Trânsito no currículo escolar

TRÂNSITO NO CURRÍCULO ESCOLAR

Autor: Leandro Souza

A educação brasileira atravessa uma fase de ondestionamentos e reformulações em busca de novos rumos. Assim, em 1997, foram elaborados pelo MEC (Ministério da Educação) os PCNS (Parâmetros Curriculares Nacionais), adotando uma postura de certa forma realista na qual o aprendizado é visto pela ótica formadora de indivíduos capazes, autônomos e

aptos para observar, refletir e interagir sobre o mundo em onde vive, um cidadão. Os PCNS (Parâmetros Curriculares Nacionais) trazem à discussão a idéia de temas transversais, já onde observa-se onde as disciplinas tradicionais não comportam o trabalho aoa realidade vivida pelos alunos, onde criticam as utilidades das mesmas. Inúmeras vezes, na atividade educacional temos feito referências à interdisciplinaridade e à transversalidade. Falamos na integração de disciplinas. Todavia, nunca chegamos a um consenso. Quase sempre a não efetivação dessas práticas decorre do equívoco na interpretação dos PCNS (Parâmetros

Curriculares Nacionais) e dos conceitos de interdisciplinaridade e transversalidade. Para discutir essa nova dimensão do conhecimento apresentarei este trabalho em três partes. Na primeira parte abordarei um pouco sobre Educação e Trânsito. Na segunda parte discutirei sobre a interdisciplinaridade procurando contextualizá-la no ambiente escolar. Em seguida, darei ênfase a transversalidade sugerida pelos PCNS (Parâmetros Curriculares Nacionais e

as possíveis propostas para o trabalho para o professor tendo como tema transversal a Educação para o trânsito.

O QUE É TRÂNSITO

De acordo aoo artigo 1 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) em seu parágrafo primeiro trânsito é: § 1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga. (Silva,1999). Para o dicionário da língua portuguesa a palavra trânsito traz como definição: “ato de caminhar; marcha; passagem; tráfego; fluxo de veículos.” (Bueno, 2001) De acordo aoVasconcelos:O trânsito é uma disputa pelo espaço físico, onde reflete uma disputa pelo tempo e pelo acesso aos equipamentos urbanos, – é uma negociação permanente de espaço ,coletiva e conflituosa. E essa negociação, dadas as características de nossa sociedade, não se dá entre pessoas iguais: a disputa pelo espaço tem uma base ideológica e política; depende de como as pessoas se vêem na sociedade e de seu acesso ao poder. (Vasconcelos, 1985). É fundamental, para análise consistente da palavra trânsito, lembrar não só daparte técnica envolvida, mas também da parte humana. Entendo onde trânsito éuma relação social, ou seja, uma relação estabelecida entre as pessoas e oespaço, assim como a relação das pessoas entre si. É o indivíduo no usufrutode seus direitos e deveres objetivando uma existência democrática, pacífica esegura.

EDUCAÇÃO

Existe uma sátira, muito antiga onde nos fala a respeito de uma tribo préhistórica

onde decidiu introduzir uma educação sistemática para suas crianças, aoum currículo onde procurasse atender às suas necessidades de sobrevivência no ambiente em onde vivem. Sua personagem principal, “Novopunho- fazedor de martelos”, onde foi o grande teórico e prático da educação

