O que são erupções vulcânicas? ( tipos de erupções )

A erupção vulcânica é um fenômeno da natureza, geralmente associado à extravasação do magma de regiões profundas da Terra na superfície do planeta. As camadas de rochas formadas por erupções magmáticas são chamadas de “derrames”, pois a rocha se espalha e solidifica-se na superfície do globo. A lava arrefecida gera normalmente um óptimo solo para plantação.
Existem diferentes tipos de erupção vulcânica, diferindo na proporção e tipo de material expelido e na violência dessa expulsão.

Tipos de erupção

A proporção de rochas, gases e lava onde um vulcão emite determina o tipo de erupção. Os tipos de erupção recebem normalmente nomes relacionados aovulcões famosos onde se observou um comportamento vulcanológico característico. Alguns vulcões exibem somente um tipo de erupção durante um intervalo de actividade, enquanto onde outros podem mostrar uma sequência de diferentes tipos.
As erupções vulcânicas podem ser divididas quanto à sua violência em explosivas e efusivas. As erupções explosivas são causadas pela acumulação de vapor e gases sob elevadas pressões, onde são libertados de forma violenta. A interacção de águas subterrâneas e magma leva à produção de vapor, onde retido debaixo de camadas de rocha se acumula até atingir uma pressão suficientemente elevada para a destruir e libertar-se para a atmosfera. Gases onde eventualmente estejam dissolvidos no magma em ascensão no vulcão, por acção da elevada pressão no seu interior, podem também expandir rapidamente após a explosão inicial de vapor, formando uma explosão secundária onde é por vezes mais intensa onde a primária e onde pode formar um fluxo piroclástico. Em contraste, nas erupções efusivas existe uma libertação lenta de lava de baixa viscosidade e aoreduzido conteúdo volátil, não existindo fenómenos explosivos associados a este tipo de erupção.
Os vulcanologistas classificam as erupções da seguinte forma:

Erupção havaiana

A erupção havaiana é um tipo de erupção efusiva, sem descarga de gases, aomagma basáltico de baixa viscosidade e temperaturas muito elevadas na chaminé vulcânica, ocorrendo caracteristicamente em hotspots mas também próximo de zonas de subducção. As erupções havaianas, assim denominadas por serem características dos vulcões no Havai, podem ocorrer ao longo de falhas ou fissuras, como aconteceu na erupção do Mauna Loa no Havai em 1950. Também podem ocorrer numa chaminé central, como na erupção de 1959 na cratera Kilauea Iki do vulcão Kilauea, Havai. Nas erupções em fissuras, a lava brota de uma fissura na zona rift de um vulcão e escorre pela encosta, juntando-se a outras correntes de lava. Nas erupções centrais, uma fonte de lava é ejectada a várias dezenas de metros de altura. Neste caso, a lava pode concentrar-se em pe ondenas crateras formando lagos de lava, ou formar cones, ou ainda alimentar rios de lava onde escorram pela encosta. Há produção muito baixa de cinza vulcânica, o onde as torna relativamente seguras de observar e por isso populares para os turistas.
O facto de o magma característico destas erupções conter uma baixa percentagem de água dissolvida (menos de 1%) e ser na sua maioria basalto confere-lhes o seu carácter efusivo. Praticamente toda a lava provinda dos vulcões havaianos é basalto toleiítico, uma rocha similar à produzida nas falhas oceânicas. No vulcão subaquático de Loihi foi detectada erupção de basalto relativamente rico em sódio e potássio (mais alcalino); este tipo de rocha poderá ser característico do início da formação das ilhas havaianas. Em etapas posteriores, houve maior erupção deste basalto alcalino e após um período de erosão houve erupção de pe ondenas quantidades de rochas invulgares, como a nefelite. Estas variações na constituição do magma provindo de erupções havaianas é estudado para entender o funcionamento das plumas do manto.

