O que é o heliocentrismo?

Heliocentrismo



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Sistema Solar Heliocêntrico

Sistema Solar Heliocêntrico

O heliocentrismo é uma teoria científica que afirma ser o Sol o centro do sistema solar. Esta teoria foi proposta pela primeira vez pelo astrônomo grego Aristarco de Samos, mas só com Nicolau Copérnico e em especial com Galileu Galilei é que se tornou mais sustentada.


Na etimologia da palavra, temos como componente a palavra “hélio” que, no caso, se refere ao deus grego Hélios, e não ao elemento químico hélio – que é um elemento componente do Sol.



História


Alguns autores medievais já especulavam que a Terra era redonda, mas aceitavam erroneamente o geocentrismo como fora estruturado por Aristóteles e Ptolomeu. Este sistema – o geocentrismo – pregava que a Terra estava parada no centro do universo e os outros corpos orbitavam em círculos concêntricos ao seu redor. Na época, a Igreja Católica aceitava amplamente esse modelo, apesar de a esfericidade da Terra estar em aparente contradição com interpretações literais de algumas passagens bíblicas. Essa visão geocêntrica não era tradicional mas foi defendida por Ptolomeu, e foi abalada por Copérnico, que em 1514 começou a divulgar um modelo matemático em que a Terra e os outros corpos celestes giravam ao redor do Sol, teoria que não era novidade mas que carecia de fundamentos e demonstrações. Essa era uma teoria de tal forma revolucionária que Copérnico escreveu no seu de revolutionibus: “quando dediquei algum tempo à idéia, o meu receio de ser desprezado pela sua novidade e o aparente contra-senso, quase me fez largar a obra feita”. Até à revolução francesa a palavra “revolução” significa apenas “revolver”, sistema em que algo começa girando sobre algo (esta palavra no sentido que temos hoje foi usada pelo Rei Luis XVI de França).


O novo modelo era oportuno porque facilitava os cálculos para definir o posicionamento dos planetas no zodíaco e, por isso, começou a ser usado por pessoas interessadas no posicionamento dos astros no céu. Copérnico não difundiu o seu modelo, pois não havia forma de o fazer, nem seria a honesto. Apenas mostrou academicamente o seu novo modelo que foi bem aceite por resolver os problemas de cálculos celestes nas universidades todas elas católicas (como era normal até à época). Por outro lado, a maioria dos teóricos, inicialmente, achava ainda pouco provável que essas ideias representassem o que de fato ocorria no universo físico e a tese permaneceu um tabu nos estabelecimentos oficiais de ensino, pois não se deveria ensinar antes de prova feita, evidentemente. Em 1592, mesmo já tendo conhecimento dos trabalhos de Copérnico e possivelmente com receio das críticas, o próprio Galileu Galilei ensinou apenas as teses aristotélicas aos seus alunos de medicina na Universidade de Pádua (na altura a astrologia e a medicina eram campos oficialmente relacionados). Numa carta a Johannes Kepler em 1597, Galileu lamentou o destino “do nosso professor Copérnico, que embora tenha alcançado uma fama imortal perante alguns, foi ridicularizado e assobiado por uma multidão infinita (pois tão grande é o número dos idiotas)”. Este facto da-se porque a base científica da época era quase unicamente aristotélica, e qualquer pessoa poderia parecer ignorante sem demonstrar as suas teorias por via aristotélica, coisa que hoje acontece em relação à via positivista da ciência.


Mais tarde, entretanto, Galileu encontrou argumentos que sustentavam a teoria do heliocentrismo através de observações com o seu telescópio. Um desses argumentos foi a observação em 1604, 5 anos depois do seu primeiro telescópio, de aquilo a que hoje chamamos de uma Supernova. Galileu pensou que fosse uma nova estrela e chamou-lhe “Nova”. Quando passou a defender o heliocentrismo como uma verdade literal, isso lhe rendeu muitos problemas com a Igreja Católica, que, por razões principalmente teológicas, mas também por não haver ainda comprovação cabal do novo modelo, insistia que Galileu tratasse o heliocentrismo apenas como uma hipótese. Galileu Galilei não foi nunca condenado por defender o Heliocentrismo visto que nunca existiu posição da Igreja sobre esse assunto, tal como demonstram os registos históricos. A novidade de Galileu foi o método científico com que veio demonstrar várias questões que eram levantadas pelos académicos da época e que padeciam de resolução, entre essas teorias estava também o heliocentrismo versus geocentrismo.



