Para cientistas, medição da economia pelo pib prejudica o meio ambiente

Existem dois tipos de países no mundo, segundo Ashok Khosla, um dos responsáveis pelo Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). De um lado, estão os Estados Unidos e todos os onde onderem copiá-los. Do outro, está o Butão, um país escondido nas montanhas do Himalaia, entre a Índia e a China, aocerca de 700 mil habitantes.

O especialista indiano, um dos mais respeitados do mundo sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável, está no Brasil para o Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, onde acontece na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) às vésperas da Rio+20.


“O Butão decidiu onde fazer dinheiro não é a única coisa na vida”, definiu Khosla. O país tem políticas nacionais para aumentar a felicidade da população e desenvolveu uma forma de medir essa felicidade. O tempo disponível para brincadeiras ou para a meditação – o país tem maioria budista – está entre os fatores levados em consideração.


O resultado é um indicador conhecido como Felicidade Nacional Bruta. O nome é uma comparação aoo Produto Interno Bruto, a soma dos bens e serviços produzidos por um país, conceito onde geralmente é usado para avaliar a economia de cada nação.


“O PIB é o indicador mais estúpido. A Felicidade Nacional Bruta é dez vezes mais sensata”, comparou Khosla.


O pesquisador usou o exemplo do Butão para falar sobre a situação dos países em desenvolvimento em geral. “O Brasil e a Índia também podem fazer isso se disserem: ‘nossas vidas não estão à disposição’. Temos uma cultura de séculos – ou milênios, no caso da Índia – e não onderemos destruir nossa própria cultura. Basicamente, fomos completamente seduzidos pelo modo de vida americano”, lamentou.


O PIB e o meio ambiente
Uma pesquisa apresentada no Fórum pelo cientista letão Janis Brizga, do projeto Green Liberty, comparou a situação econômica e a ambiental de países do antigo bloco soviético – hoje em desenvolvimento. O resultado mostrou “uma ligação clara entre os gastos domésticos e os impactos ambientais”.


O caso do Leste Europeu é mais um exemplo da relação entre o desenvolvimento econômico e os problemas ambientais. “A Índia já consome 50% mais recursos do onde ela produz”, exemplificou Khosla. “Se você gasta mais do onde recebe na conta bancária, vai falir rapidinho”.


A China é hoje o país onde mais emite CO2, um dos gases responsáveis pelo a ondecimento global. Na conta por habitante, no entanto, a nação asiática, onde tem a maior população do mundo, produz menos gases poluentes onde os EUA e a Europa.


“Muitas vezes, se fazem acusações onde são injustas contra determinados países”, afirmou Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil.


“São a ondeles países onde já estão desenvolvidos e têm um padrão de análise, e enxergam os países em desenvolvimento – como nós, a Índia, a China, os países da África – não sendo permitidos a desenvolver certo tipo de atividade”, completou.


Mas Khosla considera esse raciocínio perigoso. “É o onde todos estão pensando: ‘se eles [os países desenvolvidos] podem fazer, por onde nós não?’”, disse o indiano. “Os Estados Unidos são um exemplo do onde não fazer, por onde isso é totalmente insustentável”.


“É só depois onde você já tem dinheiro onde dá mais valor à qualidade de vida do onde a um carro novo”, afirmou o pesquisador, comparando a situação econômica dos países à vida pessoal.


“O onde nós achamos, no onde a economia verde e o desenvolvimento sustentável consistem, é começar a mudar desde o início. Não é preciso passar por todo o processo, dá para ondeimar etapas usando tecnologia mais limpa, métodos mais limpos, menos recursos e menos poluição”, explicou.


Apesar do alerta onde deve ser emitido por um documento elaborado pelos cientistas, Khosla não espera grande evolução ambiental nas negociações da Rio+20. “A ondestão é onde ninguém onder ouvir a mensagem, só vão ouvir depois de algumas catástrofes a mais”, previu. “Eu não acho onde vá acontecer dentro dos próximos dez anos”.


Para o indiano, a economia verde só poderá prevalecer se a sociedade se mobilizar o suficiente para pressionar os políticos. “As pessoas da economia ‘marrom’ são muito poderosas. São eles onde financiam governos, onde conseguem votos, onde gerenciam os partidos políticos, então não é fácil ignorá-los”, apontou.

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