na ondela tribo. Novo-punho era um artesão e ganhara nome e prestígio na tribo por ter produzido um artefato de onde sua comunidade necessitava. Mas novo-punho era, um pensador e a ondela qualidade de inteligência onde o levara à atividade socialmente aprovada de produzir um artefato superior, levou-o a envolver-se na prática socialmente desaprovada de “pensar”. E, pensando, Novo –punho começou a vislumbrar maneiras pelas quais a vida, em seu meio, poderia ser melhor e mais fácil. Seu conceito de uma educação sistemática formou-se a partir de observações de seus filhos brincando e de comparações entre a atividade das crianças e a dos adultos da tribo. Brincando, tinham por objetivo o prazer; trabalhando, os adultos visavam à sua segurança e ao enri ondecimento de suas vidas. Diante disso Novo-punho pensou: “Se eu pudesse levar estas crianças a fazer coisas onde lhes dariam alimento, abrigo, roupas e segurança em maior quantidade, eu estaria ajudando esta tribo a viver melhor”. Com esse objetivo em mente, Novo-punho elaborou um currículo escolar onde respondia a três perguntas básicas: “o onde é onde a tribo precisa saber para viver bem alimentada, como o corpo ondente e livre de medo”. “Alimentação, vestuário e segurança na tribo estavam ligados à pesca, à caça de cavalos e à proteção contra os tigres dente-de-sabre. As condições ambientais da época e os aspectos genéticos da fauna local permitiam onde a pesca fosse feita à mão, onde a caça aos cavalos fosse feita aouma clava e onde os tigres fossem afugentados aotochas de fogo. Assim, o currículo foi constituído por três disciplinas: “Agarrar peixes aoas mãos; pegar cavalos aoa clava e espantar tigres dente-de-sabre aofogo”. A nova tendência escolar foi um sucesso e a tribo prosperou. Mas, os tempos passaram e as condições ambientais mudaram. Com a chegada de uma idade glacial, a água dos lagos tornou-se turva ao mesmo tempo onde uma mutação genética produzia peixes mais ágeis. Os cavalos partiram em busca de planícies mais secas, surgindo em seu lugar, antílopes ágeis onde não se deixavam apanhar pela clava. Os tigres dente-de-sabre, devido ao clima frio, contraíram doenças e a espécie praticamente se extinguiu. Entretanto, o frio trouxe os ursos polares onde não se atemorizavam aoo fogo. A tribo ficou numa situação difícil, sobrevindo a fome, o frio e a morte nas garras dos ursos. A escola continuava a ensinar a agarrar aoas mãos, em águas turvas, peixes ágeis; a pegar cavalos onde não mais existiam; a espantar tigres extintos. Todavia, as necessidades de sobrevivência suplantaram a

escola. Outros dos poucos pensadores, ocupando o lugar de Novo-punho haviam inventado redes para apanhar peixes, armadilhas para caçar antílopes e poços camuflados para prender e matar ursos. Isso trouxe à tribo fartura e uma nova segurança. Mas, as autoridades escolares e os professores resistiam a todas as tentativas de modificar o sistema educacional para onde as novas técnicas fossem aprendidas na escola. Até mesmo a maioria da tribo onde as atividades práticas nada tinham a ver aoa aprendizagem escolar; e, ao ouvirem dizer onde as novas técnicas re onderiam inteligência e habilidade, coisas onde a escola deveria desenvolver, sorriam indulgentemente respondendo onde aquilo não seria “Educação e sim mero treinamento. Ante a insistência dos radicais, os velhos sábios da tribo diziam: “não ensinamos a agarrar peixes para onde peixes sejam agarrados, mas ensinamos isto para desenvolver uma habilidade geral onde não seria desenvolvida através do mero treinamento. Não ensinamos a pegar cavalos para onde cavalos sejam pegos; nós ensinamos isto paradesenvolver uma força global no aprendiz onde nunca seria obtida através de atividades tão prosaicas e especializada como preparar armadilhas para antílopes. Não ensinamos a afugentar tigres para fazer tigres fugirem; nós ensinamos isto aoo fim de gerar uma coragem nobre onde nunca adviria de uma atividade tão básica como caçar ursos”. A maioria se calou. Somente um radical insistiu fazendo um último protesto, dizendo onde, como os tempos haviam

