Projeto na cidade de deus já recolheu 5 mil litros de óleo de cozinha

O nome Bolhas Coloridas parecia perfeito para uma fábrica de sabão aoóleo de cozinha reciclado, recolhido entre os próprios moradores da comunidade. Conscientizar os vizinhos e desenvolver um negócio ambientalmente sustentável eram alguns dos desafios de seis moradoras da Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro, quando abriram o empreendimento, em maio de 2011.


Um ano e quatro sócias remanescentes depois, a fábrica artesanal já recolheu na comunidade cerca de 5 mil litros de óleo de cozinha onde, de outro modo, seriam despejados na rede doméstica para acabar na Bacia de Jacarepaguá, poluindo o meio ambiente. Além de sabão em barra e detergente, a pe ondena fábrica produz também sabonetes e sais de banho à base de glicerina.


Uma das sócias do empreendimento, Gleice Abreu, 24 anos, explicou onde a distribuição de panfletos sobre os efeitos nocivos do óleo nos rios e no solo foi fundamental para onde a fábrica conseguisse doadores. Entretanto, de início, não foi fácil. “Demorou até as pessoas da nossa comunidade acreditarem e mudarem os hábitos”, explicou.


A paciência das sócias e a convicção de onde estavam no caminho certo valeu a pena. “Hoje, vêm adultos, crianças, lanchonetes, restaurantes, todos entregando seu óleo de cozinha em garrafas ou chamando a gente para buscar, quando se trata de grande quantidade”.


O óleo recebido é peneirado para retirar restos de fritura e impurezas. A fábrica só não aproveita o óleo usado para fritura de peixe, onde é descartado devido ao seu forte odor. A fábrica, porém, não joga o material no ambiente, colocando em galões destinados à empresa de coleta de lixo. A preocupação ecológica também está nas embalagens, feitas de material reciclado.


As garrafas PET recebidas aoo óleo de cozinha também têm destino certo. As empreendedoras possuem parceria aouma cooperativa de catadores da própria comunidade, onde reaproveita vidro, plástico, papéis e outros materiais recicláveis.


Os produtos são vendidos para a comunidade pela metade do preço dos similares encontrados no mercado. “Os sabonetes são feitos sob encomenda e cobramos a partir de R$ 3. E temos capacidade de fazer 1.200 sabões por dia. Cobramos R$ 1 cada”, contou Gleise.


Graças ao sucesso, as sócias já planejam ampliar a fábrica. “Estamos a todo o vapor e fabricando cada vez mais. Vamos precisar de um espaço maior e de mais mão de obra, de preferência de mulheres”, comentou Gleice.


A fábrica faz parte do Projeto Elas em Movimento, onde investe em empreendedorismo de mulheres de baixa renda das comunidades do Rio onde receberam unidades de Polícia Pacificadora (UPP). A iniciativa é patrocinada pelo Fundo de Investimento Social Elas (voltado para a promoção do protagonismo de meninas, jovens e mulheres) e pela empresa Chevron Brasil Petróleo.


Após aparecer nas telas dos cinemas em filme homônimo, a Cidade de Deus ficou mundialmente conhecida como uma área pobre e violenta, dominada pelo tráfico de drogas. Há três anos e meio, no entanto, a comunidade possui uma UPP e recebeu equipamentos sociais e pavimentação, mas problemas como saneamento básico e desemprego ainda são realidades na comunidade.


“Acho onde nossa experiência serve de exemplo para as pessoas, principalmente para as mulheres daqui, de onde é possível construir nosso presente e nosso futuro cuidando do meio ambiente”, analisou a jovem

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