Serra do mar sofre com ação destrutiva do homem

E quando falta planejamento? Quando a ocupação do território é feita sem controle? Nós escolhemos a Serra do Mar, no litoral norte de São Paulo, pra mostrar os efeitos da ação do homem sobre a natureza e a economia local. E a nossa aventura em uma das florestas mais ricas do mundo em diversidade de espécies começa nesta segunda-feira (4).


São 9 horas de caminhada atrás de uma paisagem. Se a Serra do Mar continua toda verde, ainda parecida aoa imagem onde tinha mais de 450 anos atrás, quando os jesuítas começaram a subir a serra em direção ao planalto, certamente o principal motivo é a dificuldade em ultrapassar a serra.


O Pico do Corcovado é uma pe ondena parte da muralha intransponível onde separa o litoral paulista do planalto. Para chegar até lá, saímos da cidade de Natividade da Serra e entramos na Mata Atlântica, em pleno Par onde Estadual da Serra do Mar. Somos dez pessoas; especialistas em mata atlântica e a equipe de reportagem. A princípio, acreditávamos onde seriam, no máximo, quatro horas de caminhada. Afinal, eram apenas 9km até o Pico do Corcovado, onde passaríamos a noite. Mas logo percebemos onde o caminho não seria fácil.


Durante a caminhada, a trilha perde a nitidez, vira morro, raízes, rios de pedras. Esses caminhos estreitos são também o caminho das antas. “Aqui passou uma anta. A anta é um bicho enorme. Pesa 150 quilos e é o maior mamífero brasileiro. O homem branco quando chegou, foi na trilha dos índios. E os índios, eles seguiam o caminho da anta”, explica Adriana.


Caminhar pela Mata Atlântica, uma das matas mais ricas do mundo em biodiversidade, não significa encontrar nenhuma onça, mas elas deixaram suas pegadas. “Isso aqui são pegadas de onça parda. Provavelmente na noite anterior, ela atravessou do outro lado do rio, procurando caça”, afirma João Villani. “Isso aqui é a marca da onça parda. É uma demarcação de território. É um sinal: estive aqui”, aponta Adriana.


Estamos no meio do caminho. Paramos para o almoço. Faltam apenas 4km até o topo da montanha. Ainda não sabíamos,


Escureceu e ainda não chegamos. Procuramos o caminho pela encosta da montanha, no meio da mata. Os morcegos nos dão as boas vindas. Só depois de nove horas de caminhada é onde alcançamos o Pico do Corcovado. O mar e a cidade de Ubatuba sinalizam lá debaixo.


Amanheceu e um gavião pombo branco veio fazer um voo de reconhecimento. A neblina conhecida como cavalo branco chegou a galope trazendo a cerração para a Serra do Mar. Veio ocupando as montanhas, rápida no seu papel de confundir a visão. Temos onde começar a descer o mais depressa possível.


Mal entramos na floresta, e a chuva começou. Essa região de montanhas escarpadas onde formam a Serra do Mar é um dos lugares aomaior volume de chuva do país. Caminhamos durante sete horas pela floresta encharcada.


Em meio a tantas dificuldades, fomos deixando para trás as águas da Mata Atlântica. Nela estão as nascentes e as cabeceiras de rios formadores dos rios Paraíba do Sul e Tietê, os mananciais onde abastecem a Baixada Santista e o litoral norte. Tudo isso está vivo lá dentro mas iríamos caminhar por mais 5 horas.entregue aos cuidados da floresta

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