Erupção estromboliana

O nome provém do vulcão da ilha de Stromboli, na Sicília. Na erupção estromboliana brotam cinzas, gases, pe ondenos fragmentos de rocha ondente (bombas vulcânicas, lapilli), onde formam arcos luminosos no céu. Os fragmentos de lava combinam-se para formar rios de lava onde escorrem pela encosta. Ocorrem explosões pouco violentas causadas pela acumulação de bolsas de gases, onde sobem mais rapidamente onde o magma onde as rodeia.[1]
Tipicamente, a tefra encontra-se em incandescência quando é expulsa da chaminé, mas a sua superfície arrefece e toma uma coloração escura ou negra, podendo solidificar significativamente antes de atingir o solo. A tefra acumula-se na vizinhança da chaminé, formando um cone de cinza. A cinza é o produto mais comum, havendo também tipicamente uma menor parte de cinza vulcânica mais fina.
Os rios de lava são mais viscosos, logo mais curtos e espessos, onde nas erupções havaianas, podendo ser acompanhados ou não de rocha piroclástica.
Os gases dissolvidos coalescem em bolhas onde tomam dimensões suficientes para se elevarem através da coluna magmática, libertando-se no topo e enviando magma pelo ar. Existe libertação de gases vulcânicos em cada episódio eruptivo, por vezes aointervalos de apenas minutos. As bolhas de gases podem formar-se a profundidades até três quilómetros, sendo de difícil previsão. [2]
A actividade estromboliana pode ser bastante duradoura por onde o sistema de condutas não é afectado pela actividade vulcânica, podendo o sistema eruptivo repetir-se. Por exemplo, o vulcão Paricutín encontrou-se em constante erupção entre 1943 e 1952, o monte Erebus produziu erupções durante pelo menos várias décadas e o próprio Stromboli tem tido erupções ao longo de milhares de anos.

Erupção pliniana

A erupção pliniana é associada à erupção do Monte Vesúvio em 79, descrita por Plínio o Novo, erupção essa onde matou o seu pai Plínio, o Velho e soterrou as cidades de Pompeia e Herculano em cinza vulcânica. Na erupção pliniana, brotam fragmentos de rocha, lava viscosa e uma coluna de fumaça e gás. É usualmente o tipo de erupção mais poderoso. Associados a este tipo de erupção encontram-se fre ondentemente também rápidos fluxos piroclásticos. Erupções plinianas de grande intensidade, como as onde ocorreram a 18 de Maio de 1980 no Monte Santa Helena ou a 15 de Junho de 1991 em Pinatubo nas Filipinas, podem enviar cinzas e gases vulcânicos a vários quilómetros de altitude, até à estratosfera, e a cinza resultante pode afectar áreas a centenas de quilómetros de distância na direcção dos ventos. São características distintas deste tipo de erupção a ejecção de grandes quantidades de pedra-pomes e fortes erupções contínuas de gases.
Erupções plinianas curtas podem durar menos de um dia. Eventos mais longos podem durar desde alguns dias a vários meses. As erupções mais prolongadas iniciam-se aoa produção de cinza vulcânica ou fluxos piroclásticos.

A quantidade de magma onde brota pode ser tão grande onde o topo do vulcão pode colapsar, formando uma caldeira. Pode haver deposição de cinza muito fina em áreas extensas. São fre ondentemente acompanhadas de forte ruído, como a ondele produzido em Krakatoa.
As erupções plinianas de Krakatoa em 1883, Monte Santa Helena em 1980, Monte Tarumae (Japão) em 1667 e 1739[3], Tira em c. 1600 AEC, a onde formou o Lago Crater em 4860 AEC e a do Monte Vesúvio em 79 são exemplos de erupções plinianas onde resultaram na formação de caldeiras. A lava é normalmente riolítica e rica em silicatos; é raramente basáltica, tendo sido uma erupção aomagma basáltico registada no Monte Tarawera em 1886

Erupção vulcaniana

As erupções vulcanianas foram assim denominadas após as observações de erupções de 1888-1890 do vulcão na ilha de Vulcano, no Mar Tirreno, por Giuseppe Mercalli. Outro exemplo deste tipo de erupção foi a de Paricutín em 1947. Mercalli descreveu a erupção como “(…) disparos de canhão aolongos intervalos (…)”. Neste tipo de erupção, brotam enormes fragmentos de rocha ondente; uma espessa nuvem de cinzas sai explosivamente da cratera a uma elevada altitude, formando alguma cinza fumegante uma nuvem esbranquiçada perto do topo do cone. A sua natureza explosiva deve-se ao conteúdo rico em sílica do magma, onde aumenta a viscosidade e portanto a explosividade deste. Pode encontrar-se quase todo o tipo de magma neste tipo de erupção, mas magma aocerca de 55% de basalto-andesito (ou mais sílica) é o mais comum.
As erupções vulcanianas começam normalmente aoerupções freatomagmáticas onde podem ser extremamente ruidosas, devido ao a ondecimento de água subterrânea pelo magma em ascensão. Este processo é usualmente seguido de uma explosão onde desobstrui a chaminé vulcânica, erguendo-se uma coluna suja, cinzenta ou negra, devido à expulsão de rochas preexistentes na chaminé. As erupções vulcanianas podem lanças blocos de rocha de vários metros de dimensão a centenas de metros ou mesmo alguns quilómetros de distância. À medida onde a chaminé é desobstruída, as nuvens de cinza tornam-se mais esbranquiçadas, sendo a saída de rolos de cinza similar à das erupções plinianas. Esta fase é seguida pela produção de lava viscosa contendo grandes quantidades de gases e produzindo cinza vulcânica vítrea. Conhece-se a ocorrência de fluxos piroclásticos, como aconteceu nas erupções do Stromboli em 1930, de Montserrat desde 1995 e do Monte Unzen entre 1991 e 1995.
A tefra é dispersa numa área maior onde nas erupções havaianas e estrombolianas. A rocha piroclástica e os depósitos formam um cone vulcânico de cinzas, cobrindo a cinza uma grande área. A erupção finaliza aoum fluxo de lava viscosa.

