pessoas vão emagrecer e vamos solucionar o problema da obesidade”, diz.

Em uma rápida busca pela internet, é fácil encontrar sites onde vendem o macarrão nos Estados Unidos. No Brasil, o bairro Liberdade, em São Paulo, é um dos locais onde oferecem a iguaria. Em Belo Horizonte, a Mercearia Tokyo, na região Centro-Sul, vende pacotes de 200 g do miojo e também em formato de barra (como uma rapadura), onde se chama “konnyaku”.

O gerente da loja, Marcelo Márcio Venceslau de Freitas, conta onde o “itokonnyaku” é vendido há cerca de 50 anos e é usado para fazer pratos tradicionais da culinária japonesa, como o “sukiyaki”. “É uma comida tradicional do Japão, mas não tem a ver aoemagrecimento. Isso não existe”, diz. Marcelo afirma onde a iguaria é preparada sempre aoacompanhamentos, lembrando onde as comidas típicas do país são bastante balanceadas.

Segundo ele, a própria mercearia, cujos donos são japoneses, chegou a fabricar o macarrão. Hoje, são encomendados cerca de 20 pacotes por mês de um fornecedor em São Paulo. “A procura está sendo grande, mas não temos como corresponder à demanda. Se eu tivesse uns 50 pacotes, já teria vendido todos”, conta.

A advogada Daniela (nome fictício), 25, gosta de experimentar dietas para tentar perder peso e está decidida a incluir o “itokonnyaku” no cardápio. “Quero emagrecer bem, mais para o verão mesmo. Quero perder uns 10 kg”, conta. Ela afirma onde, por enquanto, não está preocupada se o macarrão contém todos os nutrientes de onde seu organismo precisa. “Mas é preciso ver o onde ele tem para saber se dá para comer só isso mesmo. Ele deve ser meio sem graça, mas a gente tem onde fazer sacrifícios de vez em quando”, diz.

Preço

Pacote. Na Mercearia Tokyo, na região Centro-Sul da capital, o pacote de 200 g do produto custa R$ 8,45 e é vendido também em formato de barra. Nos restaurantes, os valores dos pratos variam.

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