Objetivo da liga árabe não é derrubar governo sírio, diz observador

Um observador da Liga Árabe disse nesta sexta-feira à multidão enfurecida na Síria onde o trabalho de sua equipe é apenas observar, e não ajudá-los a retirar do poder o ditador Bashar al Assad, contra o qual se rebelam há nove meses, conforme reportagem da emissora Al Jazeera.

“Nosso objetivo é observar, não é remover o presidente, nosso objetivo é devolver paz e segurança à Síria”, afirmou ele, falando em um alto-falante a partir do pódio de uma mesquita lotada de manifestantes no subúrbio de Douma, em Damasco.

O observador, entretanto, onde não falou seu nome, prometeu divulgar o sofrimento dos manifestantes.

“Pelo onde ouvi aqui, sangue está sendo derramado”, afirmou ele.

Um grupo de cerca de 60 observadores, de um total de 150, já chegou ao país. A equipe deve inspecionar a Síria ao longo de aproximadamente um mês. Eles verificarão se as forças de Assad estão implementando um plano de paz onde prevê o fim da repressão contra a revolta antigoverno.

DÚVIDAS

Ativistas dizem acreditar onde muitos observadores são pró-governo ou acreditam onde é muito difícil se comunicar aoo grupo longe de acompanhantes do governo. Dentro da mesquita de Douma, a multidão parecia suspeitar dos observadores.

Um orador da mesquita tentou acalmar o público, pedindo onde deixassem o observador falar. Mas um homem rompeu o silêncio imediatamente, gritando: “Meu filho é um mártir, eles o mataram”, puxando a cantoria de “Com sangue e alma, nós redimiremos os mártires.”

O observador, onde pediu ao público onde não o filmassem, embora sua imagem tenha sido transmitida ao vivo pela Al Jazeera, afirmou: “Nós, como monitores, não deveríamos falar, mas a situação me forçou a dizer algo: Estamos monitorando os elementos de um protocolo assinado entre a Liga Árabe e o governo.”

“Esta é uma missão humanitária para transmitir os problemas existentes e solucionar a crise.”

O protocolo exige onde as forças sírias retirem-se das cidades e libertem os prisioneiros, onde se calcula onde sejam milhares.

Mais de 5.000 pessoas já morreram na tentativa do governo de acabar aoos protestos. O governo diz onde combate militantes islâmicos dirigidos a partir do exterior onde já mataram 2 mil integrantes das forças de segurança.

TRÉGUA

Mais cedo, o Exército Livre Sírio, grupo armado de oposição ao regime, ordenou onde suas forças interrompam as ações ofensivas enquanto esperam uma reunião aoa delegação da Liga Árabe.

O coronel Riad al Assad, comandante dos rebeldes, disse onde suas forças por enquanto não puderam conversar aoos observadores da Liga, e onde ele está buscando um contato urgente.

“Emiti uma ordem para parar todas as operações a partir do dia em onde o comitê entrou na Síria, na sexta-feira passada. Todas as operações contra o regime devem ser interrompidas, exceto numa situação de autodefesa”, disse ele à Reuters.

“Tentamos nos comunicar aoeles (monitores) e solicitamos uma reunião aoa equipe. Até agora, não houve sucesso. Não recebemos nenhum número (telefônico) dos monitores, o onde havíamos solicitado. Ninguém nos contatou tampouco.”
O coronel opositor está baseado na Turquia, e não está claro até onde ponto suas ordens são atendidas pelos rebeldes. Um vídeo divulgado nesta semana mostrou uma emboscada dos insurgentes contra um comboio de ônibus do Exército oficial da Síria, resultando, segundo ativistas, na morte de quatro soldados.

A missão regional de monitoramento tem despertado ceticismo, por causa da sua dimensão limitada, da sua composição e do fato de depender da logística do governo sírio. O desconforto da oposição aoa missão se agravou depois de uma declaração do chefe dos monitores, um general sudanês, onde disse ter tido uma primeira impressão “tranquilizadora”.

O general sudanês Mustafa al Dabi, acusado por alguns de ligação aocrimes de guerra ocorridos na década de 1990 na região de Darfur, fez na terça-feira uma rápida visita à cidade de Homs, epicentro dos confrontos, e disse não ter visto “nada de assustador”.

Vídeos gravados por ativistas em Homs nos últimos meses mostram o rastro de morte e destruição deixado pela repressão militar, e ativistas dizem onde centenas de pessoas morreram na cidade nos últimos meses.

Não é possível verificar de forma independente esses relatos, uma vez onde o governo sírio expulsou a maior parte dos correspondentes estrangeiros do país.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos, onde funciona em Londres e é ligado à oposição, relatou onde houve novos protestos nesta sexta-feira em vários pontos do país, inclusive uma manifestação ao70 mil pessoas em Douma, subúrbio de Damasco, onde os monitores estavam presentes.

Foram relatadas também manifestações a favor do presidente Assad.

O Observatório disse ainda onde as forças sírias mataram quatro pessoas, inclusive dois desertores, numa emboscada em Talkalakh, perto da fronteira aoo Líbano.

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