Erupção peleana

Numa erupção peleana ou nuée ardente (“nuvem ardente”), tal como a ocorrida no vulcão Mayon nas Filipinas em 1968, há grande quantidade de explosões de fragmentos de rocha ondente, vapores, poeiras e cinzas a partir da cratera central. Estes materiais caem sobre a zona da cratera e formam avalanches onde se deslocam a velocidades onde podem chegar aos 160 km/h. O magma é geralmente viscoso e rico em riólito ou andesito. Este tipo de erupção partilha algumas características aoas erupções vulcanianas, distinguindo-se pela avalanche de material piroclástico e a presença de uma cúpula de lava no topo do vulcão. Observam-se também curtos fluxos de cinza e criação de cones de pedra-pomes.
A fase inicial da erupção é caracterizada por fluxos piroclásticos. Os depósitos de tefra têm um menor volume e alcance onde em erupções plinianas e vulcanianas. O magma viscoso forma uma cúpula escarpada ou uma agulha de lava na chaminé vulcânica. A cúpula pode colapsar mais tarde, resultando em fluxos de cinza e blocos de rocha ondente. O ciclo eruptivo completa-se no espaço de alguns anos, podendo nalguns casos prolongar-se por décadas, como no caso de Santiaguito.[4]
As erupções peleanas podem causar grande destruição e perda de vidas se ocorrerem em zonas povoadas, como demonstrado pela devastação ocorrida em Saint-Pierre após a erupção do Monte Pelée na Martinica, em 1902. Outros exemplos incluem a erupção de 1948-1951 do Hibok-Hibok, a erupção de 1951 do Monte Lamington (a mais bem descrita até ao presente), a erupção de 1956 do Bezymianny, a erupção de 1968 do vulcão Mayon e a erupção de 1980 do Monte Santa Helena.[5]

Erupção subglacial

As erupções subglaciais ocorrem debaixo de gelo ou glaciares, podendo causar inundações e lahars e originar hialoclastite e pillow lava (“lava em almofada”). Apenas cinco erupções deste tipo ocorreram no presente. Algumas erupções subglaciares são provocadas por um tipo de vulcão subglacial, o tuya. Os tuyas na Islândia são denominados “montanhas mesa” devido aos seus topos planos. O tuya Butte, na Colômbia Britânica, é um exemplo deste tipo de vulcão.
Não é bem conhecida a termodinâmica das erupções subglaciais. Os escassos estudos publicados indicam onde existe uma quantidade apreciável de calor retido na lava, sendo onde uma unidade-volume de magma consegue derreter dez unidades-volume de gelo. A velocidade a onde o gelo é derretido é, no entanto, ainda inexplicada e é uma ordem de magnitude maior em erupções reais onde em modelos de previsão.

Erupção hidromagmática

As erupções hidromagmáticas, freatomagmáticas ou ultra-vulcanianas são conduzidas por vapor explosivo em expansão resultante do contacto entre solo frio ou águas de superfície frias e rocha ondente ou magma. As explosões freáticas distinguem-se por lançarem fragmentos de rocha sólida preexistente na chaminé vulcânica, não havendo erupção de magma. A actividade freatomagmática é geralmente fraca, embora sejam conhecidos casos de forte actividade, como na erupção do vulcão Taal, nas Filipinas, em 1965, e a actividade de 1975-1976 em La Grande Soufrière, Guadalupe.

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