O que é caratê

Caratê




O caratê (português brasileiro) ou caraté (português europeu) [1] (em japonês 空手, karate, ou 空手道, karate-dō, “caminho da mão vazia”), é uma arte marcial desenvolvida a partir do kenpō chinês[2] (em particular o kung fu da China meridional) e de métodos autóctones de lutas das ilhas Ryūkyū[3]. O caratê é predominantemente uma arte de golpes, como pontapés (chutes), socos, joelhadas e cotoveladas e golpes com a palma da mão aberta. Bloqueios de articulações, lançamentos e golpes em áreas vitais também são ensinados, dependendo do estilo. Um praticante de caratê é denominado “carateca”.


O karatê é uma forma de budo (武道, caminho marcial), enfatizando as técnicas de percussão atemi waza (como defesas, socos e chutes) ao invés das técnicas de projeções e imobilizações. O treino de caratê pode ser dividido em três partes principais: Kihon, Kata e Kumite.



  • Kihon (基本, “fundamentos”) é o estudo dos movimentos básicos.
  • Kata (型, “forma”, “padrão”) é uma espécie de luta contra um inimigo imaginário expressa em seqüências fixas de movimentos.
  • Kumite (組手, “encontro de mãos”) é a luta propriamente dita. Em sua forma mais básica é combinada (com movimentos predeterminados) entre os lutadores para, posteriormente, alcançar o jyu kumite (combate livre ou sem regras). A forma desportiva, ou combate com regras, é conhecida como Shiai-kumite.


História


Originalmente a palavra caratê era escrita com os ideogramas 空手 (“mãos vazias”) se referindo à dinastia chinesa Tang ou, por extensão, a mão chinesa, refletindo a influência chinesa nesse estilo de luta.


O caratê é provavelmente uma mistura de uma arte de luta chinesa levada a Okinawa por mercadores e marinheiros da província de Fujian com uma arte própria de Okinawa. Os nativos de Okinawa chamam este estilo de Okinawa-te (“mão de Okinawa”). Os estilos de caratê de Okinawa mais antigos são o Shuri-te, o Naha-te e o Tomari-te, assim chamados de acordo com os nomes das três cidades em que eles foram criados.


Em [1820] Sokon Matsumura fundiu os três estilos e criou o estilo shorin (pronuncia japonesa para a palavra chinesa shaolin), que é também a pronúncia dos ideogramas 少林 (“pequeno” e “bosque”). O nome shorin foi dado posteriormente, por Choshin Chibana, ao estilo idealizado pelo mestre Mastumura. Entretanto os próprios estudantes de Matsumura criaram novos estilos adicionando ou subtraindo técnicas ao estilo original. Gichin Funakoshi, um estudante de um dos discípulos de Matsumura, chamado Anko Itosu, foi a pessoa que introduziu e popularizou o caratê nas ilhas principais do arquipélago japonês.


O caratê de Funakoshi teve origem na versão de Itosu do estilo shorin-ryu de Matsumura que é comumente chamado de shorei-ryu. Posteriormente o estilo de Funakoshi foi chamado por outros de shotokan por seu apelido shoto; o kanji kan (館) significa prédio ou construção, e portanto shotokan significa “Prédio de Shoto”. O estilo shotokan foi popularizado no Japão e introduzido nas escolas secundárias antes da Segunda Guerra Mundial.


Como muitas das artes marciais praticadas no Japão, o caratê fez a sua transição para o karate-do no início do século XX. O do em karatê-do significa caminho, palavra que é análoga ao familiar conceito de tao. Como foi adotado na moderna cultura japonesa, o caratê está imbuído de certos elementos do zen budismo, sendo que a prática do caratê algumas vezes é chamada de “zen em movimento”. As aulas frequentemente começam e terminam com curtos períodos de meditação. Também a repetição de movimentos, como a executada no kata, é consistente com a meditação zen pretendendo maximizar o autocontrole, a atenção, a força e velocidade, mesmo em condições adversas. A influência do zen nesta arte marcial depende muito da interpretação de cada instrutor.