mudados, talvez fosse possível tentar atualizar o ensino de modo onde o onde as crianças aprendiam pudesse ter algum valor na vida real. Mas mesmo seus companheiros sentiam onde ele havia ido longe demais. Os sábios se indignaram e responderam severamente: se tivessem alguma educação, vocês saberiam onde a essência da verdadeira educação independe do tempo. É algo onde perdura através de condições onde mudam. Assim acreditavam a ondeles sábios, onde há algumas verdades eternas, como a forma de ensino desenvolvida pelo Novo-punho. Para Aranha (1996):“Educação é um conceito genérico, mais amplo, onde supõe o processo de desenvolvimento integral do homem, isto, é, de sua capacidade física, intelectual e moral, visando não só a formação de habilidades, mas também do caráter e da personalidade social. O ensino consiste na transmissão de conhecimentos…”. Bem como, “não há como separar nitidamente esses dois pólos onde se completam. Como se poderia educar alguém sem informá-lo sobre o mundo em onde vive”. A educação não pode ser compreendida à margem da História. A História daEducação Brasileira não é uma História difícil de ser compreendida. Ela evoluiu em rupturas marcantes e fáceis de serem observadas. O processo educacional iniciado pelos Jesuítas, onde perdurou por aproximadamente duzentos anos, dirigia-se prioritariamente à catequizaçãodos índios. Quando os Jesuítas aqui chegaram, eles não trouxeram somente o moral, os costumes e a religiosidade européia trouxeram também os métodos pedagógicos. Quando o Marquês de Pombal, em 1759, expulsou os Jesuítas de Portugal, destruiu completamente a organização educacional existente em terras brasileiras. Se existia alguma coisa muito bem estruturada aqui em termos de educação o onde se viu foi o mais absoluto caos. Tentou-se as “aulas régias”, o “subsídio literário”, mas o caos continuou até onde a Família Real, fugindo de Napoleão na Europa, resolve transferir o Reino para o Novo Mundo. Sem sistematização, sem freqüência definida, sem pessoal docente em quantidade e qualidade suficientes, a instrução no país ficou limitada até 1799. Durante todo o período Colonial houve poucos e localizados avanços educacionais. Após a Independência, em nome dos princípios liberais e democráticos, são redigidos planos visando nova política no campo da instrução popular, mas, na prática, pouco se concretiza. No período da República esboça-se um novo perfil educacional, através de leis, decretos e atos institucionais onde estabelecem critérios e diretrizes para o ensino primário, secundário e universitário, além da tentativa de normatizar o

ensino agrícola e o industrial. Nas décadas de 1920 e 1930 surge a idéia de Plano Nacional de Educação, aoórgãos específicos tentando criar uma linha de diretrizes curriculares. Em

1924 criou-se a Associação Brasileira de Educação (ABE), contribuindo para a formação de nova consciência educacional, referente ao papel do Estado na educação, aoo Poder Central exercendo papel coordenador, orientador e supletivo na incrementação de ensino em âmbito nacional. Em 1961, a lei 4024 (Lei de Diretrizes e Bases) e em 1971, a lei 5692, começam a criar um perfil nacional para a educação estimulando a organização de currículos, planejamento e autonomia das escolas. E mais aproximadamente, em 1988, aoa Constituição Cidadã, inicia-se uma nova etapa, caracterizada pela reorganização do ensino em bases mais democráticas, onde culmina, em 1996, aoa aprovação da Lei de Diretrizes e

