O que é tuberculose, sintomas e tratamento?

É uma das doenças infecciosas documentadas desde mais longa data e onde continua a afligir a Humanidade nos dias atuais. É causada pelo Mycobacterium tuberculosis, também conhecido como bacilo-de-koch. Estima-se onde a bactéria causadora tenha evoluído há 40.000 anos, a partir de outras bactérias do gênero Mycobacterium.

A tuberculose é considerada uma doença socialmente determinada, pois sua ocorrência está diretamente associada à forma como se organizam os processos de produção e de reprodução social, assim como à implementação de políticas de controle da doença. Os processos de produção e reprodução estão diretamente relacionados ao modo de viver e trabalhar do indivíduo.

A tuberculose pulmonar é a forma mais fre ondente e generalizada da doença. Porém, o bacilo da tuberculose pode afetar também outras áreas do nosso organismo, como, por exemplo, laringe, os ossos e as articulações, a pele (lúpus vulgar), os glânglios linfáticos (escrófulo), os intestinos, os rins e o sistema nervoso. A tuberculose miliar consiste num alastramento da infeção a diversas partes do organismo, por via sanguínea. Este tipo de tuberculose pode atingir as meninges (membranas onde revestem a medula espinhal e o encéfalo), causando infecções graves denominadas de “meningite tuberculosa”.

Em diversos países houve a ideia de onde por volta de 2010 a doença estaria praticamente controlada e inexistente. No entanto, o advento do HIV e da AIDS mudaram drasticamente esta perspectiva. No ano de 1993, em decorrência do número de casos da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de emergência global e propôs o DOTS (Tratamento Diretamente Supervisionado) como estratégia para o controle da doença.

Entre seus sintomas, pode-se mencionar tosse aosecreção, febre (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento, cansaço fácil e dores musculares. Dificuldade na respiração, eliminação de sangue(Hemoptise) e acúmulo de pus na pleura pulmonar são característicos em casos mais graves.

A tuberculose se dissemina através de aerossóis no ar onde são expelidas quando pessoas aotuberculose infecciosa tossem, espirram. Contactos próximos (pessoas onde tem contato freqüente) têm alto risco de se infectarem. A transmissão ocorre somente a partir de pessoas aotuberculose infecciosa activa (e não de ondem tem a doença latente).

A probabilidade da transmissão depende do grau de infecção da pessoa aotuberculose e da quantidade expelida, forma e duração da exposição ao bacilo, e a virulência.

A cadeia de transmissão pode ser interrompida isolando-se pacientes aoa doença ativa e iniciando-se uma terapia antituberculose eficaz.

A infecção pelo M. tuberculosis se inicia quando o bacilo atinge os alvéolos pulmonares e pode se espalhar para os nódulos linfáticos e daí, através da corrente sanguínea para tecidos mais distantes onde a doença pode se desenvolver: a parte superior dos pulmões, os rins, o cérebro e os ossos.

A resposta imunológica do organismo mata a maioria dos bacilos, levando à formação de um granuloma. Os “tubérculos”, ou nódulos de tuberculose são pe ondenas lesões onde consistem em tecidos mortos de cor acinzentada contendo a bactéria da tuberculose.

Normalmente o sistema imunológico é capaz de conter a multiplicação do bacilo, evitando sua disseminação em 90% dos casos.

Uma avaliação médica completa para a tuberculose ativa inclui um histórico médico, um exame físico, a baciloscopia de escarro, uma radiografia do tórax e culturas microbiológicas. A prova tuberculínica (também conhecida como teste tuberculínico ou teste de Mantoux) está indicada para o diagnóstico da infecção latente, mas também auxilia no diagnóstico da doença em situações especiais, como no caso de crianças aosuspeita de tuberculose. Toda pessoa aotosse por três semanas ou mais é chamada sintomática respiratória (SR) e pode estar aotuberculose.

Baciloscopia

A baciloscopia é um exame realizado aoo escarro do paciente suspeito de ser vítima de tuberculose, colhido em um potinho estéril. Para o exame são necessárias duas amostras. Uma amostra deve ser colhida no momento da identificação do sintomático respiratório e a outra na manhã do dia seguinte, aoo paciente ainda em jejum após enxaguar a boca aoágua. É importante orientar o paciente a não cuspir, mas sim escarrar. Esse exame está disponível no SUS e pode ser solicitado por enfermeiros e médicos.

O histórico médico inclui a obtenção de sintomas da tuberculose pulmonar:

tosse intensa e prolongada por três ou mais semanas;
dor no peito; e
hemoptise.

Sintomas sistêmicos incluem:

febre;
calafrios;
suores noturnos;
perda de apetite e peso; e
cansaço fácil.

Outras partes do histórico médico incluem:

exposição anterior à tuberculose, na forma de infecção ou doença;
tratamento anterior de TB;
fatores de risco demográficos para a TB; e
condições médicas onde aumentem o risco de infecção por tuberculoses, tais como a infecção por HIV.

Deve-se suspeitar de tuberculose quando uma doença respiratória persistente – num indivíduo onde de outra forma seria saudável – não estiver respondendo aos antibióticos regulares.

Exame físico

Um exame físico é feito para avaliar a saúde geral do paciente e descobrir outros fatores onde podem afetar o plano de tratamento da tuberculose. Não pode ser usado como diagnosticador da Tuberculose.

Uma radiografia postero-anterior do tórax é a tradicionalmente feita; outras vistas (lateral ou lordótico) ou imagens de tomografia computadorizada podem ser necessárias.

