Novos conceitos de utilitários surgem no salão de paris

Clima de incertezas não é o melhor pano de fundo para um salão de automóveis. O Mondial de l’Automobile (de 4 a 19 de outubro), como os franceses chamam sua exposição que em 2008 completou 110 anos, conseguiu manter a atmosfera festiva, apesar da crise financeira mundial. A indústria européia terá que lidar com mais esse empecilho nos próximos meses, além das crescentes preocupações ligadas à questão ambiental.

A vida se tornará mais árdua para os fabricantes que continuam apostando nos utilitários esporte (SUV) e nos tradicionais. Tudo em função do controle do nível de emissões de gás carbônico (CO2), um dos que colaboram para o aquecimento global. Veículos pesados ou de muita potência consomem mais combustível e, por conseqüência, emitem maior volume de CO2. Os europeus decidem em novembro se o limite de referência será mesmo de 130 g/km, a partir de 2012. Isso apesar de a frota mundial de automóveis responder por apenas 10% da emissão mundial de gases de efeito estufa, que se tornou idéia fixa para os europeus.

Não será proibido, claro, produzir e vender esse tipo de veículo, porém terão de pagar mais imposto. A França, um dos maiores mercados na Europa para os 4×4, saiu na frente e estabeleceu uma política de taxação escalonada em sete níveis, já este ano, aplicável a todos os segmentos. Criou-se um bônus de até 5.000 euros (R$ 15.000,00) para modelos que conseguirem chegar ao mínimo de 60g/km de CO2. Na outra ponta, haverá um ônus de 2.600 euros (R$ 8.000,00) para os que ficarem acima de 250 g/km.

A tendência, portanto, será de lançar utilitários e crossovers menores e mais leves. Continuariam a oferecer tração total, de série ou opcional, porém com motores econômicos (diesel na Europa) ou com potência reduzida e também soluções híbridas (motores a combustão e elétrico). Sem dispensar recursos como desliga-liga o motor em congestionamentos e recuperação de energia em freadas. Os crossovers que misturam estilos – SUV, station e monovolume – terão sua oferta aumentada porque aproveitam as estruturas monoblocos menos pesadas dos automóveis.

Veja um panorama do mundo 4×4 no Salão de Paris 2008

Toyota Urban Cruiser

Apresentando sem muitas informações no Salão de Genebra, em março último, o Urbain Cruiser é menor que um RAV4, mas seu aspecto fora-de-estrada resvala para o sutil. As dimensões, só reveladas em Paris, são realmente compactas – 3,93 m de comprimento, 1,72 m de largura e 1,540 m de altura. Menor que um Daihatsu Terios, a Toyota pretende vendê-lo na Europa, a partir de maio de 2009, inicialmente apenas com tração total, do tipo sob demanda. Motores serão a diesel, 1,4 l/90 cv (4×4, igual ao sistema do RAV4) e a gasolina, 1,3 l/101 cv (tração dianteira). A marca japonesa garante que poderá alcançar 133 g/km de CO2.

Porsche Cayenne S Transyberia

Este está na ponta oposta das emissões. Com vendas na Europa a partir de janeiro, a versão especial do consagrado Cayenne é uma referência às vitórias (2006/07) do modelo alemão no épico Rallye Transiberiano. Diferencia-se pelos elementos decorativos, faróis no teto, pintura diferenciada bicolor e proteções extras para motor, diferencial traseiro, tanque de combustível, além de uma segunda argola para guincho. A potência subiu de 385 cv para 405 cv. O diferencial central, que reparte a força de forma fixa em 62% para as rodas traseiras e 38% para as dianteiras, agora é variável em função do terreno. Mas, a Porsche ainda não informou de a quanto chegaria essa variação automática.

BMW X1

Apresentado como carro conceito – embora pareça definitivo –, o quarto representante da marca bávara da série X de tração total só será lançado no final de 2009. O X1 é o menor deles em comprimento: 4,45 m. O porte é o mesmo do Tiguan que a Volkswagen promete importar nos próximos meses. A fábrica não informou motorização nem outros pormenores técnicos, mas as rodas no protótipo exposto tinham 19 pol de diâmetro. A tração deve permanecer a xDrive, sem caixa redutora. Este utilitário esporte com jeitão de crossover mantém a aparência tão bonita como discreta dos BMWs. Os faróis são nitidamente inspirados no renovado sedã topo de linha Série 7, estreante mundial em Paris.

Mini Crossover

A subsidiária inglesa da BMW apresentou um crossover de fato conceitual, mas tudo indica tratar-se da quarta versão do tradicional Mini, marca a ser oficialmente importada para o Brasil em 2009. Falta definir muita coisa, mas terá tração 4×4, porte nitidamente maior e bem diferente dos outros Minis (mais de 4 m de comprimento). A começar pela altura de 1,59 m e o vão livre típico de um utilitário esporte. O teto solar recua como as antigas versões de lona. As portas traseiras apresentam soluções individuais. Do lado do motorista, correm lateralmente; do outro lado, abrem da forma convencional. O interior, com quatro bancos idênticos, destaca-se pela criatividade. Os bancos traseiros deslizam e no centro do painel há uma esfera tridimensional multifunção. Pelo que se viu em Paris, precisa de pelo menos dois anos até entrar em produção.

Peugeot Prologue

Trata-se da visão antecipada do Peugeot 3008, um monovolume crossover com estilo mais próximo possível de um utilitário esporte urbano e, portanto, com vão livre do solo relativamente baixo. É uma resposta ao sucesso do Nissan Qashqai. O conceito apresentado usa a arquitetura do 308, adotando a solução híbrida e um layout 4×4 diferenciado. O motor a diesel traciona as rodas dianteiras e outro, elétrico, propulsiona as rodas traseiras. Dessa forma simplifica-se toda a transmissão, sem diferencial central ou distribuição mecânica de força entre os eixos. A Peugeot, no entanto, contará com uma versão convencional de tração dianteira. Os híbridos com motor diesel são muito caros e mesmo com incentivo fiscal será difícil amortizar o preço inicial.

Jeep na onda elétrica

A Divisão Jeep, da Chrysler LLC, também foi incluída na decisão anunciada em setembro, nos EUA, de inserir a companhia em um novo programa de veículos elétricos de autonomia estendida. O escolhido foi o Wrangler por sua proximidade de interação com a natureza, explicou a empresa. Dentro de dois a três anos receberá um motor elétrico de 200 kW (268 cv) e torque excelente de 41 kgf.m, com autonomia de 60 km, só utilizando a energia armazenada em uma bateria de íon de lítio. Um pequeno motor a combustão recarregará automaticamente a bateria e, desse modo aumentará a autonomia para 600 km, consumindo apenas 30 litros de gasolina.

Também se desenvolverá uma versão 4×4 por meio de pequenos motores elétricos, um para cada roda. O torque muito elevado e instantâneo desse tipo de motor permite um controle preciso e independente, o que resulta em capacidade fora-de-estrada típica de um Jeep, sem comprometer a utilização em piso asfaltado.

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