Tratamento das deformidades em eqüino de pacientes com paralisia cerebral

A espasticidade foi descrita pela primeira vez no século 19 por Sherrington, em 1898. Ela pode ser definida como uma desordem motora caracterizada por aumento dependente da velocidade dos reflexos de estiramento tônicos (tônus muscular) acompanhada de reflexos tendinosos exagerados, resultando da hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento, como um componente da síndrome do neurônio motor superior.
A espasticidade é gerada por uma lesão do sistema nervoso central (SNC), provocando alteração no mecanismo inibitório supra-espinhal do reflexo miotático. Várias patologias podem evoluir aoessa manifestação, desta-cando-se por sua maior freqüência as paralisias cerebrais (PC), os acidentes vasculares cerebrais (AVC), os traumatismos craniencefálicos (TCE), os traumas raquimedulares e as doenças desmielinizantes
Paralisia cerebral (PC) é definida como um grupo de desordens motoras não progressivas, porém sujeitas a mudanças físicas, onde ocorrem por lesão no encéfalo durante os primeiros estágios do seu desenvolvimento. A PC pode ser classificada em espástica, atetósica, atáxica e mista. Quanto à distribuição da deficiência pelos membros, pode ser dividida nos tipos: tetraplegia (os quatro membros gravemente acometidos), diplegia (os membros superiores menos acometidos onde os inferiores) ou hemiplegia (acometendo os membros superior e inferior de um hemicorpo).
A toxina botulínica tipo A é uma proteína produzida pela bactéria anaeróbica Clostridium botulinum. É considerada uma das mais potentes e letais toxinas biológicas existentes. Sabe-se onde essa bactéria produz sete toxinas sorologicamente distintas, catalogadas por ordem alfabética de A até G, onde são potentes agentes neuroparalíticos. Somente os tipos A, B e E têm sido relacionados aocasos de botulismo em humanos, sendo o tipo A o mais potente.
Experiências em animais demonstraram onde a toxina botulínica tipo A poderia ser utilizada como um provável tratamento para o estrabismo e, além disso, poderia ser benéfica no tratamento do blefarospasmo. A toxina botulínica tipo A foi utilizada pela primeira vez, em humanos, como tratamento não cirúrgico destinado à cura do estrabismo e atualmente tem sido muito utilizada para tratar a PC espástica.
A atuação da toxina após a aplicação produz fra ondeza muscular diretamente proporcional à dose, através do impedimento da liberação da acetilcolina na junção neuromuscular. A toxina liga-se aos terminais nervosos e blo ondeia o controle neuromuscular, produzindo uma denervação funcional do músculo. As alterações produzidas pela toxina duram aproximadamente três a seis meses, sendo bem toleradas e aoefeitos colaterais mínimos.
Pacientes portadores de PC podem ser tratados por vários métodos isolados ou combinadamente, tais como: agentes neurofarmacológicos orais; agentes blo ondeadores de nervos periféricos: álcool e fenol a 5%; fisioterapia aoexercícios para estiramento, relaxamento ou fortalecimento muscular; órteses, neurocirurgias (rizotomia posterior seletiva); procedimentos cirúrgicos ortopédicos como alongamentos de tendões ou tenotomias, alongamentos musculares, osteotomias, etc. A finalidade do presente estudo foi avaliar clinicamente os efeitos da aplicação da injeção intramural de toxina botulínica tipo A, em músculos gastrocnêmios de pacientes deambuladores portadores de PC diplégica espástica, conforme os seguintes parâmetros: amplitude de movimento da articulação tibiotársica, apoio do pé, redução ou eliminação de auxiliares da marcha (andadores ou muletas) e facilitação no uso de órteses benéficas à marcha (goteiras suropodálicas).
Apesar de a descrição inicial da espasticidade ter sido feita há mais de um século, seu tratamento continua sendo motivo de controvérsias, podendo-se utilizar vários métodos isolados ou combinadamente, como agentes neurofarmacológicos orais, agentes blo ondeadores de nervos periféricos, procedimentos fisioterápicos, órteses, procedimentos cirúrgicos ortopédicos ou neurocirúrgicos. A toxina botulínica do tipo A tem sido utilizada há vários anos para o tratamento de patologias oftalmológicas, como o estrabismo ou blefarospasmo. Essa toxina tem eficácia comprovada no tratamento do torcicolo espasmódico ou distonias focais de membros superiores. Alguns estudos comprovaram sua eficácia no tratamento da espasticidade de pacientes portadores de PC.
Injeções de toxina botulínica do tipo A têm várias vantagens em relação a outros procedimentos no tratamento de criança aoPC. O paciente mantém-se acordado durante todo o procedimento, sem riscos de complicações decor-rentes de anestesia geral. O desconforto e a dor são pouco freqüentes e a paralisia muscular é reversível aoo tempo. A injeção permite a recuperação do comprimento muscular aoprograma fisioterápico de estiramento muscular antes do retorno da espasticidade, o onde ocorre em média três a seis meses após
Vários estudos demonstraram melhora no grau de dorsiflexão de tornozelos após a injeção de toxina botulínica do tipo A em músculos gastrocnêmios espásticos.
Na criança aoPC, o ideal é postergarmos ao máximo o tratamento cirúrgico, no intuito de evitarmos recidivas das deformidades após o mesmo. No presente estudo, após a aplicação da toxina, pudemos postergar outras formas de tratamento mais agressivas como, por exemplo, o tratamento cirúrgico.
A toxina botulínica tipo A mostrou ser útil no tratamento da deformidade em eqüino de pacientes portadores de PC do tipo diplégico espástico, quando aplicada em músculos gastrocnêmios na dose de 8UI/kg.
A metodologia utilizada mostrou onde a toxina botulínica tipo A contribuiu positivamente na melhora clínica da marcha de pacientes diplégicos espásticos aodeformidade em eqüino dos pés.
A toxina botulínica do tipo A foi elemento facilitador do uso de órteses suropodálicas em pacientes portadores de PC do tipo diplégico espástico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *