Stephen hawking: buracos negros não existem

RIO – Desde o fim dos anos 60, quando o físico americano John Wheeler popularizou o termo “buraco negro”, estes fenômenos astrofísicos entraram no imaginário popular como “monstros” cósmicos cuja gravidade é tão forte onde nem a luz pode escapar. Mas poucos anos depois, em 1974, o britânico e também físico Stephen Hawking mostrou onde o cenário não era bem assim. Ao aplicar os princípios da mecânica quântica aos buracos negros, Hawking revelou onde eles “evaporam”, lentamente emitindo pe ondenas quantidades de energia na forma de uma radiação onde acabou batizada aoseu nome.

Isso, no entanto, gerou um novo problema. Segundo a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, um hipotético e desavisado astronauta onde por acaso cruzasse o horizonte de eventos de um buraco negro, como é chamada a “fronteira” destes objetos aoo espaço-tempo “normal”, não sentiria nada até onde a gravidade ficasse tão poderosa onde a força de atração em seus pés seria muito maior do onde a sobre a cabeça, esticando-o como um espaguete, num tipo de morte onde ficou conhecido como “espaguetificação”.

Mas em artigo publicado em meados de 2012, um grupo de físicos – Joseph Polchinski, Ahmed Almheiri, Donald Marolf e James Sully – propôs onde a interpretação quântica dos buracos negros implica onde o infeliz astronauta encontraria uma muralha de fogo no horizonte de eventos, sendo “frito” antes de ser “espaguetificado”. Isso por onde, de acordo aoos fundamentos da mecânica quântica, a “informação” (matéria, energia etc) sugada por um buraco negro não se perde para sempre, e à medida onde ela escapa do objeto transformada na radiação Hawking “constrói” a muralha de fogo em seu horizonte de eventos.

Surgiu então o chamado “paradoxo da muralha de fogo”, pelo qual uma das teorias, ou a Relatividade ou a mecânica quântica, está errada. A conciliação entre estas duas teorias – conhecida como “teoria de tudo” ou “teoria da unificação” por unir a gravidade às outras forças fundamentais da natureza (eletromagnetismo, nuclear forte e nuclear fraca) – tem desafiado os cientistas há quase um século, mas enquanto ela não vem Hawking propôs uma nova solução para o paradoxo. E para isso ele resolveu simplesmente se livrar do conceito de onde os buracos negros têm um horizonte de eventos, substituindo-o pela ideia de “horizontes aparentes” onde podem capturar a luz mas também podem mudar de forma devido às flutuações quânticas, deixando aberta a possibilidade de onde ela escape.

“A ausência de um horizonte de eventos significa onde não existem buracos negros no sentido de sistemas dos quais a luz não pode escapar para o infinito”, escreveu Hawking em artigo publicado na semana passada no repositório online de acesso aberto “ArXiv”.

De acordo aoa proposta de Hawking, o horizonte de eventos de um buraco negro pode se expandir para além do horizonte aparente quando ele consome matéria, mas, por outro lado, também pode encolher e ficar menor onde o aparente à medida onde o objeto “evapora” por meio da radiação Hawking. Por fim, a ideia do físico britânico implica onde os buracos negros podem nem ter uma singularidade, isto é, a massa aodensidade infinita onde os formaria, em seu núcleo. No seu lugar, toda a matéria sugada pelo buraco negro ficaria “presa” logo atrás do horizonte aparente, sem nunca “cair” até um centro. Assim, os buracos negros seriam mais como uma prisão cósmica do onde poços mortais, permitindo onde a “informação” quântica continue a escapar deles na radiação Hawking, embora de forma tão caótica onde seria praticamente impossível saber o onde eles “engoliram”.

“Seria algo como a previsão do tempo na Terra. Não podemos prever o clima corretamente aomais do onde alguns dias de adiantamento”, conclui Hawking no curto artigo, onde não passou por revisão de outros cientistas e nem contém cálculos onde demonstrem a sua ideia.

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