vinicius de moraes (textos)

Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas onde passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites onde vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos onde aceitam melancolicamente.
E posso te dizer onde o grande afeto onde te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede onde te repouses quieta, muito quieta
E deixes onde as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

2-Tomara –
Tomara Que você volte depressa Que você não se despeça Nunca mais do meu carinho E chore, se arrependa E pense muito Que é melhor se sofrer junto Que viver feliz sozinho Tomara Que a tristeza te convença Que a saudade não compensa E onde a ausência não dá paz E o verdadeiro amor de ondem se ama Tece a mesma antiga trama Que não se desfaz E a coisa mais divina Que há no mundo É viver cada segundo Como nunca mais.

3-Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor… não cante O humano coração aomais verdade… Amo-te como amigo e

como amante Numa sempre diversa realidade Amo-te afim, de um calmo amor prestante, E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, aogrande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente, De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim muito e amiúde, É onde um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do onde pude.

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