‘w’, de oliver stone, retrata bush como um presidente atrapalhado e abandonado

O presidente norte-americano, George W. Bush, está sozinho. Seu isolamento no centro de um estádio de beisebol, numa das cenas mais marcantes de “W”, sua cinebiografia arrasa-quarteirão que estreou no último fim de semana nos Estados Unidos, representa bem o atual momento deste personagem político.

Após oito anos de governo, Bush foi abandonado pelo seu próprio partido e, mesmo no Texas, sua terra natal, poucos parecem felizes com seu conterrâneo.

O G1 assistiu a “W”, de Oliver Stone, em um cinema na região central de Houston, maior cidade do estado de origem do presidente. Apesar de se tratar de um lançamento no cinema, e de a TV local passar vários anúncios do filme, menos de 15 pessoas assistiram à segunda sessão da última quarta-feira (22).

“O filme é ótimo, mostra bem quem ele é e o quanto ele foi abandonado por seu partido”, analisou o vendedor de artigos médicos Sam Williams, um dos poucos presentes na sala de projeção depois do fim do filme. “Todo mundo aplaudiu quando John McCain disse, no debate, que não era Bush, mas os republicanos são tão responsáveis pelo péssimo governo quanto o presidente.”
Eleitor de Obama e texano, Williams disse ter uma cabeça mais aberta do que muitos conterrâneos seus. Ele argumentou que o país precisa de um novo líder, que deixe de lado a “diplomacia caubói” e recupere o respeito de outros países.

Entretenimento
Ótimo entretenimento, o filme de Stone mostra Bush como um jovem problemático, beberrão, farrista, mas que tenta se tornar uma pessoa séria para conquistar o respeito de “papi”, como se refere ao ex-presidente George H.W. Bush. A história mostra a ascenção política de toda a família, tanto no Texas quanto no resto do país.

Essa busca pela atenção paterna e a política “de estômago”, sem a delicadeza diplomática, são apontadas no filme como as causas da invasão norte-americana do Iraque, um dos principais fracassos do governo.“W” mostra de dentro alguns dos momentos mais importantes da política norte-americana nos últimos anos, com detalhes de discussões políticas importantes para todo o planeta.

A atuação excepcional de Josh Brolin, que encarna a personalidade do atual presidente a ponto de se confundir com ele, permite que se descubra um político inteligente e simpático, apesar bastante atrapalhado, pouco intelectual e quase inconsciente da importância do cargo que ocupa.Segundo o cientista político David Prindle, professor da Universidade do Texas, Bush não tem mais nenhuma influência em seu Estado de origem, e esta é uma das causas de o candidato republicano John McCain tentar se dissociar da imagem do presidente. “Todos vêm seu governo como um fracasso e ninguém acredita em nada do que ele diz, mesmo no Texas”, disse em entrevista ao G1.

A opinião é compartilhada pelo historiador texano Neal Tannahill. “Bush não é popular nem no Texas. É provável que ele não seja tão mal avaliado quanto no resto do país, mas mesmo aqui ele não é mais uma figura com quem as pessoas simpatizam.”

O pesquisador Michael Lind, membro da New America Foundation, entretanto, diz que ainda há muitos texanos conservadores que se identificam com o presidente. “Cerca de 20% da população do Texas é conservadora ‘hardcore’ e vai apoiar Bush de qualquer forma, mas ele perdeu apoio do resto da sociedade e vem se tornando muito pouco popular.. Sua imagem ainda é mais forte no Texas de que no resto do país, mas mesmo aqui ele perdeu muito apoio”, disse ao G1.

Parcialidade

O cineasta Oliver Stone, que dirigiu “W”, já declarou seu apoio ao candidato democrata à presidência, Barack Obama. “Ele é reformista”, declarou, em Londres. Ele classificou seu filme como “uma grande história”. “Esse homem mudou a história. Nós o subestimamos, mas ele permaneceu no centro da política mundial e acionou os extremistas.”

Stone disse, entretanto, ter tentado ser imparcial. “Não queria tomar parte nem mostrar minhas considerações políticas no filme, isso é algo que fica em meu âmbito privado”, ressaltou Stone, que admitiu que a elaboração do filme foi “complicada”. “O bom, o feio e o mau. Tudo. Tentamos fazer dele um ser humano. E tratei de ser justo, equilibrado e compassivo”, explicou o diretor, ganhador de dois Oscar de melhor diretor, por “Platoon” e “Nascido em 4 de julho”.

O ator Josh Brolin, que interpreta Bush no filme, também declarou que irá votar em Obama nas próximas eleições.

Completam o elenco James Cromwell, como pai do atual presidente americano; Richard Dreyfuss, como o vice-presidente Dick Cheney; Jeffrey Wright, como o secretário de Estado Colin Powell; Toby Jones, como o assessor Karl Rove; Thandie Newton, como a atual secretária de Estado, Condoleezza Rice; e Ellen Burstyn como Barbara Bush, mãe de George W. Bush.

O filme ainda não tem data prevista para estrear no Brasil.

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