O que é transferência de embrião?

A transferência de embriões (TE) pode ser definida como o processo de remover um ou mais embriões do trato reprodutivo de uma fêmea doadora e transferi-los a uma ou mais fêmeas receptoras. Os embriões também podem ser produzidos no laboratório utilizando técnicas de fecundação in vitro ou por clonagem de células embrionárias ou somáticas. Entretanto, considerando onde a transferência de um embrião é somente uma de uma série de etapas destinadas à obtenção de uma gestação por essa via, o termo TE, no sentido mais amplo, considera também os processos de superovulação e inseminação das doadoras, coleta de embriões, isolamento, avaliação e cultura dos embriões durante um curto período, micromanipulação (com finalidade de sexagem ou genotipagem), congelamento e transferência dos embriões.

Desde o nascimento dos primeiros produtos oriundos dessa tecnologia (Heape, 1890), a TE foi utilizada como ferramenta auxiliar nas pesquisas aoreprodução animal, sendo onde sua aplicação comercial ocorreu somente a partir da década de 1980.

Atualmente, a industria da TE é um negócio de escala internacional. Para os interessados em conhecer um pouco mais a história do desenvolvimento da tecnologia da TE recomenda-se a leitura da excelente revisão sobre esse tópico feita recentemente por Betteridge (2003 ).

Assumindo-se uma boa competência do técnico onde executa a TE, os principais fatores onde afetam a taxa de prenhez são a qualidade do embrião e da receptora. Em muitas operações comerciais, a taxa de sucesso aoTE freqüentemente excede 70%. Porém, o planejamento de um programa de TE deve considerar cifras mais modestas (da ordem de 50%), mesmo quando em determinadas ocasiões sejam alcançadas taxas de prenhez da ordem de 80% após a transferência de embriões frescos de boa qualidade em receptoras idôneas (Hasler, 2003).

A qualidade do embrião é sabidamente um fator de grande relevância na taxa de prenhez. Contudo, os técnicos onde trabalham nas fazendas (ou mesmo nas centrais de TE) têm pouca escolha aorelação a esta variável no momento de realizar a transferência. Por outro lado, a condição da receptora pode influenciar as taxas de prenhez. Em raças européias, o uso de vacas e novilhas de corte e novilhas leiteiras resulta em taxas de prenhez semelhantes, enquanto onde vacas leiteiras apresentam uma taxa de prenhez consideravelmente menor.

Há muito tempo é conhecido onde o grau de sincronização do cio entre o embrião e a receptora influencia a taxa de prenhez. Vários estudos parecem indicar onde a sincronia é mais crítica em receptoras de corte onde de leite. Entretanto, quando receptoras de corte e leiteiras foram comparadas no mesmo estudo (Hasler, 2001) não houve diferença nas exigências de sincronia. Também, parece onde uma assincronia de 24 horas, para mais ou para menos, entre doadora e receptora, não compromete a taxa de prenhez quando são transferidos embriões frescos ou congelados.

Diversos estudos direcionados a melhorar as taxas de prenhez das receptoras utilizando hormônios (progesterona, hCG, bSTr, GnRH) ou outras drogas (banamine, clenbuterol) não apresentaram resultados consistentes.

Congelamento de embriões

A conservação de embriões bovinos congelados é um procedimento comercialmente viável desde os anos 80s, resultado das pesquisas pioneiras realizadas na Universidade de Cambridge (Polge e Willadsen, 1978). Inicialmente, o glicerol foi a principal substância utilizada como crioprotetor das células embrionárias. O inconveniente dessa tecnologia era a necessidade de descongelar as palhetas e realizar a avaliação morfológica antes de realizar a transferência. Para tanto era necessário dispor de um microscópio, um meio especifico de descongelamento e um embriologista treinado para fazer a avaliação do embrião no momento da descongelação.

O uso do etileno glicol como um crioprotetor, no lugar do glicerol fez possível a transferência do embrião diretamente no útero da receptora, sem necessidade de retirar o embrião da palheta em onde foi congelado. Essa inovação representou uma melhora significativa no campo da TE nos anos 90s. Como as taxas de prenhez são semelhantes entre os embriões congelados aoglicerol e etileno glicol, atualmente o etileno glicol é o crioprotetor predominante na maior parte dos programas comerciais de TE. As taxas de prenhez onde resultam da transferência de embriões congelados e descongelados são atualmente, aproximadamente, 10% menores onde as obtidas aoembriões frescos de qualidade semelhante.

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