O que foi a guerrilha do caparaó?


A Guerrilha do Caparaó foi provavelmente o primeiro movimento armado de oposição ao regime militar brasileiro. Inspirado na guerrilha de Sierra Maestra, teve lugar na Serra do Caparaó, divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais, no período 19661967.


Promovida pelo Movimento Nacionalista Revolucionário – MNR, organização baseada inicialmente em Montevidéu, a guerrilha contou com o apoio financeiro cubano, obtido através de negociações entre Leonel Brizola, auxiliado pela A.P e o governo de Cuba. [1] Segundo Denise Rollemberg, alguns membros do grupo – majoritariamente constituído por ex-militares, expulsos das Forças Armadas – também receberam treinamento na Ilha.


Posteriormente o governo cubano teria preferido apoiar Carlos Marighella. O movimento perdeu seu suporte financeiro e os guerrilheiros foram praticamente abandonados no alto da serra.



Pico da Bandeira, local em que aconteceu a Guerrilha do Caparaó.

Pico da Bandeira, local em que aconteceu a Guerrilha do Caparaó.


Leonel Brizola, figura política que teve destaque neste evento.

Leonel Brizola, figura política que teve destaque neste evento.

Na verdade, a tentativa de implantação de uma Guerrilha na serra de Caparaó foi frustrada antes mesmo que o movimento entrasse em ação. Os seus integrantes permaneceram no local por alguns meses realizando treinamentos e o reconhecimento da região e foram presos pela Polícia Militar mineira após serem denunciados pela própria população.[2] Consta que o grupo, desasistido pela organização, começara a roubar e a abater animais para não morrer de fome – razão pela qual acabou sendo alvo de denúncia à polícia.


Descoberto pelos serviços de inteligência, o movimento foi rechaçado em abril de 1967, por uma grande operação conjunta do Exército e da Força Aérea, com apoio da Polícia Militar de Minas Gerais.


Segundo as fontes, praticamente não houve troca de tiros. Os guerrilheiros, cerca de vinte homens esgotados e famintos – alguns bastante debilitados pela peste bubônica – foram presos pela Polícia Militar, no próprio sítio onde se abrigavam ou nas cidades vizinhas.[3] Moradores da região também foram detidos para investigação.


Para aliviar o desassossego e ganhar o apoio da população local, espantada com tamanho aparato bélico, o Exército promoveu atividades assistenciais e recreativas nas comunidades – atendimento médico gratuito aos habitantes, palestras nas escolas e exibição de filmes educativos.



Referências




Bibliografia



  • BOITEUX, Bayard Demaria. A Guerrilha do Caparaó e outros relatos. Rio de Janeiro: Inverta, 1998. il.
  • COSTA, José Caldas da. Caparaó – a primeira guerrilha contra a ditadura. Prefácio de Carlos Heitor Cony. São Paulo: Boitempo, 2007. ISBN: 978-85-7559-095-9
  • KUPERMAN, Esther. A guerrilha do Caparaó (1966-1967). Rio de Janeiro, 1992. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • REBELLO, Gilson. A Guerrilha de Caparaó. São Paulo: Alfa-Omega, 1980.
  • ROLLEMBERG, Denise. O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro. Rio de Janeiro: MAUAD, 2001.


Filme


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