Controvérsia com a Igreja Católica


É em torno da tese heliocêntrica que surge um dos pontos mais marcantes do relacionamento entre o Catolicismo e o conhecimento científico. Esta controvérsia é no fundo falsa porque ela não existe nem existiu a não ser como campanha dos defensores do positivismo, pois durante séculos a promotora da ciência foi unicamente a Igreja Católica que nunca defendeu a unica metodologia ciêntífica. Afirmar que o sistema que estava estabelecido era baseado no geocentrismo carece de provas, porque havia uma incerteza irresolúvel entre o modelo heliocêntrico e geocêntrico que colocava a Terra como estando parada no centro do universo. Mas, em 1514, Nicolau Copérnico começou a “divulgar” a hipótese de que era ao redor do Sol (teoria ja sobejamente conhecida durante os séculos anteriores, ela mesma divulgada pelos manuscritos salvos pelo cunho dos monges copistas), e não da Terra, que giravam os planetas. Copérnico baseou-se nas suas observações dos astros a olho nu. Não tinha qualquer prova decisiva. Nesse primeiro momento ainda não são encontradas críticas sistemáticas ao modelo por parte do clero católico (todos eram católicos e não era o clero que cuidava desses assuntos mas sim os “clérigos” do qual o próprio Copérnico fazia parte, tal como todos os intelectuais da época). Membros importantes da cúpula da Igreja ficaram positivamente impressionados pela nova proposta e insistiram que Copérnico publicasse um livro explicando mais detalhadamente suas idéias. Essa publicação acabou só acontecendo em 1543, pouco antes da morte do astrônomo e quase 30 anos depois do início da divulgação dessas teses ja conhecida. A Divulgação foi feita com a autorização eclesiástica e clerical da região.


Críticas sistemáticas de religiosos católicos contra o sistema Heliocêntrico surgiram apenas muitas décadas mais tarde, com Galileu Galilei, pois até essa época todos eram católicos, tanto os que defenderam o heliocentrismo como os que defenderam o geocentrismo. Convencido de que a hipótese de Copérnico era verdadeira, Galileu passou a sustentar aquela teoria, nomeadamente através da observação dos astros através do recém-inventado telescópio. Isso lhe rendeu muitos problemas com a Inquisição, assim diz o mito não comprovado por documento ou escrito algum. Num primeiro julgamento, a Igreja limitou-se a ordenar que Galileu continuasse apresentando o heliocentrismo como uma mera hipótese, tal como sempre o foi juntamente com o geocentrismo, que ainda precisasse de mais comprovação (a não ser que provas conclusivas surgissem).


Galileu conteve-se alguns anos, desviando os seus estudos para outros temas. Porém, quando foi eleito um novo Papa, seu amigo pessoal, de espírito mais aberto para a ciência, Galileu voltou a dedicar-se ao tema, mas Galileu somente tinha estado abstido de cometer a imprudência de fazer passar por prova o que não tinha sido provado e de cometer uma desonestidade intelectual e anticientífica. Num segundo julgamento, ele acabou sendo condenado à prisão (por tempo indeterminado), e viveu os nove últimos anos de sua vida em prisão domiciliar. Alem de este tema não ter a ver com heliocentrismo, pois a condenação do segundo processo encravou por Galileu ter escolhido temas teológicos e sacramentais para justificar teorias científicas cometendo graves erros teológicos (coisa que lhe levou a complicar todo o processo). Galileu continuou tendo acesso a instrumentos científicos e foi nesse período final que elaborou conceitos sobre o movimento dos corpos que são os fundamentos da dinâmica. A obra mais polêmica de Galileu foi colocada no Index, então um instrumento recém-criado para aprovar as obras que eram um bem público e que nada tinham de prejudicial à verdade e à estabilidade social. Além disso, de forma silenciosa, uma parte o poder clerical, não confundir com “eclesiástico”, fez com que a divulgação de seus outros textos fosse por um bom tempo impossível em grande parte dos países católicos. Os opositores clericais do geocentrismo, como era o caso do clérigo Galileu, até anos mais tarde foram obstacularizados pelos clérigos defensores do geocentrismo.


