Suicídio coletivo parte 2

Alguns julgam a prática do suicídio um ato corajoso, outros um ato covarde. A realidade é que é um ato penoso para quem prática, pois seus problemas estarão apenas começando, após essa “fuga” da matéria. Ninguém queira conhecer o Vale dos Suicidas, ou melhor, deveriam ter pelo menos uma visão desse lugar para que tenham consciência de que se o inferno existe, ali é o lugar.

         Um dos maiores escritores de Portugal, Camilo Castelo Branco, se suicidou aos 65 anos, com um tiro no ouvido, quando foi acometido por uma cegueira, devido a uma doença nos olhos. Alguns anos mais tarde, por meio da médium Yvonne Pereira, escreveu Memórias de um Suicida, no qual descreveu com riqueza de detalhes a situação dos que suicidam e sua permanência no Vale dos Suicidas. Em determinado momento, ele fala sobre entidades perversas que escravizam criaturas nas condições amargurosas em que se via. Aprisionado, juntamente com outros suicidas, foram obrigados a fazer uma caminhada “penosamente por um vale profundo, onde nos vimos obrigados a enfileirar-nos de dois a dois, enquanto faziam idênticas manobras os nossos vigilantes. Cavernas surgiram de um lado e outro das ruas que se diriam antes estreitas gargantas entre montanhas abruptas e sombrias, e todas numeradas. Tratava-se, certamente, de uma estranha “povoação”, uma “cidade” em que as habitações seriam cavernas, dada a miséria de seus habitantes, os quais não possuiriam cabedais suficientes para torná-las agradáveis e facilmente habitáveis (…) Não se distinguiria terreno, senão pedras, lamaçais ou pântanos, sombras, aguaceiros… Sob os ardores da febre excitante da minha desgraça, cheguei a pensar que, se tal região não fosse um pequeno recôncavo da Lua, existiriam por lá, certamente, locais muito semelhantes”.


         Dessa forma, imaginem um grupo de suicidas chegando do “outro lado”, tomando ciência de que a vida continua e que a promessa de um “paraíso”, seja ela prometida por um religioso ou um pacto mal planejado pela Internet, onde a realidade não corresponde com a ilusão dos suicidas que terão que responder por estes atos. A frustração ao chegar do outro lado faz com que os suicidas se arrependem ardentemente, porém é tarde demais.


Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, lê-se que “as conseqüências do suicídio são muito diversas: não há penas fixadas e, em todos os casos, são sempre relativas às causas que o provocaram. Mas uma conseqüência à qual o suicida não pode fugir é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros em uma nova existência que será pior que aquela da qual interromperam o curso”.


            Sendo assim, temos consciência de que tanto pela iniciativa, quanto pela indução, iremos responder pelos nossos atos, pois afinal temos o livre-arbítrio para tomar as decisões que achamos cabíveis naquele momento, muitas vezes sem ter a noção exata das conseqüências futuras.


         Não se deixe levar pelas ilusões de um mundo melhor pós-suicídio, afinal a porta falsa do suicídio é uma armadilha para um caminho sem volta.


         No Centro Espírita pode-se obter ajuda através de palestras educativas e esclarecedoras, passe, tratamento da desobsessão, água fluída, leituras edificantes e o culto do evangelho no lar.


         É nossa obrigação acolher com carinho as pessoas que sabemos ter tendência suicida. Devemos estar atentos para que elas não cometam essa atrocidade contra si mesmas. Muitas vezes o medo faz com que procurem outras pessoas com o mesmo intuito suicida, se encorajando, acabam praticando o suicídio coletivo.

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