A modernização e sistematização do caratê no Japão também incluiu a adoção do uniforme branco (quimono ou karategi) e de faixas coloridas indicadoras do estágio alcançado pelo aluno, ambos criados e popularizados por [Jigoro Kano], fundador do [judô]. Fotos de antigos praticantes de caratê de Okinawa mostram os mestres em roupas do dia-a-dia.


durante a Segunda Guerra mundial, o caratê tornou-se popular na Coréia do Sul sob os nomes tangsudo ou kongsudoquando a pratica do taekwondo foi proibida pelos japoneses apos sua invasão.



Graduação


As artes marciais provenientes do Japão e Okinawa, apresentam uma variedade de títulos e classes de graduações. O sistema atual de graduação de faixas coloridas é o mais aceito; Antes disso, muitos métodos distintos eram usados para marcar os vários níveis dos praticantes. Alguns sistemas, recorriam a três tipos de certificados para seus membros:



  • Shodan: significando que se havia adquirido o status de principiante.
  • Chudan: significava a obtenção de um nível médio de prática. Isso significava que o indivíduo estava seriamente comprometido com sua aprendizagem, escola e mestre.
  • Jodan: a graduação mais alta. Significava o ingresso no Okuden (escola, sistema e tradição secreta das artes marciais).

Se o indivíduo permanecia dez anos ou mais junto ao seu mestre , demonstrando interesse e dedicação, recebia o Menkyo, a licença que permitia ensinar. Essa licença podia ter diferentes denominações como: Sensei, Shihan, Hanshi, Renshi, Kyoshi, dependendo de cada sistema em particular. A licença definitiva que podia legar e outorgar acima do Menkio, era o certificado Kaiden, além de habilitado a ensinar, implicava que a pessoa havia completado integralmente o aprendizado do sistema.


O sistema atual que rege a maioria das artes marciais usando Kyu (“classe”) e Dan (“grau”) , foi criado por Jigoro Kano, o fundador do Judô. Kano era um educador e conhecia as pessoas, sabendo que são muitos os que necessitam de estímulos imediatamente depois de haver começado a praticar artes marciais. A ansiedade desse tipo de praticante não pode ser saciada por objetivos a longo prazo.


A graduação no caratê é importante para indicar o nível de experiencia dos praticantes, e é vista como sinal de respeito para os atletas menos graduados. Para demonstrar a graduação os caratecas usam uma faixa com uma cor na região da cintura. A ordem das cores das graduações variam de estilo para estilo mas como padrão, a faixa iniciante é a de cor branca.


Abaixo as cores de graduação do estilo tradicional Shorin-ryu, como um exemplo da progressão de graduação no caratê:



  • Branca (8º kyu)
  • Azul clara (7º kyu)
  • Amarela (6º Kyu)
  • Laranja (5º Kyu)
  • Verde (4º Kyu)
  • Azul Escura (3º Kyu)
  • Roxa (2º Kyu)
  • Marrom (1º Kyu)
  • Preta (1ºDan até 10ºDan)


Outro exemplo de graduação é a do estilo Shotokan:



  • Branca (7º kyu)
  • Amarela (6º Kyu)
  • Vermelha(5º Kyu)
  • Laranja (4º Kyu)
  • Verde (3º Kyu)
  • Roxa (2º Kyu)
  • Marrom(1º Kyu)
  • Preta/Negro (1ºDan até 9ºDan)


Na classificação de faixas coloridas, Kyu significa classe, sendo que essa classificação é em ordem decrescente. Na classificação de faixas pretas, Dan significa grau, sendo a primeira faixa preta a de 1º Dan, a segunda faixa preta 2º Dan e assim por diante em ordem crescente. Em um plano simbólico, o branco representa a pureza do principiante, e o preto se refere aos conhecimentos apurados durante anos de treinamento.



Estilos


No caratê há um grande número de estilos e escolas. Os mais conhecidos atualmente são Shotokan, a escola Shotokai, Shorin-ryu, Goju-ryu, Uechi Ryu e Shito-ryu. Todos eles criados na primeira metade do século XX. O Kyokushin (“verdade final”) é outro estilo muito popular, apesar de mais recente. Além desses, existem: Shobayashi, Matsubayashi-ryu, Kobayashi-ryu, Matsumura Seito e Matsumura Motobu. Desses se originaram estilos como Chito-ryu, Shorinji-ryu (Kempo) e Shorei-ryu. Outros estilos importantes incluem o Seido, Shudokan, Shukokai, Isshin-ryu e Shindo-jinen-ryu. Alguns mestres do caratê criaram estilos que são a combinação de vários estilos, como o JIKC (Japanese International Karate Center) ou o Kata shubu do ryu.