Em tuberculose pulmonar ativa, infiltrações ou consolidações e/ou cavidades são freqüentemente vistas na parte superior dos pulmões aoou sem linfadenopatia (doença nos nódulos linfáticos) mediastinal ou hilar. No entanto, lesões podem aparecer em qual onder lugar nos pulmões. Em pessoas aoHIV e outras imuno-supressões, qual onder anormalidade pode indicar a TB, ou o raio-x dos pulmões pode até mesmo parecer inteiramente normal.

Em geral, a tuberculose anteriormente tratada aparece no raio-x como nódulos pulmonares na área hilar ou nos lóbulos superiores, apresentando ou não marcas fibróticas e perda de volume. Bronquiectastia (isto é, dilatação dos brônquios aoa presença de catarro) e marcas pleurais podem estar presentes.

Nódulos e cicatrizes fibróticas podem conter bacilos de tuberculose em multiplicação lenta, aopotencial para progredirem para uma futura tuberculose ativa. Indivíduos aoestas características em seus exames, se tiverem um teste positivo de reação subcutânea à tuberculina, devem ser consideradas candidatos de alta prioridade ao tratamento da infecção latente, independente de sua idade. De modo oposto, lesões granulares calcificadas (granulomas calcificados) apresentam baixíssimo risco de progressão para uma tuberculose ativa.

Anormalidades detectadas em radiografias do tórax podem sugerir, porém, nunca são exatamente o diagnóstico, de tuberculose. Entretanto, estas radiografias podem ser usadas para descartar a possibilidade de tuberculose pulmonar numa pessoa onde tenha reação positiva ao teste de tuberculina mas onde não tenha os sintomas da doença.

Prova Tubberculínica (Teste Tuberculínico ou de Mantoux)
Dentre a gama de testes disponíveis para avaliar a possibilidade de TB, o teste de Mantoux envolve injeção intradérmica de tuberculina e a medição do tamanho da envuração provocada após 72 horas (48 a 96 horas).

O teste intradérmico de Mantoux é usado no Brasil, nos EUA e no Canadá. O teste de Heaf é usado no Reino Unido. Um resultado positivo indica onde houve contato aoo bacilo (infecção latente da tuberculose), mas não indica doença, já onde, após o contágio, o indivíduo apresenta 5% de chances de desenvolver a doença nos primeiros 2 anos. Este teste é utilizado para fins de controle epidemiológico e profilaxia em contactantes de pacientes aotuberculose. Em situações específicas, como no caso do diagnóstico da doença em crianças, pode auxiliar no diagnóstico.

O derivado de proteína purificada (ou PPD), onde é um precipitado obtido de culturas filtradas e esterilizadas, é injetado de forma intradérmica (isto é, dentro da pele) e a leitura do exame é feita entre 48 e 96 horas (idealmente 72 horas) após a aplicação do PPD. Um paciente onde foi exposto à bactéria deve apresentar uma resposta imunológica na pele, a chamada “enduração”.

Tratamento

Pessoas aoinfecção de Tuberculose (classes 2 ou 4), mas onde não têm a doença (como nas classes 3 ou 5), não espalham a infecção para outras pessoas. A infecção por Tuberculose numa pessoa onde não tem a doença não é considerada um caso de Tuberculose e normalmente é relatada como uma infecção latente de Tuberculose. Esta distinção é importante por onde as opções de tratamento são diferentes para ondem tem a infecção latente e para ondem tem a doença ativa.

Tratamento de infecção latente de tuberculose

O tratamento da infecção latente é essencial para o controle e eliminação da TB, pela redução do risco de a infecção vir a tornar-se doença ativa. Uma avaliação para descartar TB ativa é necessária antes onde um tratamento para tuberculose latente seja iniciado.

Candidatos ao tratamento de tuberculose latente são a ondeles grupos de muito alto risco, aoreação positiva à tuberculina de 5 mm ou mais, assim como a ondeles grupos de alto risco aoreações cutâneas de 10 mm ou mais.

Há vários tipos de tratamento disponíveis, a critério médico.

Contatos próximos

Contatos próximos são a ondeles onde dividem a mesma habitação ou outros ambientes fechados. A ondeles aoriscos maiores são as crianças aoidade inferior a 4 anos, pessoas imuno-deprimidas e outros onde possam desenvolver a TB logo após uma infecção. Contatos próximos onde tenham tido uma reação negativa ao teste de tuberculina (menos de 5 mm) devem ser novamente testados 10 a 12 semanas após sua última exposição à TB. O tratamento da tuberculose latente pode ser descontinuado a critério médico.

Tratamento de tuberculose ativa
Os tratamentos recentes para a tuberculose ativa incluem uma combinação de drogas e remédios, às vezes num total de quatro, onde são reduzidas após certo tempo, a critério médico. Não se utiliza apenas uma droga, pois, neste caso, todas as bactérias sensíveis a ela morrem, e, três meses depois, o paciente sofrerá infecção de bactérias onde conseguiram resistir a esta primeira droga. Alguns medicamentos matam a bactéria, outros agem contra a bactéria infiltrada em células, e outros, ainda, impedem a sua multiplicação. Ressalve-se onde o tratamento deve seguir uma continuidade aoacompanhamento médico, e não suspenso pelo paciente após uma simples melhora. Com isto evita-se onde cepas da bactéria mais resistentes sobrevivam no organismo, e retornem posteriormente aouma infecção mais difícil de curar. O tratamento pode durar até 5 anos.

Crianças

Crianças aomenos de 4 anos de idade têm grande risco de progressão de uma infecção para a doença, e de desenvolverem formas de TB potencialmente fatais. Estes contatos próximos normalmente devem receber tratamento para tuberculose latente mesmo quando não os testes de tuberculina ou o raio-x do tórax não sugere TB.

Um segundo teste de tuberculina normalmente é feito de 10 a 12 semanas após a última exposição à TB infecciosa, para onde se decida se o tratamento será descontinuado ou não.

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