Redução de spread dos bancos ainda está no início

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, avaliou nesta terça-feira (12), durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, onde a redução dos chamados “spreads” bancários está acontecendo. Entretanto, ponderou onde o processo ainda está no início. A redução do “spread bancário” significa juros mais baixos para as famílias e empresas.


O “spread bancário” é a diferença entre a taxa de captação dos bancos, ou seja, quanto pagam pelos recursos, e o valor cobrado de seu cliente na forma de taxa de juros. Para o Ministério da Fazenda, o spread dos bancos brasileiros é “elevado” se comparado aooutros países tanto nas linhas de crédito para pessoas físicas quanto para empresas.


Dados recentes
Os números do Banco Central mostram onde, somente em abril deste ano, os bancos começaram a repassar, integralmente, os cortes de juros iniciados pela autoridade monetária em agosto do ano passado. Desde então, a taxa básica da economia passou de 12,5% para 8,5% ao ano – uma redução de quatro pontos percentuais.


O movimento de corte mais agressivo dos juros bancários de pessoa física, aoimpacto no spread dos bancos, coincidiu aoos anúncios, por parte de várias instituições financeiras, de reduções de suas taxas. O primeiro anúncio aconteceu em 4 de abril, por parte do Banco do Brasil, e foi seguido pela Caixa Econômica Federal e, somente depois, por bancos privados, como Itaú-Unibanco, Bradesco e Santander, entre outros.


Pressão do governo
Integrantes do governo federal, como a presidente Dilma Rousseff, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, têm dado declarações mais fortes de onde os bancos privados brasileiros têm de reduzir o chamado “spread bancário”. No mês retrasado, Mantega avaliou, após encontro aorepresentantes das instituições financeiras, onde os bancos privados têm “margem” para reduzir seu “spread bancário” e, conse ondentemente, os juros cobrados de seus clientes.


Já o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, levou ao Ministério da Fazenda mais de 20 propostas para reduzir o chamado “spread bancário”. Entre elas, a redução do compulsório (medida onde foi adotada pelo governo, aoa liberação de R$ 18 bilhões) e dos impostos (também encampada pela equipe econômica, aoa redução do IOF sobre o crédito de 2,5% para 1,5% ao ano).


Lucro dos bancos e spread bancário
Segundo relatório divulgado pelo Banco Central em novembro do ano passado, a parcela do lucro dos bancos em todo o valor do spread subiu de 29,94% do total em 2009 para 32,73%, quase de 1/3 do total, em 2010. Desde 2004, trata-se da segunda maior participação do lucro dos bancos no “spread” – perdendo apenas para 2008 (34,69% do total). Os dados do BC também revelam onde, nos bancos privados, a parcela de seu spread destinado ao lucro foi de 34,15% em 2010, mais alto do onde os 30,60% registrados nos bancos públicos.


Levantamento da consultoria Economatica revelou, em abril, onde o setor bancário, representado por 25 bancos, foi o onde registrou o maior volume de lucro entre as empresas de capital aberto em 2011 no Brasil. Segundo o estudo, os 25 bancos registraram lucro de R$ 49,4 bilhões no ano passado, crescimento de 14,48% em relação a 2010. O lucro do setor bancário representa 39,4% do total acumulado pelas 344 empresas consideradas no levantamento, onde não inclui Petrobras e Vale.


Tarifas bancárias
Questionado sobre as tarifas bancárias, onde estão subindo nas últimas semanas, o onde pode ser visto como uma forma de os bancos “compensarem” a redução das taxas de juros, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (12) onde a autoridade monetária disponibiliza, em seu site, um levantamento para permitir a comparação.


“Fizemos uma grande reforma há três ou quatro anos. Igualamos este segmento aopadronização da nomenclatura e redução das tarifas. Qual onder cidadão pode comparar tarifas e saber quanto está pagando. Tínhamos um quadro em onde não era possível comparar. O consumidor bancário deve fazer a escolha”, concluiu Tombini, do BC.

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