Assim, é possível relacionar a seguinte lista de estilos:






Estilo e escola


Em termos de artes marciais, há que se notar que a palavra Escola não tem o mesmo sentido empregado no uso comum. O caratê é uma arte marcial que se subdivide em diversos estilos, o Shorin-ryu sendo um dos mais antigos entre eles. Cada estilo (ryu) é uma forma particular de se praticar uma determinada arte marcial. Nesse sentido, membros de estilos diferentes terão nomes diferentes para golpes semelhantes, katas e kihons próprios, diferentes progressões de faixa e até mesmo metodologias de ensino variadas. O que une os diferentes estilos é a consciência de que são como galhos de uma mesma árvore, no caso a arte marcial em questão.[carece de fontes?]


As escolas (kan), por sua vez, são visões particulares de um determinado estilo. Muitas vezes elas se originam como tributos a Mestres muito graduados e, algumas vezes, acabam se transformando em estilos propriamente ditos, como foi o caso do estilo Shotokan, que deve ser mais corretamente chamado de Shotokan-ryu (uma vez que Shotokan seria a Escola de Shoto e Shotokan-ryu seria o Estilo da Escola de Shoto). Uma Escola, em termos de artes marciais, não é, portanto, um local de aprendizado de técnica, mas um conjunto de idéias dentro de um estilo. Os locais de aprendizado são chamados de Dojos, sendo estes filiados a alguma Escola. É neles que as pessoas aprendem Karate.[carece de fontes?]



Como desporto


O caratê também pode ser praticado como um esporte competitivo, muito embora não possua status de esporte olìmpico como o Judô e o Taekwondo. Isto se deve ao fato de que não há uma organização centralizadora para o caratê, assim como não existem regras uniformes entre os diversos estilos. A competição pode ser tanto de kumite como de kata e os competidores podem participar individualmente ou em grupo. Vale lembrar, no entanto, que o caratê é considerado como modalidade olímpica, reconhecida pelo COI em 1999, uma vez que está de acordo com a Carta Olímpica. A Organização Mundial de Administração que foi reconhecida é a Federação Mundial de Karatê.


Na competição de kata, pontos são concedidos por cinco juízes, de acordo com a qualidade da performance do atleta, de maneira análoga à ginástica olímpica. São critérios fundamentais para uma boa performance a correta execução dos movimentos e a interpretação pessoal do kata através da variação de velocidade dos movimentos (bunkai). Quando o kata é executado em grupo (usualmente, de três atletas), também é importante a sincronização dos movimentos entre os componentes do grupo.


No kumite, dois oponentes (ou duas equipes de lutadores) enfrentam-se por um tempo, que pode variar de dois a cinco minutos. Pontos são concedidos tanto pela técnica quanto pela área do corpo em que os golpes são desferidos. As técnicas permitidas e os pontos permissíveis de serem atacados variam de estilo para estilo. Além disso, o kumite pode ser de semi-contato (como no estilo Shotokan), ou de contato direto (como no estilo Kyokushin).


Tabela de pontuação utilizada pela Confederação Brasileira de Karatê-do (CBK), e entidades a ela filiadas:



  • Ippon (um ponto) – soco na área do abdome, do peito ou do rosto.
  • Nihon (dois pontos) – soco ou chute na área das costas; chute na área do abdome ou do peito, independentemente do oponente estar caído ou não; seqüência pontuável em que o oponente seja atingido com, pelo menos, dois socos, na área do abdome e/ou do peito e/ou do rosto; seqüência pontuável em que o oponente perca o equilíbrio (por si só, ou após receber uma técnica de varredura ou projeção), e seja atingido, logo em seguida, com um golpe pontuável (exceto chute na cabeça), desde que esteja caindo ou de costas.
  • Sanbon (três pontos) – chute na cabeça, com contato controlado (ou, dependendo da categoria em disputa, com aproximação de 5cm a 10cm, desde que o oponente não esboce reação), independentemente do oponente estar caído ou não; derrubar o oponente com técnica de varredura ou projeção e, num intervalo de até 3 segundos, aplicar uma técnica pontuável (exceto chute na região do abdome), desde que o oponente esteja completamente caído, sem chances de contra-atacar.

