Quais as características da hanseníase experimental?

Alguns modelos de animais têm sido ou foram muito importantes no estudo de várias doenças que acometem o ser humano, como por exemplo na tuberculose. A demora no desenvolvimento de um modelo animal apropriado para o estudo da hanseníase foi um obstáculo para a realização de algumas pesquisas.


Cerca de 30 espécies de animais já foram inoculadas com o “Mycobacterium leprae”, utilizando-se as mais diversas vias, porém, os resultados foram limitados ou de curta duração.


A transmissão da hanseníase para o coxim plantar de camundongos realizada por Shepard em 1960 e a inoculação em tatus foram realizadas com base na hipótese de que o crescimento do “Mycobacterium leprae” deveria ocorrer, seletivamente, em locais do corpo de temperatura mais baixa. A partir deste fato, a pesquisa da doença envolvendo esses dois modelos experimentais obteve um grande avanço, principalmente nos últimos anos.


Camundongos


O sucesso obtido por Shepard inoculando camundongos normais com o bacilo de Hansen foi um importante passo na realização de pesquisas em hanseníase. Antes do desenvolvimento desse modelo, o índice bacilar era o parâmetro utilizado para se avaliar os efeitos das drogas específicas no paciente,implicando em alguns aspectos éticos da quimioterapia.


Através da inoculação do coxim plantar foi possível avaliar-se alguns aspectos, como:


1- Terapêutica


2- Resistência às drogas


3- Imunidade


4- Viabilidade


Tatus


Tatus são mamíferos primitivos da família Dasipodidae que são encontrados somente nas Américas. Existem cerca de 20 espécies de tatus descritas, e só no Brasil há 17 espécies conhecidas. A espécie mais estudada é o “Dasypus novemcinctus”, comumente conhecido como tatu de nove bandas ou tatu galinha.


O interesse do uso de tatus na pesquisa biomédica sofreu um incremento, quando foi observado que o tatu de nove bandas desenvolvia a forma disseminada da hanseníase, após a inoculação com bacilos derivados de lesões de pacientes com hanseníase virchowiana. A baixa temperatura corporal (30-35 C) , que seria uma exigência para a multiplicação do “M. leprae” , fez com que o tatu se tornasse um importante modelo experimental para estudo de diversos aspectos da hanseníase, além de ser utilizado para obtenção de bacilos em grandes quantidades.


As lesões observadas em tatus inoculados não se limitam a nervos periféricos e pele, podendo ocorrer também comprometimento de linfonodos, fígado, baço, medula óssea, olhos, sistema nervoso central, testículos, ovários e pulmões.


Tatus naturalmente infectados foram encontrados nos Estados Unidos. Ao exame histopatológico das lesões, foi observado que estas eram idênticas às obtidas experimentalmente, com infiltrados histiocitários com grande número de bacilos, havendo comprometimento de nervos, gânglios, baço e fígado.


Ainda que não tenha sido provado que a hanseníase possa ser uma zoonose, a existência de bacilos em animais selvagens pode ter implicações nos programas de controle e erradicação da doença em seres humanos.


Outros animais inoculados com algum sucesso foram:


Roedores- Esquilo coreano ( “Tamias sibiricus asiaticus” )


Esquilo ( “Citellus tridecemlineatus” )


Ouriço Europeu- ( “Erinaceus europeu” )


Primatas não humanos-


Chimpanzé ( “Pan troglodytes” )


Macaco Mangabey ( “Cercocebus atys” )


Macaco Rhesus ( “Macaca mulatta” ).


Fonte: www.geocities.com

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