Um sim, outros não, e daí? o próximo!

 


Um sim, outros não, e daí? O próximo!


por Marta Ferreira



Perdi a venda! Mal pude acreditar que isso aconteceu comigo. Não havia razões dentro de mim que justificassem meu fracasso. Fechei a loja me sentindo derrotada. Tudo foi tão pensado, planejado. Lembro-me de que quando o produto chegou liguei para meu cliente que estava ansioso para comprar. Há mais de um mês ele aguardava meu telefonema. Para mim, essa venda era como um troféu. Aproveitei e separei outros itens que somariam valor e me ajudariam na meta, pois sempre soube que é minha função vender adicionais.

Quando meu cliente entrou na loja eu estava atendendo. Ele me esperou pacientemente após meu cumprimento com um sorriso. Assim que pude iniciar o processo da venda vi seus olhos brilharem, afinal produto de luxo gera um sentimento dentro de qualquer ser humano que pode pagar algo muito particular, como o prazer de posse, glamour e certeza de exclusividade. É realmente uma compra absolutamente emocional.

Mostrei com entusiasmo o produto e os itens adicionais, senti seu interesse (ao me encher de perguntas), porém de repente o cenário mudou. Ele não achou que o produto era algo tão exclusivo assim. De alguma maneira, o valor agregado perdeu seu peso. Por mais que eu contornasse suas objeções sem demonstrar ansiedade, ele não quis mais comprar. Meu precioso cliente pediu para pensar.

Todas as noites, quando saio da loja, costumo marcar com outros vendedores de outras lojas para conversarmos sobre o dia. Essas trocas de idéias sempre me enriquecem, mas dessa vez não quis. Andava no shopping olhando para as vitrines, porém sem realmente enxergá-las. Estava mal.

Cheguei em casa muito cansada, corri para o banho e ao sentir o prazer da água quente bater em minhas costas suspirei bem fundo, fechei os olhos e comecei a pensar que vendas vão e vem, um dia eu ganho e outro perco, a vida é assim mesmo.

Em meio às divagações, lembrei-me do virtuoso pianista e maestro João Carlos Martins e fui repentinamente invadida por suas sábias palavras. Seu semblante de dor tocando piano com apenas três dedos encheu minha mente e coração de esperança. Com ele, aprendi o significado de resiliência.

Resiliência em seu sentido figurado é a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças. Entendo ela como a arte de se reinventar dia a dia.

Saí do banho com esse pensamento e já em meu quarto comecei a escrever sobre o acontecido. Essa prática tem me ajudado a vencer os desafios do varejo de luxo. Preciso ser persistente se quiser vencer em vendas.

O céu é o limite para mim, basta eu entender o princípio do “ainda” (ainda não fechei minha meta, ainda não concluí a venda, ainda aguardo o cliente do meu networking), em vez de viver no “pelo menos” (pelo menos nunca chego atrasada, pelo menos não fiquei em primeiro, mas estou entre os quatro melhores, pelo menos mantenho a loja impecável), pois isso não fará de mim uma vencedora.

Esse tem de ser o meu pensar, sentir e agir. Preciso persistir sempre, afinal, em vendas não existe a palavra desistir, podemos até “sair de cena” estrategicamente, mas desistir nunca. Ao ler meu caderno, percebi quantas vitórias em vendas venho tendo. Estou em primeiro há seis meses vi o quanto estudo, pesquiso e vou fundo em minha profissão. Vender é a minha maior paixão, é a razão de estar no varejo. Ao folheá-lo encontro a frase de Brian Tracy do livro O Pensamento que Faz Vender: “Uns sim, outros não, e daí? O próximo!”.

É isso. Não vou ter 100% de clientes com vendas, uns vão comprar, outros não. A grande lição é persistir e “resilientemente” entender a perda, aceitá-la e começar tudo de novo, com o mesmo entusiasmo do início, procurando novas possibilidades. Tiremos lições do erro, mas nos permitamos o vazio da perda, pois certamente nele haverá muito espaço a ser preenchido com vitórias em vendas.

Com essas conclusões fechei meu caderno de anotações aliviada e consciente de que amanhã o Sol nascerá novamente e muitas possibilidades acontecerão. Quero estar sensível a elas.

Minha dica: todo bom vendedor precisa ter consciência de que nem todos os clientes comprarão. O segredo é a certeza de que tudo foi feito certo. Motive-se, não espere seu gerente ou supervisor, você, e somente você, é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Ah! E faça cursos, assista palestras entre outros, pois sempre existem coisas novas para aprendermos.



 


matéria incluída em: 27/06/2008

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