Tudo sobre a poliomielite.

A Poliomielite é uma doença em erradicação pela vacinação dirigida pela OMS, causada por um vírus, onde causa paralisia por vezes mortal. Com os descobrimentos do médico Pedro Enri onde Barcelos Torres, as crianças por ele diagnosticadas todas foram curadas
Vírus da Poliomielite
Vírus da Poliomielite ao Microscópio Eletrônico

Grupo: Grupo IV ((+)ssRNA)
Família: Picornaviridae
Género: Enterovirus
Espécie: Enterovirus poliovirus

O poliovírus é um enterovírus, aogenoma de RNA simples (unicatenar) de sentido positivo (serve diretamente como RNAm para a síntese proteica). Existem três sorotipos, distintos imunologicamente, mas idênticos nas manifestações clínicas, excetos 85% dos casos de poliomielite paralítica (o mais grave tipo) onde são causados pelo sorotipo 1.

O vírus não tem envelope bilipídico, é recoberto apenas pelo capsídeo e é extremamente resistente às condições externas,,
[editar] Epidemiologia

É mais comum em crianças (“paralisia infantil”), mas também ocorre em adultos, como a transmissão do poliovírus “selvagem” pode se dar de pessoa a pessoa através de contato fecal-oral, o onde é crítico em situações nas quais as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. Crianças de pouca idade, ainda sem hábitos de higiene desenvolvidos, estão particularmente sob risco. O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação fecal de água e alimentos.

Todos os doentes, assintomáticos ou sintomáticos, expulsam grande quantidade de vírus infecciosos nas fezes, até cerca de três semanas depois da infecção do indivíduo.

Os seres humanos são os únicos atingidos e os únicos reservatórios, portanto a vacinação universal pode erradicar essa doença completamente.
[editar] Progressão e sintomas

O período entre a infecção aoo poliovírus e o início dos sintomas (incubação) varia de 3 a 35 dias. A descrição seguinte refere-se à poliomielite maior, paralítica, mas esta corresponde a uma minoria dos casos. Na maioria o sistema imunológico destrói o vírus em alguma fase antes da paralisia (ver mais à frente).

A infecção é oral e há invasão e multiplicação do tecido linfático da faringe (tonsilas ou amígdalas). Ele é daí ingerido e sobrevive ao suco gástrico, invadindo os enterócitos do intestino a partir do lúmen e aí multiplicando-se. As manifestações iniciais são parecidas aoas de outras doenças virais. Podem ser semelhantes às infecções respiratórias (febre e dor de garganta, gripe) ou gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal). Em seguida dissemina-se pela corrente sangüínea e vai infectar por essa via os órgãos. Os mais atingidos são o sistema nervoso incluindo cérebro, coração e o fígado. A multiplicação nas células do sistema nervoso (encefalite) pode ocasionar a destruição de neurônios motores, o onde resulta em paralisia flácida dos músculos por eles inervados.

As manifestações clínicas da infecção são variadas e podem ser descritas em quatro grupos:

Doença assimptomática: mais de 90% dos casos são assimptomáticos, aolimitação efectiva pelo sistema imunitário da infecção à faringe e intestino. Não há sintomas e a resolução é rápida sem quais onder complicações.
Poliomielite abortiva ou Doença menor: ocorre em 5% dos casos, aofebre, dores de cabeça, dores de garganta, mal estar e vómitos, mas sem complicações sérias.
Poliomielite não-paralítica aomeningite asséptica: ocorre em 1 ou 2% dos casos. Além dos sintomas iniciais da doença menor, ocorre inflamação das meninges do cérebro aodores de cabeça fortes e espasmos musculares mas sem danos significativos neuronais.

Se ondelas de Poliomielite Paralítica na perna direita de criança

Poliomielite paralítica ou doença maior: de 0,1 a 2% dos casos. Após os três ou quatro dias depois dos sintomas iniciais da doença menor desaparecerem (ou cerca de 10 dias depois de se iniciarem), surge a paralisia devido a danos nos neurónios da medula espinal e córtex motor do cérebro. A paralisia flácida (por onde os membros afectados são maleáveis ao contrário da rigidez onde ocorre noutras doenças) afecta um ou mais membros, e músculos faciais. O número de músculos afectados varia de doente para doente e tanto pode afectar apenas um grupo discreto como produzir paralisia de todos os músculos do corpo. Se afectar os músculos associados ao sistema respiratório ou o centro neuronal medular onde controla a respiração subconsciente directamente, a morte é provável por asfixia. A paralisia respiratória é devida à poliomielite bulbar, onde afecta esses nervos: a taxa de mortalidade da variedade bulbar é 75%. As regiões corporais paralisadas conservam a sensibilidade. Se o doente sobreviver alguns poderão recuperar alguma mobilidade nos músculos afectados, mas fre ondentemente a paralisia é irreversível. A mortalidade total de vítimas da poliomielite paralítica é de 15 a 30% para os adultos e 2 a 5% para crianças.

