Peixe boi ou vacas marinhas

Os peixe-bois ou vacas-marinhas constituem uma designação comum aos mamíferos aquáticos, sirênios, assim como os dugongos, mas da família dos triquecídeos (Trichechidae). Possuem um grande corpo arredondado, com aspecto semelhante ao das morsas, chegando a pesar cerca de 750 kg quando adultos e medir 4,5 metros de comprimento. São animais ameaçados de extinção e se encontram protegidos por leis ambientais em diversas partes do mundo. São animais de hábitos solitários sendo raramente vistos em grupo fora da época de acasalamento. Durante os primeiros dois anos de vida vivem com suas mães e ainda se alimentam de leite. Depois do desmame vivem até os 50 anos e podem ser vistos se alimentando juntos no mesmo local. São animais muito mansos e, por este motivo, são facilmente caçados e se encontram em risco de extinção.


Espécies


Existem três espécies de peixe-boi:




 Habitat



Um grupo de três manatis

Um grupo de três manatis

Habitam em ambientes aquáticos da costa atlântica americana, desde a Geórgia (Estados Unidos) até o estado de Alagoas. O assoreamento dos estuários onde as fêmeas dão à luz aos filhotes é outro motivo para ameaça de extinção desta espécie.


Seus corpos são robustos e maciços com cauda achatada, larga e disposta de forma horizontal. A dentição desses animais é reduzida a molares, que se regeneram constantemente, em virtude de sua dieta vegetariana quando adultos. Têm a pele rugosa, com a cor variando entre cinza e marrom-acinzentado. A cabeça fica bem junto ao corpo. Pode-se quase afirmar que ele não tem pescoço, apesar de conseguir movimentar a cabeça em todas as direções. Ele tem olhos pequenos mas enxerga bem, sendo capaz até mesmo de reconhecer cores. O nariz está bem em cima do focinho, com duas grandes aberturas. O peixe-boi não possui orelhas. Os ouvidos são apenas dois orifícios um pouco atrás dos olhos, mesmo assim pode ouvir muito bem. Sua boca é grande com os lábios superiores amplos e se movimentam na hora de pegar o alimento. No focinho, o peixe-boi tem muitos pêlos, chamados vibrissas ou pêlos táteis que são sensíveis ao movimento ou ao toque.



 Alimentação



Peixe-boi se alimentando.

Peixe-boi se alimentando.

Alimentam-se de algas, aguapés, capins aquáticos entre outras vegetações aquáticas. Alimentando-se assim, ele controla o crescimento das plantas aquáticas e, com suas fezes, fertiliza as águas que freqüenta, contribuindo para a produtividade do ambiente. As fezes servem de nutrientes para pequeninas algas (chamadas fitoplâncton) que existem na água. Estas algas são o alimento de animais muito pequenos (zooplâncton) que, no final, são o alimento dos peixes, completando assim uma cadeia alimentar.


Podem consumir até 16 kg de plantas por dia e armazenam de 50 a 60 litros de gordura como fonte energética para a época da seca, quando diminui a disponibilidade das gramíneas com que se alimentam. O peixe-boi prefere a vegetação mais macia, pois precisa mastigar bem a comida e tem apenas os dentes da parte de trás da boca, os molares. Ele come tanto as folhas quanto as raízes. Para isso, desenterra a planta com as nadadeiras e a leva à boca. Os lábios superiores, que têm pêlos muito duros, ajudam a segurar as folhas e raízes. Os lábios também dobram as plantas, levando-as para dentro da boca.


Estas folhagens contêm sílica, elemento que desgasta rapidamente os dentes mas os manatis são adaptados, seus molares deslocam-se para a frente cerca de 1 mm por mês e se desprendem quando estão completamente desgastados, sendo substituídos por dentes novos situados na parte posterior da mandíbula.



 Reprodução



Manati e filhote

Manati e filhote

Possuem taxa reprodutiva muito baixa pois a fêmea, chamada peixe-mulher[1] segundo o Dicionário Aurélio, tem geralmente um filhote a cada três anos, sendo um ano de gestação e dois anos de amamentação.



 Peixe-boi no Brasil


Há registros do peixe-boi desde o descobrimento pelos portugueses no século XVI. No Brasil há duas especies de peixe-boi: o Trichechus manatus manatus, peixe-boi marinho que se encontra criticamente ameaçado de extinção, e o Trichechus inunguis que vive nos rios amazônicos, considerado como vulnerável à extinção. Calcula-se que existam cerca de 500 peixes-boi marinhos na costa brasileira e 5000 peixes-boi amazônicos.



 Projeto Peixe-boi


Com a possibilidade de extinção dessas espécies o governo brasileiro proibiu sua caça e criou em 1980 o Projeto Peixe-Boi [1] desenvolvido pelo CMA (Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíferos Aquáticos) com sede na Ilha de Itamaracá, Pernambuco. O projeto dedica-se à pesquisa, resgate, recuperação e devolução à natureza do peixe-boi, bem como a informação e parceria com comunidades riberinhas e costeiras. O projeto está aberto a visitação, onde podem ser vistos inúmeros peixes-boi, inclusive a Chica, um peixe-boi fêmea que viveu durante anos num aquário público em uma praça do Recife, e o Poque, um raro caso de híbrido entre o peixe-boi marinho e o amazônico.



 PNUMA-WCMC


O Centro Mundial de Monitoramento da Conservação, órgão do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), registra em seu banco de dados as seguintes espécies como objeto de preocupação:


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