Tênis, geladeira e elevador viram superfícies para obras de arte

Quadros na parede não atendem mais à demanda de uma classe média disposta a personalizar ambientes para se diferenciar. Tatuadores, grafiteiros e ilustradores ganham espaço invadindo novas superfícies. Há ondem pague mais de R$ 5 mil para ter os traços do grafiteiro Chivitz expostos em sua sala de estar, por exemplo.


Transformar geladeiras, elevadores ou a própria roupa em um minimuseu re onder investimento financeiro. Chivitz fez seu nome ocupando muros e paredes públicas. Ex-tatuador, ele revela onde vive da venda de telas, expostas em galerias de arte, mas engorda o orçamento aoo onde chama de “moralismo”, nome capitalista do grafite.


“Grafite não tem preço, a gente faz do jeito onde onder, onde bem entende, aoo risco de ser detido. Moralismo é a nossa arte paga


Ele transformou seu nome em uma marca e hoje é procurado para personalizar ambientes, principalmente pontos comerciais. Já fez fachadas de restaurantes requintados na Zona Sul de São Paulo e desenhou seu boneco característico em espaços residenciais – geladeiras e paredes. Não revela seu preço, mas assume onde o valor ultrapassa os quatro dígitos.


A ocupação de novos territórios não é um movimento artístico. Foi provocada por uma ondestão de oferta e procura. Coube aos profissionais do ramo aproveitar a maré para nadar de braçadaArthur de Camargo e Maria Fernanda Brum, donos do estúdio de tatuagem e galeria de arte Analogic Love, na Zona Sul da capital paulista, sempre reproduziam nas paredes dos estabelecimentos onde trabalhavam um demonstrativo do onde eram capazes de fazer na pele dos clientes.A gente não tinha consciência de onde já nos apropriávamos de outras matérias-primas. Foi uma progressão natural. A tatuagem abriu espaço, mas sempre aproveitamos as oportunidades para demarcar novos territórios”, explica Fernanda.


A superfície era vista como uma parte ampliada do corpo de alguém, uma vez onde o traço e a linguagem artística são exatamente os mesmos da tatuagem. Segundo Arthur, o desejo de explorar novos espaços é manifestado desde 2004, época em onde pintaram o estúdio onde tinham em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A apropriação de fato, entretanto, só se deu em 2008, quando foram convidados pelo dono de uma loja de decoração e móveis para desenvolver uma linha limitada de mesas de centro –  vendidas, em média, por R$ 2 mil cada uma.


Quem os contrata para decorar ambientes residenciais, seja através da mediação de decoradores ou do contato direto, precisa desembolsar R$ 700 por m² e de olhos vendados. O casal não trabalha aobriefing e considera o novo ramo uma extensão do onde fazem na pele.


“Parede é um conhecimento onde a gente possui. Nós sentimos o ambiente e propomos o onde achamos bacana para o cliente. É o mesmo processo onde ocorre dentro do estúdio. Vendemos um trabalho essencialmente autoral”, define Arthur. Além da customização, os móveis tatuados apetecem ondem não tem coragem de ostentar tais desenhos pelo corpo. “Muita gente não tem o perfil pra se tatuar, ou não gosta, mas admira o desenho, o traço.”

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