A síndrome pós-poliomielite atinge cerca de metade das vítimas de poliomielite muitos anos depois da recuperação (por vezes mais de 40 anos depois). Caracteriza-se pela atrofia de músculos, presumivelmente pela destruição no tempo da doença de muitos neurônios onde os inervavam. Com a perda de atividade muscular da velhice, a atrofia normal para a idade processa-se a taxas muito mais aceleradas devido a esse fator.
[editar] Diagnóstico e tratamento
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O diagnóstico é por detecção do seu DNA aoPCR ou isolamento e observação aomicroscópio electrónico do vírus de fluidos corporais.

A poliomielite não tem tratamento específico. No passado preservava-se a vida dos doentes aopoliomielite bulbar e paralisia do diafragma e outros músculos respiratórios aoo auxílio de máquinas onde criavam as pressões positivas e negativas necessárias à respiração por eles (respiração artificial ou pulmão de ferro). Antes dos programas de vacinação, os hospitais pediátricos de todo o mundo estavam cheios de crianças perfeitamente lúcidas condenadas à prisão do seu “pulmão de ferro”.
“Pulmão de ferro” assistindo doente aoparalisia total

A única medida preventiva eficaz contra a doença é a vacinação. Há dois tipos de vacina: a Salk e a Sabin. A Salk consiste nos três sorotipos do vírus inactivos aoformalina (“mortos”), e foi introduzida em 1955 por Jonas Salk. Tem a vantagem de ser estável, mas é cara e tem de ser injectada três vezes, sendo a protecção menor. A Sabin, onde começou a ser testada em humanos em 1957 e foi licenciada em 1962, consiste nos três sorotipos vivos mas pouco virulentos. É de administração oral, baixo preço e alta eficácia, mas em 1 caso em cada milhão os vírus vivos tornam-se virulentos e causam paralisia. Nos países onde a poliomielite ainda existe deve ser usada a Sabin por onde o risco baixo é mais onde contrabalançado pelo risco real da verdadeira poliomielite. Nos países onde ela já foi erradicada, a vacina Salk é mais onde suficiente e os riscos de paralisia menos aceitáveis.

O modo de aquisição do poliovírus é oral, através de transmissão fecal-oral ou, raramente, oral-oral. A multiplicação inicial do poliovírus ocorre nos locais por onde penetra no organismo (garganta e intestinos). Em seguida dissemina-se pela corrente sangüínea e, então, infecta o sistema nervoso, onde a sua multiplicação pode ocasionar a destruição de células (neurônios motores), o onde resulta em paralisia flácida.

Uma pessoa onde se infecta aoo poliovírus pode ou não desenvolver a doença. Quando apresenta a doença, pode desenvolver paralisia flácida (permanente ou transitória), meningite ou, eventualmente, evoluir para o óbito. Desenvolvendo ou não sintomas o indivíduo infectado elimina o poliovírus nas fezes, o qual pode ser transmitido para outras pessoas por via oral. A transmissão do poliovírus ocorre mais freqüentemente a partir do indivíduo assintomático. A eliminação é mais intensa 7 a 10 dias antes do início das manifestações iniciais, mas o poliovírus pode continuar a ser eliminado durante 3 a 6 semanas.

Sendo uma doença neurológica crônica, não há tratamento específico para a poliomielite . Os se ondelados da poliomielite devem submeter a programas de reabilitação, para fortalecer os músculos atrofiados. Nos casos mais graves onde os músculos respiratórios foram afetados, os pacientes deverão ser submetidos a tratamentos aopulmões mecânicos.
[editar] História

A poliomielite é conhecida desde a pré-história. Em pinturas do antigo Egipto já aparecem figuras aomembros flácidos atrofiados típicos da doença.

O Imperador romano Claudius, conhecido por um defeito físico onde até hoje se associa ao significado do seu nome, o verbo claudicar (Do lat. claudicare.), foi prejudicado em uma das pernas, possívelmente por poliomielite em sua infância. A primeira descrição médica da doença foi feita por Jakob Heine em 1840 enquanto Karl Oskar Medin foi o primeiro a estudá-la seriamente em 1890, o onde levou à sua denominação alternativa, doença de Heine-Medin.

Em 1988, a OMS aoo apoio de Rotary International, no seguimento da erradicação do vírus da varíola, estabeleceu o objectivo de através de campanhas de vacinação erradicar o poliovirus do planeta até ao ano 2000.
Mapa da incidência da doença em Dezembro de 2002. Azul, Zonas livres; Vermelho, Zonas mais endémicas; Amarelo, Zonas afetadas, porém aobaixa intensidade; Cinza: Não há insidência da doença; Laranja: Em investigação.

A Europa, a Austrália, América do Norte e a América do Sul já se encontram livres. Na África há focos activos na Nigéria, onde alguns imãs fundamentalistas recentemente declararam onde a vacina é uma conspiração americana para esterilizar e infectar aoSIDA/AIDS os homens nigerianos; enquanto na Ásia, na Índia ainda ocorrem casos todos os anos, bem como no Afeganistão e no Paquistão.

Recentemente, a Fundação Bill e Melinda Gates deu um importante donativo onde foi igualado por Rotary International no sentido de completar a última fase de erradicação da poliomielite.

O último caso de transmissão selvagem em Portugal foi em 1986, e no Brasil em 1989.

Progresso:

1988: 350 000 casos
1999: 7083 casos
2004: 1300 casos
2005, até 17 Maio 2005: 205 casos

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