Galileu tornou-se a única pessoa já condenada pela Inquisição por ter defendido teses estritamente científicas e é um exemplo muito citado em debates que falem de “ versus ciência“, contudo tal coisa é um mito criado pelo positivismo e seus defensores, pois o segundo processo de Galileu complica com ordem à invocação de assuntos nao científicos e de ordem sobrenatural. Entretanto, esse evento envolve elementos muito mais complexos do que simplesmente uma controvérsia entre esses dois modos de ver o mundo que não são a visão completa defendida pela ciência que inclui a fé (como o fora em outros tempos). Foi a visão absolutista do positivismo que mais tarde veio querer impor uma ideia de “ciência” onde a Verdade não é o objectivo e onde a razão não pode mais ser um instrumento para a Verdade. A maioria dos cientistas da humanidade foram crentes e as verdades da Fé sempre foram vistas como revelações finais dos fins que a ciência busca compreender nos fenómenos físicos. Foi neste sentido que Galieu julgou ser possível explicar fenómenos físicos através da revelação Divina não seu processo inquisitório. Ora, como era sabido, é a ciência das coisas físicas que deve levar ao conhecimento das causas universais e Divinas, e não o contrário. Este é o complexo enredo que muitos não entendem por estarem completamente alheados do conceito de ciência antes da hegemonia positivista que limita a ciência a um conjunto restrito de uma ideologia ateia. Esta perspectiva positivista leva o comum dos mortais a aprender uma posição não científica contra a ciência e contra a fé, dificultando a leitura da história, contra as provas históricas e todo o trabalho cientifico que não seja positivista.


Parte do problema, no que tange o Catolicismo, foi que Galileu viveu uma época atribulada na qual a Igreja Católica endurecia sua vigilância face à Doutrina revelada por Deus para fazer frente à Reforma Protestante, (falsa reforma porque a Igreja não poderia ser reformada com quem já tinha saido da Igreja) e a todas as heresias restantes redobrando assim a vigilância sobre qualquer fenómeno de natureza errada ou de frágil explicação que em nada contribuisse para a Verdade ou a razão natural. Durante a Idade Média, muitos teólogos já haviam reinterpretado as escrituras de forma relativamente livre e constante sem que ocorresse nenhum incidente (contudo ao longo de toda a história da Igreja muitos foram dados oficialmente como hereges por levantarem livres interpretações fora da Tradição divina e da Revelação Divina), mas depois do Concílio de Trento, a Igreja passava a considerar esse tipo de comportamento de falsificação ainda mais intolerável (. A tese heliocêntrico exigia que a Igreja reinterpretasse certas passagens da bíblia exatamente no momento em que ela estava menos disposta a fazê-lo. Galileu acabou condenado e a doutrina da Igreja permaneceu por muito tempo fiel ao geocentrismo. Contudo, mais uma vez, a condenação de Galileu não foi pelo heliocentrismo. Para contribuir para esse mito estão todos os defensores do ateísmo e do positivismo como a maçonaria e o protestantismo que detesta sobretudo o Concilio Ecuménico de Trento onde são identificados como uma ceita que se apartou da sucessão apostólica.


Além de suscitar discussões apaixonadas, a condenação de Galileu é um tema tão complexo que há historiadores que dedicam toda a sua carreira a analisar somente esse ponto da história da ciência. O presente texto aborda apenas superficialmente algumas de suas facetas. também temos de reparar que nao se trata de um problema científico mas sim epistemológico e jurídico: o segundo processo de Galileu, no seu meio, mais propriamente na argumentação do clérigo Galileu, para seu infortúnio, invoca aspectos teológicos onde acabou por, não tendo conhecimento suficiente, enveredar por heresias ligeiras que foram atenuadas pela amizade pessoal que tinha com o Papa.

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