Há, ainda, confederações que utilizam tabela de pontuação semelhante a esta. Por exemplo, a Confederação Brasileira de Karatê-do Interestilos (CBKI), bem como as entidades filiadas à mesma, utilizam wazari (meio ponto – ○), para golpes chudan (altura do tronco); e ippon (um ponto – ●), para golpes jodan (altos), ou indefensáveis. Nesse sistema de luta, o combate termina quando o tempo expira ou quando um dos dois oponentes atinge três pontos (sanbon), daí o nome do sistema de disputa ser Shobu Sanbon (disputa por três pontos). Uma variação desse sistema é o Shobu Ippon (disputa por um ponto), onde vence aquele que conseguir um ippon ou dois wazari. Há, ainda, outra variação: Shobu Nihon (disputa por dois pontos), na qual vence aquele que obtiver dois ippon ou quatro wazari, mas esta última forma de disputa é mais utilizada para competições infantis.



Dojo kun


É o conjunto de cinco preceitos (kun) que são normalmente recitados no começo e no fim das aulas de caratê no dojo (local de treinamento). Estes preceitos representam os ideais filosóficos do caratê e são atribuídos a um grande mestre da arte do século XVIII, chamado Tode Sakugawa.



  • Hitotsu jinkaku kansei ni tsutomuru koto

    • Esforçar-se para a formação do caráter.


  • Hitotsu makoto no michi o mamoru koto

    • Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.


  • Hitotsu do ryoku no seishin o yashinau koto

    • Cultivar o intuito do esforço.


  • Hitotsu reigi o omonzuru koto

    • Respeito acima de tudo.


  • Hitotsu keki no yu o imashimeru koto

    • Conter o espírito de agressão.


Vocabulário



  • Dan: nível de faixas pretas
  • Kyu: nível de faixas abaixo da preta
  • Giaku golpe com a mão aposta à perna que está à frente
  • Oi: golpe com a mesma mão que a perna que está à frente
  • Sonoba: parado
  • Kimé: união de força mental e fisica
  • Gedan: zona baixa
  • Gohon Kumitê: trabalho com o adversário,em cinco passos
  • Hajimê: começar
  • Hikitê: puxar um punho ao quadril, enquanto o outro trabalha
  • Ippon kumitê: trabalho com o adversário, em um passo
  • Jodan: zona alta
  • Yoko: lateral
  • Mawashi: semi-círculo
  • Mae: frontal
  • Kamaê: colocar-se em posição
  • Kiai: união da respiração com a voz, momento em que se liberta o máximo de força e velocidade
  • Kihon: trabalho de todas as técnicas de deslocação
  • Hantai: dar meia-volta
  • Seizá: em posição para a saudação
  • Tchudan: zona média
  • Yamé: parar
  • Yoi: posição de espera , pronto para trabalhar
  • Keri ou Gueri: chute
  • Zuke: soco
  • Uke: defesa
  • Shuto: golpe com a mão aberta
  • Shotei: golpe com a palma da mão
  • Empi: golpe com o cotovelo
  • Hiza: golpe com o joelho
  • Cacato: golpe com o calcanhar
  • Hantei: decisão por bandeirada (votação dos árbitros auxiliares) de uma luta empatada
  • Hiki-Waki: empate
  • Nokachi: vitória
  • Shiro: competidor de branco, ainda usado em competições da FPKI e da CBKI
  • Aka: competidor de vermelho
  • Ao: competidor de azul
  • Dachi: posição das pernas (Exemplo: fudo-dachi, zunkutsu-sachi, shiko-dachi, ukiashi-dachi etc)
  • Ushiro: parte de atrás
  • Ashiro: golpe giratório
  • Tobi: golpe pulando
  • Moto no ichi: posição inicial
  • Shodan: primeiro (1º)
  • Nidan: segundo (2º)
  • Sandan: terceiro (3º)
  • Yondan: quarto (4º)
  • Godan: quinto (5º)
  • Nanandan: sétimo (7º)
  • Nihon: duplo
  • Sanbon: triplo
  • Yonbon: quádruplo
  • Gohon: quíntuplo

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