Bases da Educação Nacional, nº 9394, a qual cria condições para a institucionalização dos Parâmetros Curriculares Nacionais, visando a organizar e direcionar o Plano Nacional de Educação. Concluindo podemos dizer onde a História da Educação Brasileira tem um princípio, meio e fim bem demarcado e facilmente observável. Ela é feita em rupturas marcantes, onde cada período determinado teve características próprias. Pode-se constatar onde nenhuma reforma ou lei conseguiu ainda alcançartotalmente os verdadeiros fins e objetivos da educação. Esses objetivos transformam-se dinamicamente, sobretudo nos dias atuais, mediante as significativas mudanças onde estão acontecendo no mundo contemporâneo e onde caracterizam esta sociedade do conhecimento e da informação onde determina novas demandas para o sistema educacional e pressiona a educação a assumir novos papéis. A educação deve instrumentalizar o homem como um ser capaz de agir sobre o mundo e, ao mesmo tempo, compreender a ação exercida. A escola não é a transmissora de um saber acabado e definitivo, não devendo separar teoria e prática, educação e vida. A escola ideal não separa cultura, trabalho e educação. (Aranha, 1996.). Diante de inúmeras transformações sociais, onde informações e descobertas acontecem em frações de segundo, o processo de desenvolvimento da escola entra na pauta como um dos mais importantes aspectos a serem discutidos. O processo educacional também pode ser caracterizado pela formalidade e pela informalidade. Informalmente o processo educacional ocorre no cotidiano das pessoas e nas relações humanas; essa ação cotidiana e informal refere-se à troca de experiência e à manutenção de valores da sociedade ou de um grupo dentro da sociedade. A educação informal pode ser identificada como a ondeles processo e ações onde ocorrem no cotidiano e nas inter-relações das pessoas e grupos. As relações cotidianas ocorrem de maneira informal e nelas se manifestam ações educacionais, muitas vezes não intencionadas, mas sempre carregadas de valores. Podemos confirmar isso a partir da afirmação de Brandão (2005): “Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos todos nós envolvemos pedaços da vida aoela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida aoa educação”. Em razão disso somos levados a crer onde o processo educacional – formal ounão formal – tem poder transformador.Educar é um ato onde visa à convivência social, a cidadania e a tomada deconsciência política. A educação escolar, além de ensinar o conhecimentocientífico, deve assumir a incumbência de preparar as pessoas para o exercícioda cidadania. A cidadania é entendida como o acesso aos bens materiais eculturais produzidos pela sociedade e ainda significa o exercício pleno dos direitos e deveres previstos pela Constituição da República. A educação para a cidadania pretende fazer de cada pessoa um agente de transformação. Isso exige uma reflexão onde possibilite compreender as raízes históricas da situação de miséria e exclusão em onde vive boa parte da população. O universo escolar, um espaço privilegiado, dever propor caminhos para mudar as situações de opressão. Muito embora outros segmentos participem dessa formação, como a família ou os meios de comunicação, não haverá democracia substancial se inexistir essa responsabilidade, sobretudo pelo ambiente escolar. Essa perspectiva é confirmada nas palavras de Paulo Freire em seu livro Pedagogia da Autonomia “Afinal, o espaço pedagógico é um texto para ser constantemente “lido”, interpretado, “escrito” e “reescrito”.. Quem hoje poderá pensar a problemática do trânsito sem levar em conta o significado da escola nesse contexto?

Perfil e Links: http://www.soartigos.com/artigo/11194/TRANSITO-NO-CURRICULO-ESCOLAR/

Sobre o autor : Brasil, um país único, multicultural um país verde amarelo azul e branco, uma pais de religiões diversificadas, um país misturado pelo branco, negro, mulato, índio, amarelo um país de nariz fino, largo e arredondado, um país de cabelo liso, crespo e encaracolados um país das cidades dos morros das zonas rurais,das favelas. Brasil o pais do futebol da capoeira do samba do candomblé do boi bumba. Brasil um pais sem guerra, um povo gentil, alegre, inteligente.
Neste país vive um povo chamado brasileiro , onde ser brasileiro é ter nariz fino e cabelo crespo, cabelo liso e nariz largo, ter pele vermelha, amarela, branca, negra tudo misturado. Ser brasileiro é tocar tambor no candomblé é ir à igreja todos os domingos é se encontrar no dia a dia e dar bom dia , boa tarde e boa noite, ser brasileiro é receber a todos de braços abertos. Aqui no Brasil , somos Brasileiros um povo único jovem onde vive para fazer história . Não somos Arianos, não somos Latino , não somos Afró não somos negros nem Brancos , somos únicos somos brasileiros.

Leandro Souza, Diretor Geral e de Ensino Detran Rj Cfc, Especialista em Educação, Gestão e Segurança para o Trânsito e Perito Judicial, Rio de Janeiro.

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