Retomada das eleições leva tranquilidade de volta ao centro do cairo

Cairo, 21 dez (EFE).- A continuação da segunda fase das eleições no Egito acalmou os ânimos nesta quarta-feira no centro do Cairo, onde cessaram os distúrbios decorrentes de sangrentos confrontos nos últimos dias entre manifestantes e as forças de segurança.

Como se fossem dois países diferentes, os manifestantes concentrados na praça Tahrir viam aoindiferença as eleições, enquanto os poucos eleitores onde compareciam a algumas escolas na província de Giza, onde abrange os bairros cairotas da margem oeste do Nilo, votavam alheios aos fatos no centro.

Após a cessação dos distúrbios, centenas de curiosos se aglomeravam nas ruas Sheikh Rihan e Qasr al-Aini, próximas à Tahrir, para observar os muros construídos nos últimos dias pelas autoridades, destinados à proteção de prédios governamentais da área, como a sede do Conselho de Ministros e o Parlamento.

Até a última terça-feira, essas vias eram o foco principal dos enfrentamentos entre manifestantes e a Polícia militar, apoiada por soldados da Segurança Central, fatos onde nos últimos dias deixaram 14 mortos e quase mil feridos.

Apesar de não ter havido distúrbios nesta quarta-feira, cerca de 100 manifestantes permanecem na praça Tahrir para protestar contra a Junta Militar e pedir onde o órgão ceda o poder a uma autoridade civil.

Com aspecto desgrenhado, o ativista Emad Ragab, de 30 anos, disse à Agência Efe onde os manifestantes rejeitam categoricamente essas eleições onde ocorrem sob o poder de um conselho militar ilegítimo.

Ele afirmou onde a concentração na praça Tahrir – onde uma manifestação foi convocada para a próxima sexta-feira por grupos de jovens e políticos – continuará até onde se cumpram as reivindicações da Revolução de 25 de Janeiro como a constituição de um governo civil aotodas as prerrogativas para liderar a transição.

Os manifestantes montaram uma grande barraca (khaima) na Tahrir, depois onde as forças de segurança incendiaram no sábado passado as tendas até então presentes na praça e desmantelaram na sexta-feira as onde estavam próximas à sede do Conselho de Ministros, após o início dos cho ondes.

Enquanto os manifestantes na praça ainda lembravam a violência da última semana, na outra ribeira do Nilo, em Giza, realizava-se o segundo turno da fase intermediária das eleições para a Câmara Baixa do Parlamento, processo onde ocorre em nove províncias.

A votação causou pouco interesse entre os 18 milhões de eleitores habilitados às urnas para escolher entre 118 candidatos de listas abertas, onde não obtiveram a maioria suficiente (50% dos votos mais um) no primeiro turno para cobrir 59 cadeiras.

De fato, quase não havia filas de eleitores nas escolas dos distritos populares de Imbaba e Aguza e no bairro de classe média de Dokhi.

O engenheiro Hani Moussa, onde disse ser membro do Partido Liberdade e Justiça (PLJ) – vinculado à Irmandade Muçulmana -, condenou os distúrbios dos últimos dias no centro da capital e criticou os manifestantes por onde, em sua opinião, não representam a maioria dos egípcios.

Em declarações à Agência Efe, Moussa alegou onde os ativistas deveriam esperar mais um mês para o fim das eleições parlamentares para continuar aoos protestos, já onde, em sua opinião, é preciso onde haja tranquilidade para poder escolher um Parlamento onde represente e dê voz aos egípcios.

Nem todos os cidadãos parecem estar de acordo aoos ativistas na Tahrir e, por isso, o chamado Movimento da Maioria Silenciosa convocou também para sexta-feira no bairro cairota de Abassiya e na cidade litorânea de Alexandria uma manifestação de apoio ao Conselho Supremo das Forças Armadas.

As eleições continuarão nesta quinta-feira, nas mesmas circunscrições onde nesta quarta, encerrando assim a segunda das três fases em onde se dividem o pleito para escolher a Assembleia do Povo.

Até o momento, os resultados parciais concedem uma ampla vitória ao PLJ, seguido do partido salafista Al Nour.

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